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PS deve evitar "ilusão" da maioria absoluta ou aproximação ao PSD

O 'vice' da bancada socialista Porfírio Silva considera que o PS deve insistir nos acordos com as forças à sua esquerda, adverte contra a ilusão da maioria absoluta e rejeita uma "maioria de circunstância" com o PSD.

PS deve evitar "ilusão" da maioria absoluta ou aproximação ao PSD

Estas posições foram defendidas por Porfírio Silva, também membro do Secretariado Nacional do PS, num artigo que hoje publicou no seu blogue pessoal "maquinaespeculativa", intitulado "Não deixar o medo vencer a política".

Na véspera do início do debate parlamentar do Orçamento Suplementar para 2020, o dirigente socialista diz não acreditar "nas virtudes de um esquema em que quase todas as forças políticas assumem responsabilidades ao mesmo tempo, numa grande nebulosa indefinida".

"Acredito, por isso, que os socialistas não devem deixar de investir na maioria parlamentar, em larga medida informal, que deu estabilidade à anterior legislatura. Avalio que a maioria parlamentar que fez da legislatura anterior uma etapa política bem-sucedida não foi uma vida fácil para nenhum dos partidos que a compunham. Contudo, deu frutos. Creio que pode dar mais - e que é necessário que os dê", sustenta.

Porfírio Silva recusa depois que possam dar bons resultados "estratégias políticas orientadas discretamente" para o objetivo da maioria absoluta.

"Se se entende que a situação do país exige um Governo de maioria absoluta, isso deve ser claramente explicado à cidadania e claramente pedido ao eleitorado que vote em conformidade. Creio que o PS sabe bem que a sugestão da maioria absoluta nas anteriores eleições não lhe deu vantagem de espécie alguma - e estou convicto de que o país pode passar por esta crise dolorosíssima que apenas estamos a começar a viver sem precisar de uma maioria absoluta", advoga.

Para Porfírio Silva, o PS não deve por isso "embarcar nessa ilusão" e adverte que seria "absurdo que alguém se agarrasse a sondagens realizadas durante os dias do ambiente de estado de exceção para cimentar tal aspiração, porque isso seria não perceber a volatilidade dos estados de alma destes períodos".

Neste seu artigo, o dirigente socialista critica também um eventual caminho político de navegação à vista "à espera de que corra bem".

"É algo que não podemos arriscar face à imensidão da tarefa e do enorme sofrimento que esta crise tem o potencial para causar aos portugueses. Não faz sentido tentar absorver o PSD para uma maioria de circunstância, porque cabe a esse partido tratar de construir-se como alternativa. Não faz sentido ficar nas mãos de partidos que ainda discutem se têm ideologia ou não têm ideologia, porque nem sabemos o que isso quer dizer", argumenta.

O mais razoável para o PS, na perspetiva do vice-presidente da bancada socialista, é "tentar repetir nesta legislatura uma maioria plural das esquerdas portuguesas, que deu excelentes resultados na anterior legislatura (apesar de algumas insuficiências), a partir das bases já lançadas pelo Governo".

"Será fácil? Nunca. Será politicamente simples, dada a tentação permanente de explorar as dificuldades da crise contra o Governo do momento? Não será. Temos, precisamente porque não será fácil, a obrigação de tentar dar a maior solidez possível a uma legislatura onde temos pela frente desafios inesperados, a somar aos com que já contávamos", acrescenta.

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