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"Nunca na vida um Governo meu se colocará nas mãos do Chega!"

Rui Rio deu, na noite desta quarta-feira, uma entrevista à TVI24 onde os temas do acordo para a governação nos Açores e o Orçamento do Estado estiveram em cima da mesa. Chega? "É hoje uma federação de descontentes".

"Nunca na vida um Governo meu se colocará nas mãos do Chega!"

O líder do PSD começou por esclarecer, esta noite de quarta-feira em entrevista à TVI24, a polémica dos últimos dias, porque no "fim desta barulheira e desta confusão toda" teme que os portugueses não tenham entendido o que se passou na Região Autónoma. E reiterou: "Não há qualquer acordo nacional entre o PSD e o Chega! Nem com a Iniciativa Liberal, nem com o PPM, nem com o CDS. Não há acordo nacional com ninguém"

O PSD dos Açores, explicou, "aceitou quatro reivindicações do Chega!" para que o partido de André Ventura "vote a favor de um Governo da AD: CDS, PPM e PSD". Uma dessas reivindicações é "a redução da subsidiodependência", uma vez que "os Açores são o sítio do país onde há mais Rendimento Social de Inserção (RSI)"

Rui Rio disse que estava a "dar a cara", uma vez que está "de acordo que numa Região Autónoma ou num distrito, ou numa cidade onde tanta gente não tem emprego e vive do subsídio do Estado, se tenha de criar emprego e por menos gente a viver do subsídio"

E acrescentou: "Entendo que, no caso dos Açores, é preciso criar emprego e dar emprego àquelas pessoas e, ao mesmo tempo, é preciso fiscalizar melhor quem está com o RSI, porque há pessoas que podem estar com o RSI e não trabalham porque não querem".

Rio disse ainda sobre o 'tema Açores' que, além da "redução da subsidiodependência", o Chega! exigiu ainda, para viabilizar um Governo nos Açores, "combater a corrupção" - com a criação de um gabinete para tal -, "fazer uma proposta de redução do número de deputados regionais" e "o reforço da autonomia". Pontos com os quais o líder do PSD nacional disse concordar: "É disto que estamos a falar". 

O presidente do PSD recusou, em seguida, que tenha havido um encontro que tenha passado pela direção do partido: "Aquilo que houve já foi explicado. André Ventura quis por cá fora um comunicado em que dizia que havia acordo. E mandou-nos esse comunicado a ver se nós não o desmentíamos. Essa é a relação que há a nível nacional", disse, sublinhando que o "SMS foi enviado" para si e Rio enviou-o para o líder da bancada parlamentar para tratar do assunto: "O comunicado não, na nossa opinião, estava em condições"

Isto porque "não dava a entender que havia um acordo nacional, mas dali se poderia eventualmente pensar". O documento foi 'corrigido' e nada o PSD desmentiu, aclarou. 

"Num Governo do PSD nunca entraria o PCP, o BE e o Chega!"

Destacando que o acordo nos Açores foi feito com o seu "conhecimento" e não com a sua "cobertura", Rui Rio disse que "os Açores e a Madeira não me telefonam a perguntar se podem fazer", mas sim "têm a cortesia de o "informar". 

"Aquilo que sei é que [o Representante da República] para indigitar o líder do PS ou o líder do PSD exigiu, preto no branco, um suporte parlamentar. O PS não conseguiu e o PSD conseguiu", acrescentando que "ao ser indigitado Vasco Cordeiro, nem que estivesse lá só 15 dias, não se poderia voltar a candidatar" em caso de o Governo não passar: "Já tem dois mandatos e automaticamente iniciava o terceiro".

E quem ganha as eleições deve governar? Para Rio, "essa é a melhor regra". "É preferível que quem é o mais votado governe. A verdade é que António Costa e o PS iniciaram um processo completamente diferente". 

"Se o Chega!, ou o BE, ou o PCP nos pedirem alguma coisa que não vá ferir o nosso programa, que esteja coincidente e coerente com o nosso programa, porque é que nós havemos de dizer que não?", questionou: "Eu até queria combater a corrupção mas, como neste caso o Chega! está a pedir, já nem combato", ironizou. 

Já numa lógica nacional, o líder do PSD diz que, hoje, é "impossível o PSD fazer um Governo com a participação da extrema-esquerda e da extrema-direita". "Num Governo do PSD nunca entraria o PCP, o BE e o Chega!", contudo, se um destes partidos ou "outro qualquer" para votar "a favor do programa pedir aquilo que está perfeitamente coerente e coincidente com o nosso programa, acha que um partido minimamente inteligente diz: 'Até concordo com os pontos, mas por favor não votes do lado de cá?' É elementar".

