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"Passos continua mal resolvido com o seu 'despedimento' pelo povo"

Um artigo de opinião de Pedro Vaz, dirigente do PS, intitulado 'O Desejado'.

"Passos continua mal resolvido com o seu 'despedimento' pelo povo"

"Nos últimos tempos Pedro Passos Coelho, apesar de jurar que não pretende regressar à política, deu uns ares de sua graça. Primeiro com o silêncio mais ruidoso de sempre num encontro muito celebrado pela amálgama que é hoje a direita portuguesa. Direita essa, onde cabem todas as opiniões e o seu contrário, do ultranacionalista ao conservador de direita, do liberal ao iliberal e até a ridícula insistência do, cada vez mais a prazo, atual líder do PSD em caracterizar o seu partido como de centro-esquerda, como se os militantes do PSD nunca tivessem informado o seu líder do equívoco.

Esta semana, e a pretexto de um lançamento de um qualquer livro, decidiu falar e demonstrar que não pretende desaparecer dos palcos da política nacional. O que, diga-se, é totalmente legítimo.

Apesar das críticas ao atual Governo, a que iremos de seguida, aquilo que Passos Coelho pretendeu fazer mesmo foi um exercício de menorização de Rui Rio. Demonstrando que o verdadeiro líder da direita portuguesa é ele e não o presidente do seu Partido. Confesso que tem sido eficaz nessa tarefa, remetendo Rio para uma qualquer nota de rodapé da política portuguesa contemporânea. Uma espécie de interlúdio enquanto os predestinados não regressam para a sua grande missão salvífica do país.

Contudo, no seu discurso, Passos Coelho não escondeu ao que vem e continua mal resolvido com o seu 'despedimento' pelo povo português. A cartilha não é nova, nem sequer ambiciosa, trazendo de imediato à memória a governação de 'os portugueses estão pior, mas Portugal está melhor.'

Sabemos que Passos Coelho é o D. Sebastião, de cognome 'o Desejado', dos tempos modernos. A cola daquilo que são os cacos de uma direita portuguesa que junta nacionalistas e europeístas, neoliberais, iliberais, protofascistas, alguns (poucos) democratas-cristãos, populistas, etc. No entanto, também sabemos, o que significa para Passos Coelho o exercício do poder político e o seu entendimento de “reformas” que a direita muito gosta de falar, como eufemismo para a sua verdadeira agenda: privatizar a segurança social, a saúde, baixar o salário mínimo nacional, baixar a tributação dos lucros das empresas e aumentar os impostos dos trabalhadores por conta de outrem (ainda se lembram dos cortes nas pensões e nos subsídios de férias e de natal?).

Quando Passos Coelho ataca o Governo dizendo que ele se encontra refém de entendimentos parlamentares porque não tem maioria absoluta, na realidade aquilo que critica verdadeiramente é a democracia. Ao invés do que afirma com a expressão “governar através do mínimo denominador comum”, o que ele diz é que não se deve procurar uma maioria alargada, que corresponda à vontade dos portugueses. Quando ele fala que não há coragem para as reformas necessárias, mesmo que seja de forma confrontacional com os portugueses, revela que para ele governar é um exercício apesar dos governados e em que o que interessa é impor uma terapia, uma qualquer profilaxia que cure o país da sua realidade, mesmo quando a cura mate de outra forma.

Foi assim quando governou e foi por isso que foi embora.

As polémicas da espuma dos dias alimentada pelos “media”, nas suas versões “mass” e “social”, nada significam em relação ao essencial. Nos últimos anos a esquerda portuguesa devolveu direitos aos portugueses, aumentou salários e rendimento disponível às famílias (lembremo-nos de quanto custava os passes de transportes, por exemplo), ao mesmo tempo que pôs as contas públicas na ordem, criando o primeiro superávit da história do Portugal democrático, pelo meio demos de frente contra esta Pandemia (assim em maiúsculas, para demonstrar que é algo totalmente inédito e inimaginável há menos de 2 anos). Apesar de tudo isto, qual é a nova receita do “Desejado”? A retórica gasta das “reformas” que só têm uma tradução na direita portuguesa – redistribuir a pouca riqueza existente, mas ao contrário".

Pedro Vaz, dirigente do PS

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