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"Há demasiado encosto do Presidente ao Governo e o contrário"

Ana Gomes garantiu que se encontra na corrida a Belém para vencer e comparou a sua candidatura à de Mário Soares, quando defrontou nas urnas Freitas do Amaral.

"Há demasiado encosto do Presidente ao Governo e o contrário"

Uma semana após ter anunciado a sua candidatura à Presidência da República, Ana Gomes defendeu, esta quarta-feira, que não existe, atualmente, separação suficiente entre o papel do Governo e do atual Presidente da República. 

Em declarações prestadas no programa Grande Entrevista da RTP3, a socialista sublinhou que, apesar de fazer um "balanço maioritariamente positivo" do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, "há demasiado encosto do presidente ao Governo e do Governo ao Presidente"

"Jamais teria tolerado com um sorriso embaraçado ou cúmplice que um primeiro-ministro lançasse a minha recandidatura à Presidência da República, naquele episódio da Autoeuropa", exemplificou Ana Gomes, argumentando que "é preciso distinguir qual é o papel do Presidente e o do Governo", distinção que "nos últimos meses os portugueses não têm visto"

"O Presidente tem de estar acima dos partidos, tem de apoiar o Governo para governar, mas também tem de ter um papel de exigência em relação à governação", acrescentou. 

Questionada sobre se entrou na corrida a Belém para participar no debate ou para chegar efetivamente a Chefe do Estado, Ana Gomes foi peremptória: "Venho pelos dois. Venho participar no debate, porque sem ele não faz sentido aquilo que é a eleição democrática do Presidente da República, e venho à procura de ser eleita Presidente da República, porque este país precisa de uma presidência diferente"

Sobre as sondagens que continuam a colocar Marcelo Rebelo de Sousa à frente com 60% a 70% das intenções de voto, a ex-eurodeputada desvalorizou as previsões. "As sondagens valem o que valem", denotando, contudo, que a mais recente é referente a uma análise anterior à apresentação da sua candidatura. Ainda sobre a questão, a antiga diplomata considerou que estes números são sinónimo de "esperança" na sua vitória porque a colocam para a segunda volta das eleições presidenciais "muito à frente do que foi a situação de partida de Mário Soares", quando enfrentou Freitas do Amaral, em 1986, e ganhou na segunda volta. 

Reafirmando acreditar na sua capacidade de vencer estas eleições e recordando que ainda tem uma "campanha pela frente", Ana Gomes denotou também que a História está do seu lado. Elogiando as "excelentes" presidências dos socialistas Mário Soares e Jorge Sampaio, a candidata atirou: "Quando houve unidade, fizemos a diferença". 

Ainda numa análise à Presidência, Ana Gomes afirmou que os portugueses sentem, no geral, de todas as instituições da República, que "há uma perversão, um lento correr do sentido do serviço público", que parece esquecer "as aspirações e necessidades dos portugueses, no sentido de serem identificadas as prioridades estratégicas que o país precisa para ter uma rota". 

Devido à pandemia, às alterações climáticas ou à era digital, a antiga eurodeputada defendeu ainda que é necessário "repensar as prioridades" e que, para tal, seria preciso o Presidente da República "convocar um grande debate nacional sobre essas necessidades". 

Ana Gomes apresentou na semana passada a sua candidatura à Presidência da República. A candidatura da socialista já recebeu o apoio de várias figuras do tecido político português, destacando-se o antigo líder parlamentar e ex-eurodeputado Francisco Assis e do líder da tendência minoritária na Comissão Política socialista, Daniel Adrião. Entretanto, a direção do Livre recomendou hoje aos seus membros e apoiantes que escolham a ex-eurodeputada como candidata a apoiar pelo partido nas eleições presidenciais. No entanto, esta é uma decisão que apenas será oficializada após consulta interna.

Na corrida a Belém já há oito pré-candidatos, designadamente, Marisa Matias, eurodeputada do BE; André Ventura, líder e deputado único do partido Chega;  Orlando Cruz, ex-militante do CDS; Tiago Mayan Gonçalves advogado e fundador da Iniciativa Liberal; Bruno Fialho, presidente do PDR, João Ferreira,  eurodeputado do PCP e Vitorino Silva (mais conhecido por Tino de Rans), líder do partido RIR. Marcelo Rebelo de Sousa só deverá apresentar a sua recandidatura em meados de novembro

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