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Açores: Abstenção e perda de maioria marcam ida às urnas

As eleições nos Açores ficaram marcadas por uma elevada taxa de abstenção, pela perda da maioria absoluta pelo PS, que deixa tudo em aberto, segundo a investigadora Marina Costa Lobo, que salientou a ausência de António Costa na campanha.

Açores: Abstenção e perda de maioria marcam ida às urnas
Notícias ao Minuto

11:26 - 26/10/20 por Lusa

Política Açores

De acordo com a investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL), há várias ponderações a fazer para encontrar governabilidade nos Açores, após as eleições legislativas que se realizaram no domingo.

"Por um lado, temos a abstenção que foi a segunda mais elevada de sempre ao que parece, portanto, apesar de ter havido uma diminuição em relação às eleições anteriores continua elevada. Temos 55% de abstenção, o que é surpreendente, tendo em conta a oferta partidária que existe com partidos que já têm implantação a nível nacional e que não conseguem diminuir a abstenção", disse.

Segundo a especialista em Ciência Política, a maioria da população nos Açores com direito de voto não foi às urnas, marcando um certo desinteresse.

"Depois temos a perda da maioria absoluta do PS, que é significativa no sentido em que pode ter havido um desgaste na medida em que há um conjunto muito grande de mandatos. No entanto, gostava de assinalar um pequeno facto: António Costa foi o único líder partidário que não esteve em campanha, que não foi aos Açores. O primeiro-ministro não arranjou tempo para apoiar Vasco Cordeiro nesta batalha eleitoral", salientou.

No entendimento de Marina Costa Lobo, a ausência de António Costa não foi decisiva para o resultado, mas marcou o debate e um certo desinteresse.

"O PS não tem a maioria para formar governo, essa maioria pode estar à direita e aqui colocam-se questões sérias. Assistimos a uma fragmentação do eleitorado à esquerda e à direita e isso suscita questões importantes quer para o PSD como para os outros partidos", disse.

E acrescentou: "O PSD se entrar em coligações com partidos novos recém-chegados está a legitimá-los e a permitir a prazo que eles se consolidem o que até agora não aconteceu. Por outro lado, os pequenos partidos que se apresentam como antissistema, se na primeira ocasião fazem coligação com o PSD estão a negar essa própria condição da sua natureza de antissistema", explicou.

Para Marina Costa Lobo, os resultados eleitorais com a perda da maioria absoluta revelam ser um sinal dos tempos, da grande fragmentação dos partidos que se tem vindo a assistir.

"Esta fragmentação cria um contexto que coloca o ónus nas elites políticas para decidir onde traçam as linhas vermelhas, quem são os parceiros coligação aceitáveis e não aceitáveis e que portas querem abrir para a legitimação partidária de outros", frisou.

Dos resultados eleitorais, a investigadora do ICS-UL destacou também a perda pelo PCP do único deputado que tinha, deixando de estar representado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

"É um mau resultado para o PCP. Sistematicamente temos vindo a verificar desde que o PCP disse sim à geringonça. É o partido que mais tem sofrido nas urnas. Tem tentado de alguma forma manter-se na competição, mas tem perdido a sua especificidade", referiu.

Para a especialista em Ciência Política, é um sinal para todos os partidos mais pequenos de que há risco na saída do papel da oposição para partido que está disponível para pactos de governação.

"É uma derrota a somar às que já teve nas autárquicas de 2017, legislativa e europeias", concluiu.

O PS venceu as eleições legislativas regionais dos Açores de domingo, mas perdeu a maioria absoluta que tinha no parlamento da região desde 2000.

Os socialistas elegeram 25 deputados, menos cinco do que há quatro anos, e o PSD, o segundo partido mais votado, conseguiu 21 mandatos, mais dois do que em 2016.

O CDS-PP continua a ser o terceiro partido com maior representação no parlamento regional, mas perdeu um dos quatro mandatos conquistados há quatro anos.

O quarto partido mais votado foi o Chega, que pela primeira vez concorreu às legislativas regionais e elegeu dois deputados, o mesmo número de mandatos conseguidos pelo BE (mantendo o resultado de 2016).

O PPM duplicou a sua representação parlamentar e passa a ter dois deputados (um deles eleito em coligação com o CDS-PP).

As eleições dos Açores de domingo marcam ainda a entrada pela primeira vez no parlamento regional da Iniciativa Liberal (1) e do PAN (1).

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