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"O que se está a passar em Arroios mostra-nos algumas coisas"

A CDU considera que o despejo de um centro de apoio a carenciados em Lisboa revela a falta de resposta da autarquia e do próprio Executivo no que diz respeito a problemas sociais.

"O que se está a passar em Arroios mostra-nos algumas coisas"

A CDU reagiu, durante a noite desta segunda-feira, ao polémico despejo de um centro de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa - Seara, Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara - que acabou por ser emparedado.

"O que se está a passar em Arroios, com a Seara - Centro de Apoio Mútuo de Santa Bárbara, mostra-nos algumas coisas", começa por denotar o texto divulgado em nome da coligação de esquerda, formada pelo PCP e pelo Os Verdes, e partilhado pelo eurodeputado comunista João Ferreira, nas redes sociais. 

Em primeiro lugar, é apontado que a situação demonstra "a ausência de resposta a problemas sociais candentes" por parte do Governo e da Câmara Municipal de Lisboa, que deveria atuar "através do seu pelouro dos direitos sociais e não só". 

Perante a falta de uma ação, para os membros da CDU, o problema agrava-se "quando há quem decida tomar nas suas mãos essa resposta, tentando comunicar com quem a devia assegurar e não o faz, do outro lado só há silêncio".

"Mesmo em tempos de pandemia, para alguns, a comoção com a falta de condições de habitação, com a dureza da vida das pessoas em situação de sem-abrigo, com os possíveis impactos disto na saúde pública, rapidamente dão lugar à acérrima defesa do direito de um fundo imobiliário à sua propriedade privada [devoluta], que importa defender a todo o custo, mesmo que por meios ilegais", pode ler-se na nota em causa. 

Por fim, a coligação deixa ainda uma severa crítica à posição tomada por Manuel Grilo, vereador do Bloco de Esquerda da Câmara Municipal de Lisboa, responsável pelo pelouro dos Direitos Sociais, que também partilhou ontem um texto nas redes sociais, no qual refere que: "A Câmara, nomeadamente os pelouros com responsabilidade no licenciamento urbanístico, não respondeu aos seus e-mails e os proprietários só responderam agora, com uma milícia armada e com um empreiteiro para emparedar o prédio que nunca quiseram recuperar".

Para a CDU, o vereador "é tão exímio em sacudir a água do capote que é capaz de se criticar a ele próprio, mas assim de uma forma a ver se ninguém dá conta, como quem passa entre os pingos da chuva, com muita desfaçatez"

Do despejo com 10 seguranças privados aos confrontos com a polícia

O edifício que estava a ser utilizado como um centro de apoio a carenciados, em Arroios, Lisboa, e que foi alvo de um despejo na madrugada de ontem, foi emparedado, e esta terça-feira já ninguém pernoitou naquele local.

Tudo começou às 5h00 de segunda-feira quando cerca de uma dezena de seguranças privados entrou naquele centro de apoio a carenciados, para tentar despejar as pessoas que ali se encontravam, porque o espaço foi ocupado ilegalmente. Já de manhã, os responsáveis pelo centro chamaram a PSP, que se dirigiu ao local e montou cordão policial.

De seguida, algumas pessoas descobriram uma entrada lateral do edifício e forçaram a entrada para abrir as portas às restantes pessoas que aguardavam no exterior. Perante esta situação, a polícia tentou impedir que as pessoas entrassem no centro e, na sequência de desentendimentos entre a população e os agentes, três polícias ficaram feridos, assim como, pelo menos, duas pessoas. Todos assistidos no local.

A polícia acabou por se manter no local e três pessoas acabaram por ter permissão para pernoitar no centro de apoio depois de terem chegado a um entendimento com os proprietários do edifício. Contudo, em declarações à Lusa, um dos voluntários do Seara revelou que as três pessoas optaram por não o fazer pois teriam de dormir no interior do prédio sob supervisão "de oito seguranças". "Sentiram-se intimidadas", afirmou o voluntário Bernardo Valares. 

Pelas 23h30 de ontem, uma equipa acabou por "emparedar o edifício com tijolos".

A Lusa contactou também o gabinete do vereador Manuel Grilo, que garantiu que estão a ser feitos "contactos para resolver a situação" e encontrar "soluções definitivas" para estas pessoas, remetendo esclarecimento adicionais para hoje.

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