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"Escassa vitória" do líder do CDS "não apagou a guerra civil em curso"

Francisco Rodrigues dos Santos renovou a sua confiança como líder do CDS este domingo por uma margem curta, depois de ter sido "desafiado" por Adolfo Mesquita Nunes. No mesmo dia, perdeu mais dois membros da direção. Vital Moreira diz ser uma pena "ver desaparecer um partido fundador do regime democrático em Portugal".

"Escassa vitória" do líder do CDS "não apagou a guerra civil em curso"

A moção de confiança apresentada pelo líder do CDS foi este domingo aprovada pelo Conselho Nacional do partido com 54% de votos a favor, através de voto secreto digital por 265 conselheiros (144 votos a favor, 113 votos e oito abstenções).

Uma "escassa vitória" com que Francisco Rodrigues dos Santos "desafiou a contestação da oposição interna" e que "não clarificou a situação política no partido, nem apagou a guerra civil em curso", comenta Vital Moreira num artigo publicado no blogue Causa Nossa. No seu entender, o conflito apenas se vai manter "em banho-maria, até às eleições autárquicas, que podem aprofundar ainda mais a crise política do partido".

O ex-eurodeputado socialista aponta como exemplo do "sintoma de mal-estar" e da "desconfiança reinante" o facto de se terem "perdido horas com a questão do voto secreto, que acabou por prevalecer, com base num parecer vinculativo do 'tribunal' do partido". "Ora, salvo deliberação em contrário, a regra de voto em assembleias políticas, como aquela, é o voto aberto, exceto quando estejam em causa pessoas (eleições, sanções, etc.)", analisa.

Sublinhando que o litígio patente que divide o CDS a meio "não ajuda à sua sobrevivência", Vital Moreira afirma que "é uma pena ver desaparecer um partido fundador do regime democrático em Portugal, que, aliás, participou em vários governos".

Na ótica do constitucionalista, "faz falta no expectro político nacional um partido de direita liberal-conservador ou social-conservador, democrático e europeísta" e "oseu desaparecimento só favorece a direita populista", remata.

É de notar que, no mesmo dia em que o Conselho Nacional renovou a confiança no presidente, a direção do CDS perdeu mais dois dos seus membros, Pestana Bastos e Tiago Oliveira.

Desde o final de janeiro, demitiram-se vários membros da direção do CDS, maioritariamente afetos ao grupo Juntos pelo Futuro - cuja moção teve 14,45% dos votos no último congresso e integrou a direção após um acordo com Francisco Rodrigues dos Santos - deixando críticas à atuação da liderança.

A 28 de janeiro, o até então vice-presidente do CDS-PP Filipe Lobo d'Ávila e os vogais da Comissão Executiva Raul Almeida e Isabel Menéres Campos anunciaram que pediram a demissão dos respetivos cargos.

No dia seguinte, também os vogais da Comissão Política Nacional do CDS-PP Paulo Cunha de Almeida e José Carmo deixaram a direção, enquanto José Maria Seabra Duque e Tiago Leite saíram do gabinete de estudos do partido.

Entretanto, saíram também José Miguel Garcez, da Comissão Executiva, bem como Altino Bessa e João Medeiros, que eram vogais da Comissão Política Nacional.

Francisco Kreye, da Comissão Política Nacional e que é secretário-geral da JP desde os tempos em que Rodrigues dos Santos era presidente da organização juvenil, também deixou o posto.

Leia Também: Mesquita Nunes acusa Chicão de falta de confiança e de "entrincheirar-se"

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