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Quotas. Concelhia critica "via verde" para militantes alinhados com Rio

Presidente da Concelhia do PSD de Coimbra acusa a direção do partido de "incoerência profunda" entre o 'banho de ética' e a seriedade que apregoa e a prática política.

Quotas. Concelhia critica "via verde" para militantes alinhados com Rio

O líder do PSD tem-se mostrado firme na questão das quotas no partido. Ainda esta quarta-feira afirmou aos jornalistas que se recusa alterar as regras do pagamento por quotas para "facilitar vigarices".

Vigarice, aliás, foi novamente a palavra escolhida, esta quinta-feira, por Rui Rio para se referir à disputa interna, esperando uma campanha "com respeito mútuo e sem vigarices".

A Concelhia de Coimbra, contudo, diz estranhar que haja uma "incoerência profunda entre aquilo que é anunciado como uma maior exigência, maior seriedade e até combate à fraude no pagamento de quotas e na organização interna do partido" e depois a prática.

Quem o diz é o presidente da estrutura local, Nuno Freitas que pede "isenção e independência dos serviços de apoio aos militantes de todo o país" no processo, sobretudo numa altura em que se avizinha a disputa nacional da liderança.

[Com novas regras] estamos a complicar imenso a vida de todos aqueles que querem participar livremente na eleições internas e nessa discussão estratégica do partido"Há uma incoerência entre aquilo que é propalado nos telejornais de maior seriedade e depois a prática onde vemos o envolvimento direto de meios do PSD a nível nacional e de pessoas em vias verdes aplicadas aos militantes que, de alguma forma, condicionam o pagamento de quotas", acusa o social-democrata em declarações ao Notícias ao Minuto, considerando que o PSD, neste momento, "inviabiliza que os seus militantes e simpatizantes devidamente inscritos possam votar sem ser através do pagamento da quota".

"Essa medida de fundo nós também contestamos, aqui em Coimbra, como em muitos sítios do país, porque de facto há uma subversão de uma participação mais viva, mais aberta, mais plural do próprio partido que não deveria estar minimamente condicionada pelo pagamento de quota", defende ainda, resumindo: "Infelizmente há imensas desculpas formais do partido, mas objetivamente o que estão a fazer é a limitar a participação livre dos militantes nas escolhas democráticas que têm de fazer".

Para Nuno Freitas, com as atuais regras de pagamento de quotas "estamos a complicar imenso a vida de todos aqueles que querem participar livremente na eleições internas e nessa discussão estratégica do partido".

Trata-se de um processo "burocrático, altamente 'kafkiano', de montagem de elementos sucessivos de prova, desde o número de telemóvel, à morada, ao nome, à fatura do gás", que provoca um "desgaste enorme nos militantes". "Muitos deles não têm tempo para andar a tratar de tanta papelada para conseguir simplesmente pagar uma quota", afirma.

Serviço especial de ajuda ao pagamento de quotas em Coimbra?

Paralelamente, as eleições regulares da estrutura local de Coimbra acontecem no dia 15 deste mês, facto que está a fazer crispar o descontentamento de alguns militantes do partido em relação às regras relacionadas com as quotas. São candidatos, além de Carlos Miguel Lopes, João Paulo Barbosa de Melo, docente da Faculdade de Economia de Coimbra, que presidiu à Câmara da cidade entre dezembro de 2010 e outubro de 2013.

"Aquilo que vimos foi um alinhamento político, diretamente vindo da direção nacional, com um envolvimento direto, aliás, do próprio presidente do partido, da sua direção e de uma linha política protagonizada por Barbosa de Melo, com mensagens a todos os militantes por SMS, por WatsApp, dizendo que tinham um serviço especial de ajuda ao pagamento de quotas com ligação direta à sede nacional, com e-mail que remete diretamente para o site nacional do PSD, onde só aparece um dos candidatos [à liderança da Concelhia de Coimbra]", queixa-se Nuno Freitas que decidiu não voltar a concorrer ao órgão que preside. 

O social-democrata considera que estamos  perante uma "utilização totalmente abusiva de um princípio de independência e de liberdade interna que deve prevalecer". "Esta utilização de meios da sede nacional e de meios do partido que não estão ao serviço de todos os militantes parece-nos errado", critica. 

No opinião do líder da Concelhia de Coimbra, a estranheza entre as palavras de maior seriedade e depois a prática política se vê "vem em favor da ideia avançada do banho de ética, que depois teve em José Silvano um dos episódios mais infelizes destes últimos dois anos e que continua a ser o secretário-geral do partido".

"Estamos aqui com um banho de ética muito seco. Não vemos que haja uma coerência entre aquilo que é defendido externamente", acusa

Todavia, ressalva, o que mais preocupa a Concelhia de Coimbra é que o PSD "possa discutir a sua própria renovação de ideias e de projetos", mantendo "regras de boa prática interna para que as pessoas e foquem no essencial" - "qual é o nosso posicionamento político, quais são as nossas propostas, quem são as nossas equipas, quem são os novos protagonistas".

"E que se possa discutir isso em ambiente de total liberdade e também de igualdade de meios e circunstâncias para que os militantes possam decidir", remata. 

A secretaria-geral propõe que as diretas se realizem em 11 de janeiro, com uma eventual segunda volta uma semana depois, e o congresso entre 7 e 9 de fevereiro, em Viana do Castelo.

Até agora, assumiram-se como candidatos à liderança do PSD o presidente Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais Miguel Pinto Luz.

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