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Voto antecipado pode "mitigar" abstenção (mas pouco)

O sociólogo e investigador Pedro Magalhães admite que o voto antecipado, em que se inscreveram 246 mil eleitores, pode "mitigar", mas pouco, o previsível aumento da abstenção nas presidenciais de domingo.

Voto antecipado pode "mitigar" abstenção (mas pouco)
Notícias ao Minuto

10:15 - 20/01/21 por Lusa

Política Presidenciais

Este voto antecipado com "níveis recorde" em número de inscritos "pode contribuir um pouco para mitigar a abstenção", mas esse efeito "pode não ser muito grande", disse Pedro Magalhães, autor de estudos sobre a abstenção em Portugal, em respostas por escrito a perguntas colocadas pela Lusa.

"As pessoas que se inscreveram para voto antecipado são mais informadas e interessadas que a maioria da população e, muito provavelmente, seriam pessoas que, na sua grande maioria, iriam votar na mesma caso esse voto antecipado não existisse. Logo, o efeito de mitigação de abstenção pode não ser muito grande", disse o investigador que também é doutorado em Ciência Política pela Universidade de Ohio, nos Estados Unidos.

Pedro Magalhães e Carlos Jalali, professor de Ciência Política da Universidade de Aveiro, têm uma posição idêntica quanto à imprevisibilidade dos efeitos da pandemia na ida às urnas.

Jalali acredita que o "efeito pandemia" vai sobrepor-se a outros fatores, como a tendência de crescimento dos abstencionistas e o desinteresse nas eleições e o efeito do recenseamento automático dos portugueses do estrangeiro no aumento da taxa de abstenção.

Ou seja, pode "potencialmente levar as pessoas a evitarem contactos sociais e por isso não irem votar", mas pode ter "um efeito contrário", de "motivar as pessoas a dar uma maior atenção às questões e decisões colectivas".

E citou um estudo recente, feito por três investigadores (Andrés Santana, José Rama e Fernando Casal Bértoa), que analisaram o efeito da pandemia em eleições (gerais, presidenciais e regionais) no mundo, de março a setembro de 2020, da Coreia do Sul à Polónia, do Suriname à Islândia.

Apesar de sublinhar tratar-se, ainda, de um estudo numa fase "muito inicial", Carlos Jalali destacou "duas conclusões interessantes", de efeitos opostos.

Primeiro, que a participação eleitoral "não é necessariamente mais baixa em eleições durante a pandemia", como aconteceu nas eleições em Montenegro, Polónia e Coreia do Sul.

Por outro lado, "a abstenção sobe de forma substancial onde o impacto da pandemia (sobretudo em termos de mortes) é maior", o que aconteceu na Croácia, Macedónia do Norte e Sérvia.

"Todos estes estudos ainda estão numa fase muito inicial e é difícil antever o efeito da pandemia sobre o voto nestas presidenciais", concluiu o professor de Ciência Política da Universidade de Aveiro.

O estudo, datado de novembro de 2020, dos investigadores das universidades Autónoma de Madrid, Carlos III, de Madrid e Universidade de Notthinghan, sublinha ser necessário continuar a investigação científica sobre o fenómeno, incluindo a adopção de outros métodos de votação, como o voto eletrónico, admitindo o peso do medo no comportamento dos eleitores.

E cita o filósofo e ensaísta Ralph Waldo Emerson (1803-1882) que afirmou que "o medo derrota mais pessoas do que qualquer outra coisa no mundo".

No início de janeiro, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) lançou uma campanha intitulada "Votar é seguro", tão seguro como "uma ida às compras ou ao café", esperando que a pandemia de covid-19 não seja "mais uma desculpa" para não votar.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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