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Aprovado voto de pesar pela morte de José Mário Branco com aplausos de pé

O parlamento aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de José Mário Branco, homenageando o músico e combatente contra a ditadura com aplausos de pé por parte de praticamente todo o hemiciclo.

Aprovado voto de pesar pela morte de José Mário Branco com aplausos de pé
Notícias ao Minuto

14:28 - 22/11/19 por Lusa

Política Parlamento

"José Mário Branco deixa ao país um legado musical precioso, assim como um exemplo de inconformismo, rebeldia e coerência, que ajudaram também a construir a nossa democracia", lê-se no voto de pesar, que foi apresentado pelo presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

Após a leitura e aprovação do voto, deputados de todas as bancadas levantaram-se para aplaudir o artista, exceto alguns do CDS-PP, que permaneceram sentados.

Com este voto de pesar, lido com os dois filhos e dois netos do músico presentes nas galerias, a Assembleia da República manifestou "profunda tristeza" pela morte de José Mário Branco, aos 77 anos, conhecida na manhã de terça-feira, e prestou "homenagem ao artista, cantor e compositor, que foi também um lutador político antifascista e combatente contra as opressões e as desigualdades".

No texto apresentado por Ferro Rodrigues, José Mário Branco é descrito como "um dos maiores nomes da canção portuguesa, num percurso que começou muito antes do 25 de Abril e que durou até aos dias de hoje" e um "músico muito para lá do rótulo da 'canção de intervenção'".

"Trabalhou com gente de todas as gerações, compôs, produziu, apoiou, ensinou e influenciou gente de tantas proveniências musicais. A intervenção artística de José Mário Branco não se ficou pela música, tendo também dedicado a sua mestria ao cinema e ao teatro. Marcou sempre pelo rigor, pela exigência estética e pela radicalidade do seu compromisso ético", refere-se no documento.

Nascido no Porto, em 25 de maio de 1942, José Mário Branco é considerado um dos mais importantes autores e renovadores da música portuguesa, com discos gravados desde antes do 25 de Abril de 1974, quando estava exilado em França, onde chegou em 1963, por se recusar a participar na guerra colonial. Em Paris, colaborou com músicos como Sérgio Godinho e José Afonso.

O seu trabalho estende-se também ao cinema e ao teatro. Regressado a Portugal, após a Revolução dos Cravos, foi fundador do Grupo de Ação Cultural (GAC), fez parte da companhia de teatro A Comuna, fundou o Teatro do Mundo, a União Portuguesa de Artistas e Variedades e fez arranjos e produziu discos de outros artistas, como Camané e Amélia Muge.

No início dos anos 60, militou no PCP e foi preso pela PIDE, antes do exílio em França. Depois do 25 de Abril, o seu ativismo passou pelo PCP(R) e pela UDP, da qual foi fundador, o que é destacado no voto de pesar hoje aprovado, que menciona que foi "eleito membro do seu Conselho Nacional em 1980" e que mais tarde "apoiou a criação do Bloco de Esquerda, em 1999, do qual foi dirigente, integrando a Mesa Nacional".

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