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Ventura deixa liderança do Chega e convoca convenção para setembro

O presidente do Chega, André Ventura, decidiu deixar a liderança do partido e marcou uma convenção nacional para setembro, onde será escolhido o novo líder, disse à Lusa fonte oficial desta força política.

Ventura deixa liderança do Chega e convoca convenção para setembro
Notícias ao Minuto

16:14 - 04/04/20 por Lusa

Política CHEGA

De acordo com a fonte, está marcada "para setembro" uma convenção nacional eletiva, na sequência da decisão do atual líder e deputado único.

"Ainda não me demiti, mas será feito para haver uma convenção eleitoral", disse à Lusa o presidente do Chega, remetendo mais pormenores para um vídeo que será divulgado hoje.

Questionado sobre os motivos por que decidiu demitir-se de líder partido, André Ventura afirmou apenas que "será tudo explicado no vídeo" para que "os militantes saibam primeiro".

A notícia foi avançada pelo jornal 'online' Observador, que cita fonte próxima de Ventura, e refere críticas ao facto de o deputado se ter abstido na votação da renovação do estado de emergência, visto que da primeira vez votou favoravelmente.

O Chega foi oficializado como partido pelo Tribunal Constitucional a 09 de abril do ano passado e André Ventura, o rosto do partido desde a sua fundação, foi eleito presidente da Direção Nacional na primeira convenção nacional, em junho.

Apesar de ser um defensor da declaração do estado de emergência para fazer face à pandemia de covid-19, e de no dia anterior ao debate parlamentar sobre o tema ter anunciado que iria votar favoravelmente a renovação, o deputado único absteve-se na votação que decorreu na quinta-feira na Assembleia da República.

Durante o debate que antecedeu a votação, André Ventura criticou a possibilidade de libertação de reclusos das prisões portuguesas, advogando que a medida pode "gerar o pandemónio" e levar a uma "crise de impunidade e de criminalidade".

"O que o Chega nunca vai aceitar e não poderá aceitar é a libertação de presos das nossas cadeias, por muito que nos digam que são medidas pedidas pela ONU [Organização das Nações Unidas], medidas de humanidade", vincou na altura.

No mesmo dia, numa declaração aos jornalistas, o líder do Chega apontou que "esta foi uma das votações mais difíceis" em que participou.

"Tendo a noção de que o Chega foi o primeiro partido a solicitar o estado de emergência e, tendo também a noção de que a grande maioria dos militantes, dos dirigentes, dos apoiantes do Chega quis e quer a manutenção do estado de emergência, há diferenças entre este decreto [presidencial] que chegou à Assembleia da República e o decreto anterior, uma vez que este expressamente abre a porta à libertação dos reclusos", assinalou.

Apontando ter noção de que o seu sentido voto "não é pacífico" e "é controverso" dentro do partido e "talvez seja incompreendido por um largo setor da sociedade portuguesa", o deputado disse que "não se sentia bem" com a sua consciência se votasse favoravelmente um estado de emergência que previsse a libertação de "todo o tipo de presos".

"Não podemos viabilizar um decreto destes sem saber exatamente o que é que vai acontecer e foi por essa razão, única e exclusiva, que o Chega decidiu hoje não votar favoravelmente o estado de emergência", justificou ainda na quinta-feira.

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