"Nunca na vida um Governo liderado por mim se colocará nas mãos do Chega!"O presidente do PSD advogou também que António Costa fez algo que Rio "jamais" fará com qualquer partido "extremista" que é dizer "não quero nada com o PSD, com o Centro, quero fazer o caminho com a Esquerda e colocar-me totalmente na dependência da Esquerda. Para aprovar o Orçamento, está totalmente nas mãos do PCP ou do BE".

Sobre o partido de André Ventura, Rui Rio afirma que o Chega! é hoje "uma federação de descontentes" e o "lugar geométrico onde se encontram todos os descontentes". Existe hoje "pela negativa". "Não é bem um partido cimentado"

OE? PSD vai votar contra. "Para passar tem de ficar ainda pior do que está agora"

Já quanto ao tema Orçamento do Estado, o presidente do PSD revelou que pode ser dado como garantido que o partido irá votar contra o documento na especialidade: "O Orçamento vem num estado que não está capaz de receber um voto favorável do PSD. É um Orçamento feito pelo PS muito encostado ao PCP e ao BE". 

"Se o Orçamento sair da especialidade da mesma forma que está o que vai acontecer? Vai chumbar, porque o PCP vai votar contra. O Orçamento para passar tem de ficar ainda pior do que está agora", defendeu.

Enumerando medidas do Orçamento - como os passes sociais mais baratos, redução do IVA da eletricidade e redução das propinas e do IRS - Rio referiu que é necessário "ter a frieza de dizer que tudo isto é popular". "Se eu percebesse de política estava aqui a dizer: 'Isto é pouco, quero mais'. Porque estou na oposição e quero que as pessoas votem em mim. Mas isso não é sério. Nem quero chegar a primeiro-ministro de qualquer maneira", ressalvou.

"Não me parece fácil que a legislatura vá até ao fim"

Questionado sobre se é preferível um cenário de eleições antecipadas, o líder do PSD disse duvidar da estabilidade da legislatura: "Da maneira como estou a ver as coisas, não me parece fácil que a legislatura vá até ao fim", afirmou, apontando divisões ao nível do apoio parlamentar e até no Governo. À pergunta se tal significa que se considera mais próximo de vir a ser primeiro-ministro, foi taxativo: "Sim, isso acho que sim"

A pandemia foi também tema da entrevista na TVI24, apontando que o PSD "optou por cooperar com o Governo, mas ao mesmo tempo, não criticar o que o Executivo estava a fazer de mal". Apesar de ter sido criticado por isso, Rio ressalvou: "Em março e abril, quem fosse inteletualmente sério, sabia que se se tivesse no lugar de António Costa, dificilmente podia fazer melhor".

"Estou convicto de que no lugar dele [António Costa] não teria feito melhor"Agora "não é assim". Apesar de não dar "um cheque em branco" ao Governo em relação à gestão da pandemia, o líder do PSD avançou que "se o país precisa de um quadro legal", o partido irá facilitar. "Essas condições só no limite é que não vou dar. Então não vou dar ao Governo condições para combater a pandemia?"

Rio voltou a defender que, nesta segunda vaga da Covid-19, o Executivo de António Costa deveria ter "negociado camas com os privados" e apontou que, na sua opinião, tal poderá não ter ocorrido por "preconceito ideológico"

Sobre Marta Temido, o presidente do PSD disse que "quem sabe se a ministra da Saúde tem condições ou não é o primeiro-ministro porque ele é responsável pela ministra da Saúde". "Ele é o responsável do Governo, faz como muito bem entender, espero é que não diga 'Rua com a Diretora-Geral, por exemplo, que é para parecer que a culpa estava na Direção-Geral e há responsabilidades políticas".

Congresso do PCP. "Não consigo conceber"

Questionado sobre se impediria o Congresso do PCP se fosse primeiro-ministro, Rui Rio voltou a ser perentório: "Obviamente". "Não consigo conceber". Colocar as pessoas em recolher obrigatório, fechar os restaurantes e os hotéis e o Governo dizer "é para todos menos para o PCP" pode levar, na ótica do entrevstado, "uma coisa muito perigosa que é as pessoas perderem o respeito ao Governo".

Tal, na situação em que nos encontramos, "é um tiro no pé de todo o tamanho". "Espero que haja bom senso e não haja um congresso partidário" ou outro evento do mesmo género.

Quanto às presidenciais, o líder da oposição afirmou que Marcelo se "vai recandidatar". "Não me disse isso, mas eu acho que ele se vai recandidatar. Posso me enganar, mas ele deve dizer isso lá para o dia 26, 27 de novembro".

[Última atualização às 22h41]

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