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Governo de coligação PSD/CDS na Madeira é "mais do mesmo" para a oposição

Os partidos da oposição madeirense (PS, JPP e PCP) consideram que a atuação do primeiro executivo de coligação PSD/CDS-PP, empossado há um ano, é, embora marcada pela pandemia, "mais do mesmo", "despesista" e "subjugada aos grandes interesses económicos".

Governo de coligação PSD/CDS na Madeira é "mais do mesmo" para a oposição
Notícias ao Minuto

09:43 - 15/10/20 por Lusa

Política Madeira

Em 15 de outubro de 2019 tomou posse o XIII Governo Regional da Madeira, o primeiro de coligação em 43 anos de democracia, tendo como parceiro o CDS, depois de o PSD ter perdido pela primeira vez, nas regionais de 22 de setembro, a maioria absoluta que sempre detivera no arquipélago.

Nesse ato eleitoral, o PSD/Madeira de Miguel Albuquerque, que está a cumprir o segundo mandato como chefe do executivo madeirense, elegeu 21 dos 47 deputados da Assembleia Legislativa, o que motivou um convite ao CDS-PP para formar um governo de coligação e garantir a maioria absoluta de 24 mandatos.

O parlamento da Madeira ficou ainda constituído por 19 deputados do PS, três do JPP e um do PCP.

Para o líder do PS/Madeira, o maior partido da oposição regional, "algo que se destaca é a região ter um governo que, apesar de coligação, é mais do mesmo" e "não governa para a população, mas para os aparelhos partidários". Como exemplo, apontou "as nomeações recorde que fez já e continua a fazer mesmo em período de quarentena".

Em declarações à agência Lusa, o também deputado regional Paulo Cafôfo vincou que "não há qualquer inovação, qualquer novidade no modo de fazer política", o que, na sua opinião, é evidente "com constantes ofensas aos deputados da oposição" no parlamento.

Paulo Cafôfo defendeu serem "precisas respostas imediatas" para a crise que a Madeira está a atravessar na sequência da pandemia da covid-19, considerando que os programas lançados pelo executivo liderado por Miguel Albuquerque "são claramente insuficientes e inadequados".

É necessária, indicou, "uma diversificação da base económica da Madeira, para tornar a economia mais resiliente e aproveitar o dinheiro" da União Europeia, evitando estar refém "do turismo, da construção civil e do setor público".

"A verdade é que temos é um presidente do Governo Regional que anda perdido no meio desta crise pandémica", opinou.

No seu entender, "a única novidade que trouxe a coligação governamental foi mais lugares para um partido": "De resto não vemos qualquer alteração da postura política, nem sequer das políticas implementadas ao longo de 40 anos pelo PSD".

Cafôfo disse que a entrada do vice-presidente Pedro Calado no atual executivo serviu "para continuar a alimentar os 'lobbies' que sempre existiram na região".

Quanto ao parceiro da coligação governamental, mencionou o socialista, "encaixou-se perfeitamente", esquecendo a sua postura no passado e sendo "mais papista do que o papa", devido aos interesses partidários. Aliás, acrescentou, o CDS-PP "defende, no parlamento regional, mais o governo do que o próprio PSD".

Por seu turno, o líder parlamentar do JPP, Élvio Sousa, reconheceu que no combate à pandemia o governo, "do ponto de vista da saúde esteve bem".

O partido indicou "o despesismo" e a incapacidade para combater as listas de espera na saúde como principais críticas à atuação do executivo insular, e mostrou-se expectante sobre a aprovação da proposta que apresentou para a criação de uma "comissão de acompanhamento dos fundos que vêm do Fundo de Resiliência, sobretudo, que serão mais 1.400 milhões seguramente".

Quanto ao deputado único do PCP, Ricardo Lume, enfatizou que este Governo Regional, apesar da novidade da coligação, "mantém a política de exploração, empobrecimento e de subjugação aos grandes interesses económicos e aos 'lobbies' dos amigos do regime".

Para o parlamentar, mesmo antes da pandemia, e apesar do crescimento económico, "na Madeira cresciam a pobreza e exclusão social e esta é uma marca que não se alterou com este novo governo".

Ricardo Lume censurou igualmente o incumprimento de promessas como a do complemento de reformas - que "apesar de estar inscrito no Orçamento Regional não se concretizou" - e a falta de estratégia para apoiar o setor primário.

"Achamos que este é um governo que tem feito muita propaganda, tem no âmbito da pandemia apresentado muitos programas, muitas linhas de crédito, mas, se formos ver os impactos dessas medidas, são basicamente nulas", salientou, referindo que "quem se está a aproveitar são os grandes grupos económicos", já que os pequenos empresários são excluídos devido à "excessiva burocracia e às medidas restritivas".

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