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Congresso/PCP: Do tabu de Jerónimo às lições sobre a Geringonça

O PCP entra na terceira e última fase da preparação do XXI congresso, numa altura em vão ser discutidas as Teses, divulgadas quinta-feira pelo Avante, os órgãos dirigentes e Jerónimo de Sousa admitiu continuar na liderança.

Congresso/PCP: Do tabu de Jerónimo às lições sobre a Geringonça
Notícias ao Minuto

09:00 - 27/09/20 por Lusa

Política Congresso

A escolha do líder comunista é uma das questões centrais do congresso dos comunistas portugueses, que tem Jerónimo de Sousa, 73 anos, como secretário-geral desde 2004, quando sucedeu há 16 anos a Carlos Carvalhas.

Outra, mais política, é sobre as ilações a retirar da experiência da Geringonça, o acordo entre os partidos de esquerda que serviu de base a quatros anos de governação do PS, em minoria, de 2015 a 2019, e quais os sinais quanto a eventuais entendimentos futuros.

O XXI congresso do PCP realiza-se em 27, 28 e 29 de novembro de 2020 no Pavilhão Paz e Amizade, em Loures, distrito de Lisboa, sob o lema 'Organizar, Lutar, Avançar - Democracia e Socialismo'.

+++ Novo líder ou Jerónimo de novo +++

Jerónimo de Sousa admitiu pela primeira vez não se recandidatar à liderança do partido porque "é da lei da vida", embora frisando não ir "calçar as pantufas" e que se manterá como militante comunista, numa entrevista à Lusa em março de 2019.

Nos meses seguintes não repetiu a afirmação e manteve a dúvida.

No início de setembro, durante uma visita à festa do Avante, Jerónimo manteve o mistério sobre a sua continuidade ou não à frente dos destinos do partido, recusando a ideia de "tabu".

"Tabu, não", respondeu, a rir, aos jornalistas referindo que "a vida tem a sua dinâmica".

Em 20 de setembro, Jerónimo de Sousa, 73 anos, secretário-geral há 16 anos, pôs, de novo, tudo em aberto.

Questionado sobre se quer continuar na liderança, aconselhou, com um sorriso, jornalistas e comentadores a fazerem uma tripla sobre o seu futuro: ficar, sair ou "ficar mais um bocadinho".

"Não antecipemos as coisas. O melhor é jogar de facto na tripla tendo em conta que existe essa dinâmica que está longe de ter terminado" quanto aos órgãos dirigentes do partido, afirmou, dizendo que o processo de escolha é "dinâmico" e "não está terminado".

"Mas deixemos os meus camaradas decidir", pediu, ao mesmo tempo que garantiu que a sua opinião iria ser tido em conta, apesar de não dizer o que pensa.

No sábado, o semanário Expresso noticiou a possibilidade de Jerónimo de Sousa continuar mais algum tempo na liderança, sendo criado um cargo de secretário-geral adjunto - em que o eurodeputado e candidato presidencial João Ferreira é uma das hipóteses -- a exemplo do que aconteceu com a transição de Álvaro Cunhal (1913-2005), líder histórico do PCP, para Carlos Carvalhas, em 1991 e 1992.

+++ Eleição de secretário-geral é feita em comité central e não em congresso +++

O secretário-geral do PCP é eleito pelo comité central, no XXI congresso nacional do partido, agendado para novembro, que, antes, elege o novo comité central em resultado do debate interno que será feito nos próximos meses.

Por norma, no segundo dia do congresso, o novo comité central reúne-se, à porta fechada, para eleger os órgãos dirigentes do partido, incluindo o secretário-geral. 

+++ Comité central pode ser mais pequeno e renovado +++

Numa reunião em julho, o comité central admitia que, "considerando a experiência do trabalho de direção, deverá manter as suas características nomeadamente, no que diz respeito às suas competências e dimensão, admitindo-se que este possa ter uma ligeira redução", lê-se na versão integral do comunicado.

Sem avançar com metas ou números concretos, as orientações de julho (não alteradas nesta fase) eram no sentido de se proceder a uma "natural renovação" do principal órgão entre congressos.

E mantém-se uma orientação, velha de décadas, de manter-se "uma ampla maioria de operários e empregados, com uma forte componente operária", devendo "integrar quadros do partido - funcionários e não funcionários - com responsabilidades no trabalho de direção, camaradas de empresas e locais de trabalho, dirigentes ou ativistas de organizações e movimentos de massas, que se destacam em várias áreas da vida nacional".

+++ Retirar ilações da "geringonça" +++

Em termos políticos, uma das questões relevantes da proposta de resolução política, também conhecida por Teses, a votar no congresso é sobre a experiência de entendimento parlamentar à esquerda com o PS, de 2015 a 2019.

Em março, ao lançar os tópicos para o debate nas estruturas, o comité central pedia para se um balanço, refletir sobre o significado e retirar ilações do entendimento parlamentar com o PS.

No projeto de teses, a conclusão é que o partido faz um balanço positivo embora "limitado" dos anos da "geringonça", um período que, embora complexo e "com contradições", não pode ser usado para "branquear a política e ação do PS", que é muito criticado ao longo do texto.

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