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Faz falta um "partido mais igualitário" em Portugal, aponta Joacine

Joacine Katar Moreira, deputada não inscrita, defendeu hoje que "faz falta" um partido mais igualitário em Portugal, que reflita não só a paridade de género como étnico racial, recusando contudo que um partido deva apenas ser focado nestas questões.

Faz falta um "partido mais igualitário" em Portugal, aponta Joacine

"Não advogo a criação de um partido específico focado nas questões anticoloniais e feministas porque estas questões, sendo transversais, não são as únicas que interessam às diversas minorias e às populações economicamente desfavorecidas", considerou a deputada não inscrita, em declarações à agência Lusa.

No entanto, Joacine defendeu que "faz falta [em Portugal] um partido mais igualitário e onde haja paridade, tanto de género quanto étnico-racial", vincando que a igualdade "não pode ser só uma palavra bonita".

Joacine Katar Moreira foi a primeira mulher negra a encabeçar uma lista de um partido a eleições legislativas e foi eleita em 2019, pelo Livre, partido que lhe retirou a confiança política, e mantém-se como deputada não inscrita desde fevereiro.

"A minha candidatura procurou colmatar a invisibilidade política de pessoas negras, foi assumidamente antirracista e feminista interseccional e, apesar da eleição, tudo o que se seguiu e que de certa forma permanece, põe em evidência a enorme dificuldade em aceitar a participação política de uma pessoa assim", sustentou a deputada, acrescentando que com a entrada de três mulheres negras na Assembleia da República, em 2019, a luta contra o racismo ganhou um novo "ângulo político-partidário".

Assim, Joacine considerou necessária a "prática diária de uma educação antirracista", que são precisas mais do que manifestações ou "programas de boas intenções" na luta contra o racismo e que os apoios e revolta globais se devem traduzir numa pressão internacional e local.

Katar Moreira entregou no parlamento um projeto de resolução que recomenda ao Governo a criação de uma campanha nacional antirracista veiculada pelos media e divulgada nas escolas, forças de segurança e instituições públicas, em colaboração com movimentos e associações antirracistas. O projeto, com outros do PS e do BE com intuito semelhante, foram aprovados na sexta-feira.

No contexto português, Joacine argumentou que "as tipologias raciais continuam a estruturar o senso comum e a compor hierarquias sociais, agora baseadas na nacionalidade e na cor da pele", alertando para as consequências "a todos os níveis" que o racismo tem na vida das pessoas e lembrando os casos de "violência policial" como o de uma cidadã negra, detida e agredida por um elemento da PSP, na Amadora, no início do ano.

A deputada sublinhou ainda que a luta contra o racismo tem uma longa história no país, sempre liderada pelo associativismo imigrante e afrodescendente, contudo, "são os sujeitos brancos quem têm tido o conhecimento institucional de combate ao racismo e isto é tanto irónico quanto sintomático sobre a relação de Portugal com os negros e a população pertencente às minorias étnico-raciais".

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