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De máscara mas sem caneta, Olímpio votou pela 1ª. vez em tempos de Covid

Olímpio chega ao Salão Paroquial de São José, em Ponta Delgada, pouco depois das 10:00 para votar. À porta, um cartaz lembra o uso obrigatório de máscara. "Tudo correrá bem se cada um tomar as devidas precauções", afirma.

De máscara mas sem caneta, Olímpio votou pela 1ª. vez em tempos de Covid
Notícias ao Minuto

13:11 - 25/10/20 por Lusa

Política Açores

No percurso em L até chegar à sala onde foram instaladas as quatro mesas de voto da freguesia de São José, Olímpio Santos conversa com a Lusa sobre o primeiro ato eleitoral nos Açores, as legislativas regionais, e no país, em tempos de pandemia de covid-19.

"Nunca esteve em dúvida vir votar", afirma o homem, de 61 anos, de máscara colocada e enquanto avança mais um pouco na fila, sempre mantendo cerca de dois metros de distância para os eleitores que estão à sua frente e atrás.

Não levou caneta, apesar de ter sido recomendado, mas transporta consigo um frasco de álcool gel.

"Estamos conscientes do que se está a passar e tudo correrá bem se cada um tomar as devidas precauções", afirma. Mais à frente, coloca o pé direito no pedal de um dispensador de álcool gel, junto à entrada do edifício, e esfrega as mãos.

"Por favor, desinfete as mãos", lê-se na placa ali colocada.

Lá dentro, quatro mesas de voto, cada uma a um canto do salão. Os elementos das mesas usam todos máscaras ou viseiras e alguns também luvas, sobretudo os que recebem o cartão do cidadão de cada eleitor.

Na mesa onde Olímpio vai votar estão alinhadas cinco canetas brancas desinfetadas para que os eleitores possam usar. Chegou a sua vez. Olímpio não demora mais do que 15 segundos a exercer o seu direito de voto.

Depois, aproxima-se novamente da mesa, coloca a caneta no recipiente das "usadas" e introduz o seu voto na urna.

"Por ali, senhor", indica-lhe a presidente da mesa, quando Olímpio tentava sair pelo mesmo local por onde tinha entrado.

A pandemia de covid-19 obrigou a Junta de Freguesia de São José a mudar o local de voto. Noutros atos eleitorais, a votação era feita na sede da junta, mas hoje a opção foi por um local com "melhores condições", "mais amplo" e que permite ter "uma entrada e uma saída".

"As indicações estão todas expostas e as pessoas estão a cumprir", disse à Lusa o presidente da junta, Jorge Oliveira.

Todos os colaboradores da junta estão hoje a trabalhar. Uma das funcionárias tem como missão ir desinfetando regularmente os locais de voto, bem como as canetas usadas.

"Está a correr muito bem", acrescentou o autarca.

Lá fora, Ana Rita Pereira aguarda a sua vez, enquanto garante à Lusa que nunca pensou em não ir votar por causa da pandemia de covid-19. "Temos esse direito e temos de usufruir dele", diz a jovem, de 24 anos, já com o cartão do cidadão e uma caneta a postos nas mãos.

Luísa Viveiros também vai munida de caneta, dada a situação de pandemia: "Escuso de correr riscos. É mais seguro trazer [caneta]", explica.

No entanto, a mulher, de 56 anos, confessou à Lusa que pensou "nos riscos" de ir votar, mas acabou por pesar o "dever" de o fazer.

"Não gosto de falhar", afirmou.

As eleições legislativas dos Açores realizam-se hoje, com 228.999 eleitores inscritos para escolher os 57 deputados da Assembleia Legislativa Regional.

As urnas abriram às 08:00 locais e encerram às 19:00, 09:00 e 20:00 no continente, respetivamente.

Ao todo, são 13 as forças políticas que se candidatam ao hemiciclo regional: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP.

O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.

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