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Governo diz que "fala grosso" na Europa mas "voz é quase inaudível"

O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro afirmou hoje, em Bruxelas, que o Governo socialista "gosta de dizer em Portugal que fala grosso na Europa", mas considerou a sua voz "quase inaudível" na defesa dos interesses nacionais.

Governo diz que "fala grosso" na Europa mas "voz é quase inaudível"

Numa conferência de imprensa na capital da União Europeia, a convite da secção do PSD em Bruxelas, Montenegro voltou também a salientar as suas diferenças relativamente ao atual presidente dos sociais-democratas, criticando o que considera ser a atual 'colagem' do seu partido ao PS também em questões europeias.

A esse propósito, Montenegro mostrou-se "um bocadinho surpreendido" com a intervenção de Rui Rio, hoje, em Zagreb, no congresso do Partido Popular Europeu (PPE), ao salientar o número de mandatos conjunto de socialistas e sociais-democratas na Assembleia da República.

Começando por centrar as suas críticas no executivo socialista liderado por António Costa, o ex-líder parlamentar do PSD considerou que "este Governo do PS é também um governo que, do ponto de vista europeu, diz que fala muito grosso, diz que fala muito alto, mas obtém muito poucos resultados".

"Gosta de dizer em Portugal que fala grosso na Europa, mas depois aqui a voz é quase inaudível", defendeu, sustentando que, ao contrário do que fez o executivo PSD/CDS na negociação do anterior orçamento plurianual da UE (2014-2019), o executivo de António Costa está a ser incapaz de inverter o cenário de cortes nos fundos previsto para o quadro financeiro para 2021-2027.

"Nós vivemos hoje na Europa uma situação complexa, todos o sabemos. Os desafios são muito grandes, o projeto europeu atravessa um período de grande dificuldade, com a saída do Reino Unido, que nunca mais se define, com os problemas atinentes aos fluxos migratórios, com as desigualdades entre Estados que, muitas vezes, em vez de estarem a atenuar e a diminuir, estão a aumentar e a crescer, e com governos, como é o caso do Governo português, sem capacidade de inverter a perda de solidariedade, que está plasmada por exemplo quando olhamos para o próximo quadro financeiro plurianual, e quando assistimos à diminuição dos fundos, quer dos fundos de coesão, quer dos fundos agrícolas, e vemos uma incapacidade, uma passividade mesmo, do governo português em poder inverter essa situação", declarou.

Montenegro lembrou então que, "quando se discutiu o quadro que está hoje em vigor, sob liderança do Governo português (liderado por Pedro Passos Coelho), foi criado o chamado grupo dos amigos da coesão, que foi um grupo constituído pelos países que eram mais afetados, que era liderado por Portugal e pela Polónia na altura, para, na negociação com a Comissão Europeia, primeiro, e depois também com o Conselho e o Parlamento, poderem ficar bem vincadas as vantagens, do ponto de vista da construção europeia, do volume de investimento que está ligado a estes instrumentos de financiamento".

"Infelizmente, hoje o Governo português não tem a mesma posição, e, como disse há pouco, gosta de dizer em Portugal que fala grosso na Europa mas depois aqui a voz é quase inaudível", acusou.

Para Montenegro, "é necessário que um país como Portugal tenha uma grande capacidade de poder fundamentar as suas posições e de poder liderar os grandes debates que se colocam na UE", até porque "a importância dos Estados-membros na UE não se pode medir apenas e só pela população dos respetivos países ou pela dimensão das respetivas economias".

"O que nós precisamos de ter é uma voz muito mais ativa, a alertar os decisores europeus para questões que são hoje fundamentais no dia-a-dia das populações europeias (...). Nós em Portugal gostamos de estar na primeira linha, no pelotão da frente da Europa, e há muitos anos que não estamos no pelotão da frente", sustentou.

"Infelizmente, este Governo está também a perder essas oportunidades, e o que eu acho é que é preciso ter capacidade de liderança", tal como teve na negociação do anterior quadro financeiro plurianual, quando foi "à procura de aliados na UE" que pudessem robustecer a posição negocial portuguesa com as instâncias europeias, acrescentou.

Questionado sobre o posicionamento em matérias europeias do atual presidente do PSD e seu adversário na corrida à liderança do partido, Luís Montenegro criticou a intervenção de hoje de Rio em Zagreb, quando este sublinhou a estabilidade política em Portugal, afirmando que os dois principais partidos, PS e PSD, têm agora juntos 81% dos deputados à Assembleia da República.

"Eu fiquei um bocadinho surpreendido hoje com uma declaração do presidente do PSD, no fundo a tranquilizar os nossos parceiros no PPE, dizendo que a representação parlamentar do PSD e do PS na Assembleia da República até tinha crescido nas últimas eleições", observou.

Para Montenegro, "isto diz bem do posicionamento político" de Rui Rio, "o posicionamento político de juntar ao PSD e aos mandatos do PSD os deputados do PS".

"Ora, o meu posicionamento é diferente. Eu, a mim, preocupa-me não é que o PSD e PS juntos tenham mais deputados. A mim, o que me preocupa é que o PSD tenha hoje menos 10 deputados do que tinha na última legislatura, e que o PSD e o CDS tenham hoje menos 23 deputados do que tiveram na última legislatura, e que o PS tenha mais 22. Ou seja, que nós tenhamos perdido nestas últimas eleições legislativas 22 mandatos diretamente para o PS, e o 23º, admito, para um dos partidos que anda à volta do PSD e do CDS", afirmou.

"Eu não estou preocupado no número de mandatos que quero ter em conjunto com o PS. Eu estou preocupado em primeiro lugar nos mandatos do PSD, e em segundo lugar nos mandatos que o PSD pode ter acrescentados àqueles que são os dos partidos com os quais nós ao podemos governar Portugal. E o PS não é com certeza, porque o PS não quer reformar coisa nenhuma em Portugal", concluiu.

A seguir à conferência de imprensa, Luís Montenegro tem um jantar com militantes do PSD em Bruxelas, tendo a secção do partido na capital belga esclarecido que convidou também os dois outros candidatos às eleições diretas de 11 de janeiro próximo, Rui Rio e Miguel Pinto Luz, aguardando ainda confirmação da sua presença.

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