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"Quiseram humilhar-me quando entrei na prisão", desabafa Isaltino Morais

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras esteve na manhã desta quarta-feira no 'Programa da Cristina', onde falou sobre os anos em que esteve preso.

"Quiseram humilhar-me quando entrei na prisão", desabafa Isaltino Morais

Cristina Ferreira voltou esta quarta-feira a receber no seu programa das manhãs da SIC um convidado ligado à política portuguesa. A apresentadora recebeu a visita do presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais.

Cristina conseguiu que o autarca falasse pela primeira vez em televisão da altura em que esteve preso pelo crime de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Isaltino recordou o dia 24 de abril de 2013, data em que foi preso à porta da Câmara de Oeiras e a fase difícil que se seguiu.

“Há pessoas que quando têm uma privação na vida entram em depressão, a mim fez-me bem. A mim todas as provações me fazem bem”, começou por realçar, admitindo que para ultrapassar o tempo passado no Estabelecimento Prisional da Carregueira, onde esteve até junho de 2014, precisou de “ter muita força e fé”. Foram as leituras religiosas que lhe deram "crença, força e enriquecimento espiritual”.

"Os políticos em Portugal não querem saber do que se passa nas prisões"Sobre as prisões portuguesas, lamentou que estas sejam sinónimo de outros direitos como a “privação de ler, de falar com a família, de ter direito a advogados”, e não apenas a privação de liberdade.

“Ao contrário daquilo que se dizia cá fora, eu estive numa cela com quatro reclusos. Seis meses depois de estar preso, quiseram colocar-me numa cela individual, não aceitei. Não aceitei porque me quiseram humilhar quando eu entrei”, afirma, garantindo que na prisão encontrou "amizades verdadeiras" e que ainda hoje visita muitos dos amigos que lá encontrou.

“Quiseram humilhar-me quando entrei na prisão. Quem me respeitou mais lá foram os presos. Os presos respeitaram-me, senti que os presos tinham um respeito enorme por mim”

À apresentadora Cristina, Isaltino admitiu que uma das coisas que mais lhe custou foi ver “a revolta” do filho, de 10 anos, mas garante ter contado sempre com o apoio da família. “Nunca senti vergonha nos olhos da minha família, senti sempre uma grande compreensão. Até porque eles sabem o nível de vida que lhes dou e sabem que nunca beneficiaram de nada por eu ser presidente de câmara”.

Sobre a fotografia que lhe tiraram à saída da prisão e que o mostra bastante mais magro, de semblante carregado e saco preto na mão, Isaltino afirmou: Aquele é "o autêntico Isaltino". “Podia não ter saído com o saco preto na mão, mas o saco era aquele que traziam todos os presos, eu quis sair exatamente como saíram todos os presos”, completou.

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