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Eleitores reagiram em "sobressalto cívico" contra abstenção

O efeito da pandemia nas presidenciais ainda tem que ser estudado, mas dois politólogos, Carlos Jalali e António Costa Pinto, admitem que os eleitores podem ter reagido em "sobressalto cívico" para votar em maior número no domingo.

Eleitores reagiram em "sobressalto cívico" contra abstenção
Notícias ao Minuto

14:53 - 26/01/21 por Lusa

Política Presidenciais

Apesar de a abstenção ter atingido um recorde (60,9%) e de se ter registado o número mais baixo de votantes em presidenciais, o valor da abstenção atingiu o patamar mínimo admitido, antes das eleições de domingo, por Carlos Jalali, professor de Ciência Política na Universidade de Aveiro.

À Lusa, Jalali apontou três fatores possíveis para o facto de ter havido uma queda menor no número de votantes entre uma eleição que escolheu um presidente e uma reeleição.

Por um lado, houve uma "maior polarização destas eleições, que tende a ter um efeito positivo na participação eleitoral" e a "dramatização da abstenção" quando o Presidente e recandidato, Marcelo Rebelo de Sousa, "colocou a possibilidade de haver uma segunda volta com a abstenção mais elevada ou a ideia de que alguns candidatos poderiam ser beneficiados" por ela.

Depois, há o efeito pandemia, que, segundo o professor da Universidade de Aveiro, pode ter gerado "mais interesse na política e nas decisões coletivas" em vez de ter gerado "receio" que pode diminuir a participação dos eleitores.

António Costa Pinto, investigador coordenador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e professor convidado no ISCTE, considerou, também à Lusa, que "houve de fato um sobressalto cívico" dos eleitores que se mobilizaram para votar nas presidenciais.

E sublinhou que esta vitória de Marcelo teve uma "dimensão transversal", juntando-lhe outros efeitos mobilizadores: a polarização política, que teve o candidato do Chega, André Ventura, um dos seus pólos, impulsionada até pelos debates televisivos, que foram "bastante concorridos".

No entanto, defendeu que o efeito da pandemia necessita de "uma análise mais fina" a ser feita mais tarde pelos investigadores.

Costa Pinto sublinhou que pode ter existido uma "tendência para o declínio na participação eleitoral" em eleições em que o Presidente se recandidata, se se retirar "o efeito técnico da abstenção" com o alargamento, em um milhão de inscritos, com a inclusão de todos os emigrantes.

Tal como Carlos Jalali, António Costa Pinto também anotou que existe "uma progressiva abstenção eleitoral na sociedade portuguesa", nas eleições, presidenciais e outras.

Sobre a análise que fez à abstenção antes das presidenciais de domingo, em que admitiu uma taxa entre 60% e 70%, com base em modelos baseados em resultados anteriores, o professor de Ciência Política de Universidade de Aveiro sublinhou que "os padrões passados não determinam comportamentos futuros, e ainda bem".

"Está nas mãos dos eleitores refazer os padrões, a cada eleição. Foi um pouco isso que aconteceu. Sim, estas eleições tiveram uma abstenção recorde, e houve também um recorde 'negativo' em termos de número de votantes, com o número mais baixo de sempre", admitiu à Lusa.

"Mas, se estas eleições tivessem mantido os padrões anteriores, a abstenção seria bem superior (pelo menos 5-6 pontos percentuais) do que se verificou, e a redução no número de votantes teria sido o dobro do que se verificou", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa, com o apoio do PSD e CDS, foi reeleito Presidente da República nas eleições de domingo, com 60,70% dos votos, segundo os resultados provisórios apurados em todas as 3.092 freguesias e quando faltava apurar três consulados.

A socialista Ana Gomes foi a segunda candidata mais votada, com 12,97%, seguindo-se André Ventura, do Chega, com 11,90%, João Ferreira (PCP e Verdes) com 4,32%, Marisa Matias (Bloco de Esquerda) com 3,95%, Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal) com 3,22% e Vitorino Silva (Reagir, Incluir e Reciclar - RIR) com 2,94%.

A abstenção foi de 60,5%, a percentagem mais elevada de sempre em eleições para o Presidente da República.

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