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Relação fácil com Costa? "Com qualquer primeiro-ministro" será igual

O Presidente da República e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que terá com qualquer outro primeiro-ministro a mesma relação que tem com António Costa e considera que esta coabitação foi uma escolha dos portugueses.

Relação fácil com Costa? "Com qualquer primeiro-ministro" será igual
Notícias ao Minuto

11:11 - 14/01/21 por Lusa

Política Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa assume estas posições numa entrevista à Antena 1, hoje divulgada, em que apela à participação nas eleições presidenciais de dia 24, defendendo que "é mais importante votar em pandemia do que é sem pandemia".

Questionado sobre a sua "fácil relação" com o atual primeiro-ministro e secretário-geral do PS, António Costa, o chefe de Estado e candidato apoiado por PSD e CDS-PP refere que não gosta de se auto elogiar, mas que esse relacionamento decorre da sua maneira de ser e da sua visão do papel constitucional do Presidente da República.

"Se for eleito, há eleições parlamentares a meio do mandato presidencial, e elas podem dar um Governo da mesma área ou de outra área com outro primeiro-ministro, e com qualquer primeiro-ministro o relacionamento será como aquele que tenho com este primeiro-ministro, porque é a minha visão dos poderes do Presidente e é a minha maneira de ser", acrescenta.

Interrogado se não teme que a sua área política "não lhe perdoe esta coabitação", o antigo presidente do PSD responde: "Mas a coabitação foi uma escolha dos portugueses. Os portugueses escolheram um Presidente de direita e, por duas vezes, criaram condições para maiorias absolutas de esquerda".

A propósito de um possível aumento acentuado da abstenção, Marcelo Rebelo de Sousa defende nesta entrevista que "as pessoas têm de perceber mesmo a importância do seu voto em pandemia" e que "é mais importante votar em pandemia do que é sem pandemia".

"As pessoas podem não perceber isso, com o medo, com o receio, com o confinamento, com tudo isso. Têm de perceber que é tão importante para a sua vida, mudou tanto a sua vida, vai mudar tanto a sua vida com a crise económica e social que já aí está e vem aí, que é nesses momentos que se tem de fazer um esforço suplementar em termos de participação política, e o esforço é ir votar", reforça.

Quanto à notícia da vigilância policial a dois jornalistas que investigavam o caso e-toupeira ordenada por uma procuradora, sem autorização de um juiz, Marcelo Rebelo de Sousa diz que foi informar-se e verificou que se trata "de uma questão já antiga, de 2018" e que "há várias interpretações jurídicas sobre a matéria", mas recusa fazer comentários.

"O Presidente da República não se pronuncia sobre processos criminais e não abre uma exceção, por muito que lhe apetecesse", justifica.

Se for reeleito, aponta como "grande desafio" do seu próximo mandato "a reconstrução económica e social do país e num clima que permita ultrapassar as desigualdades", advertindo que a pandemia de covid-19 vai ter efeitos prolongados e que o processo de vacinação "deverá durar um ano e meio".

Nesta entrevista, conduzida pela jornalista Natália Carvalho, editora de política da Antena 1, questionado se oposição e Governo têm estado à altura do desafio que constitui esta pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa responde que "sim, tem sido uma boa surpresa".

O chefe de Estado rebate a ideia de que faltou planeamento, alegando que "nenhum país pôde planear a preparação para uma pandemia que surgiu de repente, nem sequer o que aconteceu em termos das várias vagas, não é possível planear", porque de uma semana para a outra a situação muda.

Relativamente ao confinamento decidido na quarta-feira pelo Governo, realça que as escolas se mantêm abertas, o que no seu entender "faz uma diferença enorme" e significa "uma consideração por uma geração", para evitar que tenha um "segundo ano letivo totalmente atropelado".

"É um risco, como sabe, havia muitos autarcas que insistiam em ser tudo fechado, havia setores sanitários que defendiam tudo fechado. E fez-se aqui uma aposta, que é deixar abertas as escolas. Vamos fazer uma reavaliação daqui a quinze dias", acrescenta.

Enquanto candidato presidencial, confrontado com a ausência de ações de campanha, argumenta que o exercício do cargo de Presidente, sobretudo devido às renovações do estado de emergência, iria sempre limitar a sua campanha, mesmo antes de ficar em "autovigilância" por contactos considerados de baixo risco com infetados com o novo coronavírus e de ter estado temporariamente isolado por ter tido ele próprio um resultado positivo num teste de diagnóstico, depois infirmado por dois resultados negativos.

"Mas eu tencionava fazer campanha", assegura Marcelo Rebelo de Sousa, adiantando que, além dos debates e entrevistas, tencionava fazer "uma dezena, uma dúzia de ações".

O professor catedrático de direito jubilado e antigo comentador televisivo reitera que a pandemia de covid-19 contribuiu para sentir "um dever moral" de se recandidatar à chefia do Estado, afirmando que antes ponderava não se recandidatar.

Sobre o seu primeiro mandato, declara, a certa altura: "Quando se é eleito é para as coisas boas e para as coisas más, e têm sido mais coisas más do que coisas boas ao longo deste mandato".

Sem dar exemplos, o chefe de Estado confessa arrependimentos: "A pessoa arrepende-se de muita coisa do que diz, umas vezes falou a mais, outras vezes falou a menos, outras vezes podia ter estado e não foi".

Em relação ao resultado das eleições de dia 24, declara: "O povo escolhe livremente. Se não me eleger, não elege. Eu não morro por não ser eleito. Para mim, não é uma questão de vida ou de morte".

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro.

Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

pandemia de covid-19 provocou 8.236 mortos em Portugal, dos 507.108 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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