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PSD acusa Governo de "irresponsabilidade" na construção do documento

O PSD afirmou hoje que o processo de construção de Orçamento do Estado se define pela "irresponsabilidade", defendendo que uma boa governação não poderia ter evitado a pandemia, mas teria "deixado o país em melhores condições".

PSD acusa Governo de "irresponsabilidade" na construção do documento
Notícias ao Minuto

18:51 - 27/10/20 por Lusa

Política OE2021

"O Governo quis fazer um orçamento 'vai ficar tudo bem', mas só à esquerda. Como já vimos nem aí está tudo bem, porque o Bloco de Esquerda resolveu, desta vez, não geringonçar. Tudo isto se define numa palavra: irresponsabilidade", criticou o vice-presidente da bancada do PSD, Afonso Oliveira, na intervenção de fundo do partido no debate parlamentar da proposta de Orçamento do Estado para 2021.

O deputado do PSD - partido que já anunciou o voto contra - considerou que o reconhecimento da excecionalidade criada pela pandemia de covid-19 "não pode conduzir à mistificação perigosa e paralisante de que antes estava tudo bem, que estava tudo controlado".

"Não podemos 'zerar' os cinco anos de governação socialista e apagar todas as suas deficiências e insuficiências, as suas opções erradas, a sua forma de realizar política avulso, sempre para o presente e nunca para o futuro", afirmou.

Para Afonso Oliveira, a economia é a grande ausente do orçamento, chegando a classificá-la como o 'Wally' do documento: "O Governo diz que ela está em todo o lado, só que ninguém a vê".

Num pedido de esclarecimento, o deputado do PS Porfírio Silva considerou que o posicionamento do PSD no debate é sintoma de uma "fadiga da responsabilidade", aludindo ao apoio dos sociais-democratas a muitas medidas do Governo na fase inicial da pandemia.

"Há agora uma cedência à velha estratégia e ao velho discurso de Passos Coelho, de que vivemos acima das nossas possibilidades", criticou, considerando que tal coloca "uma particular exigência de responsabilidade" à esquerda que se coloca ao lado do PSD no voto contra, numa referência ao BE.

Na resposta, Afonso Oliveira lamentou que o PS tenha recuperado "a narrativa criada pelo Governo de José Sócrates" e disse estar preocupado com a "fatura" que o Governo terá de pagar aos parceiros de esquerda para viabilizarem este orçamento, que ainda só tem aprovação garantida na generalidade.

Pela bancada do CDS-PP, a intervenção de fundo coube a João Gonçalves Pereira, que também acentuou a instabilidade no processo orçamental.

"Portugal entrará na presidência da União Europeia com uma governação presa por arames", afirmou, considerando negativos esses "sinais de instabilidade" num país muito dependente dos futuros fundos europeus.

"Quando há dinheiro, a esquerda rende-se, quando não há, a esquerda divide-se", acrescentou, referindo-se ao anunciado voto contra do BE na generalidade.

João Gonçalves Pereira apontou entre as medidas defendidas pelo CDS-PP a redução da Taxa Social única (TSU) para as empresas e o apoio a setores que estão encerrados ou paralisados.

"Senhor primeiro-ministro, na construção deste orçamento falou mais com o presidente do Conselho Económico e Social ou com a coordenadora do partido que já anunciou que votará contra?", questionou, numa referência à líder do BE, Catarina Martins.

O deputado único e presidente do Chega, André Ventura, considerou que a proposta de orçamento "deixa irrevogavelmente quase todos para trás", como os portugueses sem médico de família ou as forças de segurança, e também não esqueceu o voto contra do BE, a que se referiu como o fim de um "casamento artificial".

"Senhor primeiro-ministro, será capaz de tudo para manter este Governo: com deputados não inscritos ou inscritos, com grupos parlamentares à esquerda ou, se necessário com o Chega", afirmou, enquanto o primeiro-ministro, António Costa, dizia que não da bancada do Governo, uns membros abaixo do púlpito de onde discursava Ventura.

Na sua intervenção, a líder parlamentar do PAN, Inês Sousa Real, afirmou que este não é o orçamento que o partido apresentaria, mas disse que "não se demite da sua responsabilidade" de apresentar propostas para o melhorar.

"Este não é um momento para hesitações, nem para desperdiçar oportunidades. Por isso mesmo, mais do que nunca, o Orçamento de Estado para 2021 tem de ser um orçamento plural e que vá ao encontro dos desafios do nosso tempo", disse.

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