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"Houve excesso de confiança dos adversários, subestimaram Rui Rio"

Marques Mendes comentou as eleições diretas do PSD que decorreram este sábado.

"Houve excesso de confiança dos adversários, subestimaram Rui Rio"

Luís Marques Mendes fez uso do seu espaço de comentário semanal para falar sobre as eleições diretas do PSD, do qual Rui Rio saiu vencedor na segunda volta contra Luís Montenegro.

"É uma vitória clara do ponto de vista aritmético e ainda mais clara do ponto de vista político, que é o que conta", começa por dizer, explicando que  "Rui Rio disputou as eleições internas no pior momento da sua liderança, a seguir a duas pesadas derrotas eleitorais -  nas europeias primeiro e nas legistivas a seguir".

Para o social-democrata, Rio "corria o seríssimo risco de perder", recordando que "Manuela Ferreira Leite ou Pedro Santana Lopes tiveram resultados menos maus nas eleições do Rui Rio teve agora e todavia abandonaram a liderança".

"Rui Rio não só não abandonou como ganhou, portanto tem mérito indiscutível nesta vitória, por isso é que digo que politicamente tem mais significado do que no plano aritmético", referiu.

Para o antigo líder do PSD, há três méritos de Rui Rio e da sua candidatura: "Por um lado suplanta-se nos momentos em que está acossado, quando está sob pressão, ou seja, é melhor em momento de tensão do que em momentos de acalmia. Depois acho que foi muito hábil a gerir politicamente o discurso desta campanha, sobretudo tentando desviar as atenções - e em certa medida conseguiu - daquilo que era o seu maior calcanhar de Aquiles, as derrotas eleitorais. O único debate televisivo que houve falou-se mais de maçonaria do que das derrotas nas eleições europeias e legislativas".

"E, finalmente, teve também o mérito de ter sido muito profissional a controlar o aparelho [partidário], porque estas eleições provam que o aparelho conta imenso e aí teve sobretudo em Salvador Malheiro, o seu vice-presidente, uma espécie de anjo da guarda a quem pode agradecer para a eternidade", elencou ainda.

Questionado sobre os opositores de Rui Rio, Marques Mendes deu conta de que tanto Luís Montenegro como Miguel Pinto Luz "tiveram campanhas dignas" e que "Luís Montenegro não deixa de ter um resultado importante". "Mas acho que tiveram algumas falhas sérias, sobretudo a candidatura de Luís Montenegro. Primeiro acho que houve excesso de confiança da parte dos adversários, subestimaram Rui Rio. Em segundo lugar, julgo que tiveram uma grande desorganização, foram muito amadores, sobretudo a candidatura de Luís Montenegro".

O social-democrata ressalva ainda que "em terceiro lugar", naquela que considera ser "a parte mais importante", os adversários de Rio "politizaram muito pouco a campanha". "Houve pouca iniciativa politica, houve pouco combate político, houve poucas causas políticas, muitos casos, mas isso mobiliza ninguém. Uma campanha para substituir um líder precisa de uma grande mobilização e uma grande mudança e acho que faltou uma forte motivação política", enfatizou.

"Nesta última semana, que foi a semana final da segunda volta, quase não houve mensagens políticas, quase não houve dramatização política, portanto há mérito de Rui Rio por um lado e há demérito dos adversários por outro", vincou.

"Rio não vai fazer um mandato, vai fazer dois"

Questionado sobre como antevê o futuro do PSD com Rio na liderança, Marques Mendes, refere que "Rui Rio não vai fazer um mandato, vai fazer dois". "Uma das grandes novidades da eleição de ontem é que Rui Rio não vai estar dois anos na liderança do PSD, vai estar quatro, acho que vai estar até às próximas eleições legislativas e vai ser o candidato do PSD a primeiro-ministro", declarou, justificando que "não vai ter oposição interna" e que "vai moldar o partido à sua imagem e semelhança".

"O maior teste que ele tem neste percurso são as eleições autárquicas - daqui a um ano - mas também aí não é um grande problema para Rui Rio porque em 2017 as autárquicas correram tão mal ao PSD que mesmo não tendo um resultado brilhante qualquer melhoriazinha já é uma vitória. Além disso, a partir de agora o Governo está em curva descendente - quanto mais no poder mais desgaste, mais erosão -  e isso beneficia quem está na oposição", analisou.

E, "por essas razões", acrescentou ainda o comentador, "daqui a dois anos vai recandidatar-se naturalmente e acho que não vai ter nenhum adversário de peso, que lhe possa ser realmente uma alternativa e disputar-lhe o lugar, vai ter uma reeleição tranquila".

Na sua visão do futuro do PSD e da liderança de Rui Rio, Marques Mendes antevê que "naquilo que não depende de Rui Rio vai ter melhores condições que teve até agora - menos oposição, menos guerrilha interna, facilidade nas autárquicas e no combate ao Governo". "Mas a grande questão é saber o que é que ele [Rui Rio] vai conseguir em termos de resultados, daquilo que depende dele. Desde logo, subir nas sondagens, evitar um crescimento do Chega e do Iniciativa Liberal, criar uma alternativa credível na área do centro e do centro-direita e ganhar o país, esses é que são os grandes desafios", rematou.

Recorde-se que Rui Rio foi este sábado reeleito presidente do PSD ao vencer a segunda volta (inédita) das diretas por 53% dos votos. Luís Montenegro, antigo líder da bancada parlamentar, obteve 47% dos votos. No discurso de vitória, o antigo autarca do Porto afirmou que, quanto a si, cabem todos no PSD desde que com lealdade e seriedade, prometendo trabalhar para a unidade do partido. Montenegro, por seu turno, afirmou que vai voltar à condição de militante base e garantiu que esta derrota não significa a sua morte política. 

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