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"BE não quer crise política", mas não pode "enfiar cabeça na areia"

Um dia depois de ter anunciado o voto contra ao OE2021, Catarina Martins foi entrevistada por Miguel Sousa Tavares, na TVI.

"BE não quer crise política", mas não pode "enfiar cabeça na areia"

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, foi entrevistada esta segunda-feira por Miguel Sousa Tavares no seu espaço de opinião 'A Meu Ver', no Jornal das 8, da TVI.

Apesar de ter anunciado, este domingo, que o BE vai votar contra na generalidade a proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), Catarina Martins garantiu que o partido não quer fomentar uma crise política, apenas não pode "enfiar a cabeça na areia" perante um documento que "não é capaz de responder" às necessidades do país.

"Nós estamos a atravessar um período muito difícil, mas quando atravessamos um período muito difícil, o pior que podemos fazer é enfiar a cabeça na areia e não perguntarmos se as soluções que estamos a construir são soluções que nos servem ou não. Claro que o Bloco de Esquerda não quer nenhuma crise política. O primeiro-ministro já o disse e eu acompanho-o, que não é a aprovação do Orçamento que determina se há ou não uma crise política", sustentou a bloquista.

Contudo, salientou Catarina Martins "precisamos de ter um Orçamento que seja capaz de responder ao país" e, de acordo com a mesma, há duas questões "prementes" que têm de constar no OE2021, para que o BE aprove o documento.

Uma das questões que importa esclarecer, referiu a bloquista, é "se o SNS tem capacidade de responder não só à Covid, mas também às doenças não-Covid. Se há um Orçamento que dá condições ao SNS" e a outra é como é que o Executivo de António Costa pretende "apoiar quem perdeu tudo com a pandemia".

Porque, assegurou Catarina Martins, o que consta no OE "é que no próximo ano vai haver menos apoio social do que houve este ano e que os hospitais vão ter menos meios do que estiveram este ano".

Uma afirmação contrariada por Miguel Sousa Tavares. "Não é isso que está no Orçamento. Não é isso que o Governo diz. O que o Governo diz é que para o ano vai ter mais 1.200 milhões para a Saúde, o BE diz que vai ter menos 144 milhões. Alguém aqui fez mal as contas", atirou o escritor. Em resposta, Catarina Martins garantiu que usam "os números do próprio Governo, os números do próprio OE" e sublinhou que o chumbo do documento "não tem só a ver com dinheiro, tem sobretudo também a ver com as regras".

"Como é que nós garantimos que, face à disponibilidade financeira que existe, o dinheiro é gasto da melhor forma para defender as pessoas", esclareceu a líder do BE, dando o exemplo das condições oferecidas no SNS aos médicos.

"Só 30% dos estudantes de medicina ficam no SNS. Não estamos a conseguir compensar os médicos que saem e temos um problema grave de concursos que ficam cronicamente vazios. O Serviço Nacional de Saúde só tem 19 mil médicos", afiançou Catarina Martins.

Perante estes problemas, a coordenadora do partido propõe a exclusividade no SNS e o aumento das vagas de especialidade, para que os médicos não fiquem como indiferenciados e possam passar a organizar serviços. 

"O Bloco não se pode comprometer com um Orçamento que faz com que o SNS esteja mais frágil", justificou.

Já a finalizar a entrevista, Sousa Tavares questionou Catarina Martins sobre a TAP. A líder bloquista confirmou estar "muito preocupada" com a situação da companhia aérea e frisou que "é preciso um plano, é preciso ter visão para os transportes do país".

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