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OE2021. Governo "não se pode queixar de falta de empenho da direita"

O presidente do CDS-PP considerou hoje que o Governo "não se pode queixar de falta de empenho da direita" na construção do Orçamento do Estado, e recusou "especular uma crise artificial" entre os partidos da esquerda.

OE2021. Governo "não se pode queixar de falta de empenho da direita"
Notícias ao Minuto

18:39 - 30/09/20 por Lusa

Política OE2021

Em declarações aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, no final de uma reunião com o presidente do Fórum para a Competitividade, Francisco Rodrigues dos Santos foi questionado sobre os impasses em torno do Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2021) e as ameaças de crise política.

"O interlocutor que o Governo escolheu -- é importante que fique bem claro -- tem sido o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda, não foi o CDS, portanto não se pode queixar de falta de empenho da direita porque as propostas vão aparecer e se, de facto, existir este espírito construtivo, nós esperamos que o Governo as aceite e inclua no próximo Orçamento do Estado", defendeu.

Francisco Rodrigues dos Santos observou que "a direita não foi chamada a participar na construção deste orçamento do Estado" e que "António Costa entendeu manter os seus parceiros de dança de sempre e reiterou que "um orçamento cozinhado pela esquerda não pode ser servido pela direita".

"Parece que, quando um não quer, três não dançam. Mais do que estarmos a especular uma crise artificial sobre os pressupostos desse entendimento, é fundamental, na opinião de todos os parceiros económicos mas também da sociedade civil e daqueles que passam mais dificuldades, que se possa projetar um Orçamento do Estado que responda aos desafios que Portugal atravessa neste momento e em que se avizinha uma recessão económica e números de desemprego e de insolvências superiores aqueles que atravessamos por ocasião da crise das dívidas soberanas", sublinhou.

Na ótica do presidente democrata-cristão, "este orçamento não satisfaz e o prenúncio deste orçamento não é nada encorajador nem cria expectativas positivas nem esperança aos portugueses".

Francisco Rodrigues dos Santos indicou que "o CDS vai continuar a ter os seus contributos em sede parlamentar para este Orçamento do Estado", e disse esperar que "sejam acolhidas por parte do Governo".

"Nós colocamos o interesse nacional como bússola para a nossa orientação política", respondeu, lamentando que "infelizmente, muitas vezes interessa mais a proveniência das propostas do que propriamente o mérito das mesmas".

O presidente do CDS apontou que "as propostas do CDS numa primeira análise são chumbadas no parlamento" mas "depois são propostas pela esquerda e são aprovadas".

Rodrigues dos Santos adiantou que a abordagem do CDS para o OE2021, um dos temas da reunião com presidente do Fórum da Competitividade, estará sustentada em três eixos, o reforço do peso das exportações no PIB, através de "uma aposta na produtividade" e na "internacionalização das empresas", a melhoria do sistema de ensino técnico e profissional, "que não pode continuar a ser estigmatizado", e ainda o aumento da atratividade de Portugal "para a captação de investimento" e para os jovens.

Outras das preocupações dos democratas-cristãos passam pela proteção dos rendimentos das famílias, o apoio aos idosos, ajudar as empresas e a economia e um Estado forte.

As propostas concretas dos centristas vão ser apresentadas "de forma faseada e gradual" ao longo das "próximas semanas" e o líder adianta que serão "incisivas".

Questionado também sobre as eleições autárquicas do próximo ano, o presidente do CDS indicou que "estão a existir contactos informais" com o PSD que "aguardam maturação e um aprofundamento dessas mesmas auscultações para se começar a desenhar um possível entendimento onde se entender que ele pode ser mais benéfico e sirva os interesses de ambos os partidos".

Francisco Rodrigues dos Santos explicou que "neste momento a bola está do lado das estruturas locais" porque "é esta a arquitetura também de regulamento autárquico do CDS, em que a primeira fase do processo está a cargo das concelhias, depois das distritais e só depois cabe às direções nacionais dos partidos estabelecerem esses vasos comunicantes".

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