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CDS não deve radicalizar ou entrar no "campeonato dos pequeninos"

O candidato a presidente do CDS-PP João Almeida avisa que o partido não pode "ceder à tentação" de radicalizar o discurso nem entrar no "campeonato dos pequeninos".

CDS não deve radicalizar ou entrar no "campeonato dos pequeninos"
Notícias ao Minuto

09:05 - 24/01/20 por Lusa

Política CDS

"Pode haver a tentação, e se se ceder à tentação está-se a fazer um erro", afirmou, em entrevista à agência Lusa, o deputado centrista João Almeida, um dos cinco candidatos à liderança do partido no 28.º Congresso nacional, agendado para 25 e 26 de janeiro, em Aveiro.

O antigo secretário de Estado da Administração Interna entende que o partido "tem que ter serenidade, defender aquilo que sempre defendeu, o posicionamento da tal direita democrática e popular, os seus valores de sempre assentes em três pilares": "a liberdade, a prosperidade e a solidariedade".

Se o Chega pode ou não ser uma pedra no sapato na estratégia futura do CDS é algo que o deputado centrista recusa e desvaloriza, assim como avisa para o erro que seria os centristas radicalizarem o discurso.

"Pode haver a tentação, e se se ceder à tentação está a fazer-se um erro", disse.

Olhando para o futuro e para o objetivo de liderar o partido, João Almeida traça uma linha diferenciadora, a experiência.

"O que acho que vale para esta candidatura, e que é importante, tem a ver com a experiência, com o facto de eu propor muitas coisas que já propus no passado - apresentei moções em todos os ciclos de liderança - de propor agora coisas que já propus no passado, e muitas coisas que também já fiz noutras funções dentro e fora do partido. E, portanto, aquilo que me proponho fazer tem garantias de que é exequível e de que pode efetivamente ter resultados para o partido", disse.

O facto de ser deputado - único candidato a sê-lo - "não é requisito, mas mal não faz, com certeza".

"A possibilidade de um líder partidário confrontar o primeiro-ministro com aquilo que são as suas ideias e com aquele que é o posicionamento do partido obviamente que é relevante", acrescentou.

Para o deputado e porta-voz centrista, o parlamento é um dos palcos que o CDS precisa para mostrar "ser ele próprio sem hesitações e com enorme convicção".

O CDS "é um partido da direita democrática e popular", tem de "ser de toda a direita e um partido próximo das pessoas, tem que ter uma linguagem simples, ter ideias claras e ser capaz de as transmitir", argumentou.

Questionado sobre bandeiras do CDS para o futuro, João Almeida escolhe duas: a segurança, que é um regresso às "causas de sempre" do partido, e o combate à corrupção.

Apesar de ter-se interiorizado a ideia de que, "dizendo as estatísticas que Portugal é um dos países mais seguros da Europa - o que é verdade -, isso faz com que não se deva falar de segurança" e apontar a falta de meios das forças policiais, "num período de maior disponibilidade orçamental".

"O sentimento e a perceção de segurança são tão importantes como a segurança efetiva, e o Estado tem de ter essa responsabilidade. Porque as pessoas se se sentirem sobressaltadas, se tiverem medo, não vivem tranquilas e o Estado tem de assegurar isso do ponto de vista da ordem pública", argumentou.

Uma segunda prioridade "essencial" é "o combate à corrupção".

João Almeida não defende a "delação premiada", mas sim "o aprofundamento do estatuto do arrependido" porque "na corrupção, para conseguir fazer prova, é essencial quebrar o elo de ligação entre corrompido e corruptor, e o estatuto do arrependido - que não prevê perdões de penas prevê ponderação do facto de o agente ter cooperado com a justiça na aplicação da pena - é fundamental para que os crimes de corrupção sejam combatidos com eficácia".

Além disso, quer ainda o "fim dos megaprocessos", dado que os mais mediáticos "acumulam uma série de pequenos processos", mais simples", mas que "só é decidido quando é decidido o processo mais complexo".

"Isso gera na sociedade um sentimento de impunidade daqueles que estão envolvidos nos crimes ou nos processos mais mediatizados", alertou.

Olhando para trás, ao período da liderança de Assunção Cristas, de 2015 até 2019, aponta "erros sucessivos", entre eles a forma como a bancada votou, ao lado da esquerda, pela contagem do tempo na carreira dos professores, o que levou à ameaça de demissão por parte do primeiro-ministro, António Costa.

Os eleitores, alertou, estão preparados para, "numa matéria ou outra", que o partido possa "votar de forma inesperada", mas é diferente "votar num sentido em que ninguém previa que votasse, e isso aconteceu ao CDS em ano eleitoral, concretamente na questão dos professores".

Além de outras situações em que a bancada se dividiu, havendo casos em que "a presidente do partido não votava sequer com a maioria da bancada, votava com a minoria", o que gerou "dúvida nos eleitores".

Os candidatos à liderança do CDS são Abel Matos Santos, João Almeida, Filipe Lobo d'Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e Carlos Meira.

O 28.º Congresso nacional, marcado para 25 e 26 de janeiro em Aveiro, vai eleger o sucessor de Assunção Cristas na liderança dos centristas, que decidiu deixar o cargo na sequência dos maus resultados nas legislativas de outubro de 2019 -- 4,2% e cinco deputados.

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