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  • 29 NOVEMBRO 2020
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"O vírus está a avançar por culpa nossa"

Um artigo de opinião assinado por Joaquim Jorge, biólogo, fundador do Clube dos Pensadores e Matosinhos Independente.

"O vírus está a avançar por culpa nossa"

"Portugal e praticamente toda a Europa, há várias semanas, ensaiam restrições cada vez mais severas para tentar controlar o aumento de casos de Covid-19.

Os portugueses têm de ganhar 'juizinho' e cumprirem consigo próprios e com os outros as normas de segurança. Para além, das restrições impostas, o essencial é usar sempre máscara, estar a mais de metro e meio ou dois metros de outras pessoas e ter o gel sempre por companhia.

Vários especialistas dizem-nos que só é possível baixar a curva de contágios com novo isolamento, nem que seja temporário, apesar de ser necessário analisar outros impactos.

Por favor, eu não quero voltar a ficar em casa isolado do meu mundo! O confinamento é o método mais eficaz, mas eu não quero ouvir falar dele. Foi uma experiência dolorosa, traumatizante e que deixou marcas. O confinamento é a única medida em que existe evidência científica, mas resulta nesse período de tempo, depois não.

Pode resultar por um período de tempo, mas o desconfinamento aumenta, de novo, os contágios. Só resultaria se ficássemos em casa até haver uma vacina eficaz.

A estratégia de curto-circuito, de confinamentos breves, não me parece que resulte, há um hiato, mas depois volta tudo na mesma. Penso que restrições graduais sustentadas no tempo podem vir a resultar. Confinamento geográfico, redução de grupos, proibição de festas, etc.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) repete e bem as medidas que todos nós temos de tomar individualmente: isolamento, detecção, quarentena, máscaras, higiene das mãos, distância física e redução da atividade social.

Há uma grande preocupação e a estratégia possível são as restrições intermédias para evitar a restrição total que é ficar em casa. Se ficarmos todos em casa a economia vai colapsar.

É provável que seja necessário elevar o nível de resposta, como não haver dia dos fiéis defuntos, não festejar o Natal e a passagem de ano. Mas prefiro isso, a ficar em casa. Voltar a ficar em casa é o último recurso e nem quero pensar nisso. As pessoas que tenham juízo, há que precaver.

Ficar em casa é grotesco, imperfeito, ineficaz a longo prazo e de muito custo.

Este vírus provou que é preciso reforçar o SNS, o confinamento sem uma política de saúde adequada para o seu controlo, rastreio correto, mais recursos, mais planificação para cuidados primários não é a solução.

Sou contra um confinamento total, mas a favor de um seletivo: à noite ou fim de semana. O nosso país precisa de equilíbrio entre economia, restrições das liberdades e saúde pública.

Se voltarmos ao confinamento total será um fracasso de todos: governo, médicos, cientistas e cidadãos."

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