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Manuel Monteiro diz que embaixador dos EUA "toca na ferida" sobre a China

O antigo presidente do CDS-PP Manuel Monteiro enalteceu as declarações do embaixador dos Estados Unidos da América, considerando que "toca na ferida", e defendeu um debate sobre o papel da China enquanto parceiro estratégico de Portugal.

Manuel Monteiro diz que embaixador dos EUA "toca na ferida" sobre a China
Notícias ao Minuto

07:15 - 01/10/20 por Lusa

Política Relações

O antigo líder centrista comentava à agência Lusa as declarações proferidas pelo embaixador dos EUA, George Glass, em entrevista ao Expresso, publicada na edição de sábado, na qual considerou que "Portugal tem de escolher entre os aliados e os chineses".

"Quanto ao conteúdo, eu creio que, como português que sou, que tive responsabilidades políticas neste país, que o embaixador diz aquilo que eu gostaria que fosse discutido em Portugal", na "Assembleia da República e em todos os fóruns políticos possíveis e imaginários", afirmou.

Na ótica do militante democrata-cristão, "o embaixador dos Estados Unidos da América toca na ferida quando alerta para a necessidade de um país como Portugal e, nomeadamente, um país com a posição geográfica que ocupa, definir e discutir se quer continuar a entregar à China setores que são estratégicos da afirmação nacional e da afirmação nacional no plano internacional".

"Tenho imensa pena, como ex-presidente de um partido que sempre se bateu por estas matérias, que este assunto não esteja a ser debatido sob o ponto de vista político, e creio que mais do que estarmos apenas a criticar o embaixador dos EUA numa perspetiva de que ele se está a intrometer em assuntos que só dizem respeito aos portugueses, nós deveríamos ter a capacidade de fazer um debate político muito profundo e muito sério sobre se a China vai ou não ser o parceiro fundamental estratégico do país para os próximos tempos", propôs.

Manuel Monteiro considerou, porém, que a forma como George Glass o fez "não foi a mais feliz", pois fez "declarações públicas que a diplomacia aconselharia que fossem feitas em privado, em reuniões com os interlocutores do Estado português".

"Podemos condenar a forma, mas não podemos ignorar o conteúdo daquilo que o embaixador dos EUA, e muito bem, veio dizer", frisou, apesar de concordar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, que "não é nenhum embaixador que vem dizer aos portugueses aquilo que os portugueses devem fazer".

Mas questionou: "E sobre o conteúdo do que ele disse qual é a posição do Estado português?", lamentando que "ninguém debate isso".

O antigo dirigente notou que "é estranho" que a China, que "já ocupa setores estratégicos relevantíssimos como a REN e a EDP", possa "ser o futuro concessionário do Porto de Sines", infraestrutura que "é objetivamente um marco relevantíssimo para a afirmação económica e política de determinados países, e nomeadamente a China", um Estado que "quando intervém economicamente intervém também politicamente".

Manuel Monteiro, que já na década de 90 alertou para esta questão, advogou que este é um assunto "da maior relevância política para o futuro" e para a "definição da estratégia nacional".

Na entrevista ao Expresso, o embaixador norte-americano em Lisboa considerou que "Portugal acaba inevitavelmente por ser parte do campo de batalha na Europa entre os Estados Unidos e a China", e alega que esta potência "é uma nova China, com planos de longo prazo para acumular influência maligna através da economia, política ou outros meios".

Segundo George Glass, "nos últimos três anos" Portugal tem olhado para os EUA como "amigos" e "aliados" no domínio da segurança e defesa e para a República Popular da China como "parceira económica".

O embaixador dos EUA defendeu que "não se pode ter os dois" e que os portugueses "têm de fazer uma escolha agora" entre "trabalhar com os parceiros de segurança, os aliados, ou trabalhar com os parceiros económicos, os chineses".

"Quer dizer que, quando estamos a falar de infraestruturas críticas e necessidades de segurança nacional, não podem trabalhar com a China. Vimos isso com o início da implementação do 5G e o que isso significa para a segurança nacional e a forma como se trabalha com os aliados", acrescentou.

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