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Jerónimo de Sousa: "Não seremos nem fomos ponto de apoio do Governo PS"

Secretário-Geral comunista foi esta segunda-feira entrevistado por Miguel Sousa Tavares na TVI24. Sobre a pandemia, Jerónimo deixou uma questão: "Como se admite que cheguemos a um ponto onde se tem mais medo de viver do que medo de morrer?"

Jerónimo de Sousa: "Não seremos nem fomos ponto de apoio do Governo PS"

Jerónimo de Sousa foi entrevistado, esta segunda-feira, na TVI24, e o presente e o futuro do PCP foi tema em cima da mesa. Numa conversa com Miguel Sousa Tavares, o secretário-geral começou por afirmar que é "um partido para continuar, na medida em que tem um projeto para além do seu ideal, para além da sua identidade".

No centésimo aniversário do PCP - que se comemora no próximo sábado -, o secretário-geral apontou que este tem "amor à vida, ao país, à nossa pátria, aos trabalhadores e ao nosso povo". "O futuro tem partido".

No seguimento da entrevista, Jerónimo de Sousa frisou que o Partido Comunista Português lhe "ensinou que nós, na nossa luta contra o capitalismo, não queremos acabar com os patrões". "Não é uma luta contra este ou aquele capitalista. É contra o sistema capitalista", explicou.

Questionado sobre a polémica que envolveu a morte de Marcelino da Mata, o secretário-geral comunista asseverou que "em primeiro lugar, a figura em causa tem uma característica que se gaba de ter cometido crimes de guerra".

Na sua experiência como "jovem soldado", Jerónimo partilhou "o drama" que todos tinham: "Então e se alguém aparecer a apontar-te uma espingarda? O que fazes? Era a grande pergunta. Muitas vezes não dávamos a resposta, embora a tendência maioritária fosse a lei de sobrevivência. Era um dilema que, felizmente, nunca fui confrontado com ele".

Princípios e ideais mantêm-se atuais?

Advogando que "o mundo mudou muito", o secretário-geral do PCP afirmou que "não se alterou a natureza da exploração". "Essa consciência de que a natureza das coisas não se altera... [...] Nós podíamos ficar sentados, com um otimismo histórico, a pensar que a revolução acontecia independentemente da nossa postura, postura, intervenção e luta", disse.

O "projeto do meu partido está refletido naquilo que é um comando Constitucional, no nosso projeto de uma Democracia avançada com eleições livres, pluralidade no plano partidário, existência de liberdades, de direitos fundamentais", sublinhou, acrescentando que "todos os processos históricos têm desenvolvimentos, não se constitui por ato súbito".

Já sobre se há algum modelo de país com que o partido se identifique, Jerónimo de Sousa disse que, "no quadro das relações internacionais, ainda não encontramos - e duvido que iremos encontrar - um modelo diferente" a seguir. "Não temos esse modelo, construiremos o nosso caminho à nossa maneira, com o nosso povo, com nosso país, com os trabalhadores, mas não aceitamos modelos, na medida em que os processos de transformação são sempre diferenciados, tendo em conta a Cultura, a História, as características de cada povo".

"PCP lutou muito para travar política de Direita"

O PCP, "acompanhando aquilo que era um sentimento fortíssimo em 2014, lutou muito para travar aquilo que consideramos os efeitos devastadores de uma política de Direita, de cortes de salários, de direitos", afirmou o secretário-geral à TVI, referindo que o partido continua a considerar que "tem o azimute, uma política definida, um projeto alternativo, uma política patriótica e de Esquerda que não encontra paralelo".

Por isso é que "não seremos nem fomos ponto de apoio do Governo do PS, naturalmente, muito menos seremos comparsas de um PSD/CDS com os seus sucedâneos".

Questionado por Miguel Sousa Tavares acerca dos sucessivos votos 'contra' do PCP ao Estado de Emergência, Jerónimo foi taxativo: "A alternativa não poderia ser o confinamento agressivo. Poderiam existir medidas de proteção, de confinamento em relação a situações mais sensíveis - pensou-se no confinamento pelo confinamento".

"Como se admite que cheguemos a um ponto onde se tem mais medo de viver do que medo de morrer?", questionou.

Recorde-se que, na passada quinta-feira, os deputados debateram e aprovaram o 12.º Estado de Emergência que entrará em vigor no próximo dia 2 de março e que estará em vigor até ao dia 16 do mesmo mês. Sem surpresas, PS, PSD, PAN e CDS-PP votaram favoravelmente. Também como na anterior votação, o Bloco de Esquerda absteve-se, e PCP, PEV, Iniciativa Liberal e Chega votaram contra.

[Notícia atualizada às 22h19]

Leia Também: Jerónimo defende que confinamento tem de ser "medida excecional"

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