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PS quer reuniões com parceiros parlamentares antes do programa do Governo

O PS pretende ter reuniões com todas as forças parlamentares de esquerda e PAN e sobre o programa do Governo antes de este documento ser entregue na Assembleia da República, disse esta segunda-feira à agência Lusa fonte socialista.

PS quer reuniões com parceiros parlamentares antes do programa do Governo
Notícias ao Minuto

18:06 - 14/10/19 por Lusa

Política Governo

"Não vamos estar sistematicamente a confirmar ou a não confirmar reuniões formais ou menos formais. O PS vai ter reuniões antes da entrega do programa do Governo", afirmou à agência Lusa um membro da direção dos socialistas.

Na sexta-feira, ao fim da tarde, em conferência de imprensa, o líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS, Duarte Cordeiro, referiu que, para esta terça-feira, estaria prevista uma reunião com o Bloco de Esquerda, que acabou por ser cancelada.

"Estão em curso conversas normais com os partidos. Vamos ter para já reuniões [presenciais] sobre o programa do Governo. As reuniões sobre o Orçamento do Estado vão também acontecer, mas num momento posterior", alegou o mesmo membro da direção do PS, numa alusão à intenção do Bloco de Esquerda de iniciar já conversações sobre matéria orçamental.

Ou seja, as reuniões sobre o Orçamento do Estado para 2020, para o PS, fazem sentido com o novo elenco governativo empossado e não já esta semana, como, aparentemente, pretendia o Bloco de Esquerda.

"Teremos conversas prévias antes do programa do Governo e, igualmente, mais, tarde, antes do Orçamento do Estado", reforçou a mesma fonte do PS.

Na sexta-feira, em conferência de imprensa, Duarte Cordeiro procurou desdramatizar as consequências resultantes da ausência de um acordo escrito entre o PS e o Bloco de Esquerda, o que levou a coordenadora do bloquista, Catarina Martins, a responsabilizar os socialistas pela não reedição da 'geringonça' na próxima legislatura.

"Para o PS, a 'geringonça' não morreu. Vai haver continuidade de trabalho nos próximos quatro anos", defendeu Duarte Cordeiro, que classificou como "exagerada" a reação de Catarina Martins à decisão de os socialistas não assinarem para a nova legislatura um acordo escrito de legislatura com nenhum dos parceiros (Bloco de Esquerda, PCP, PEV, Livre e PAN).

Questionado sobre os avisos que a direção do Bloco de Esquerda deixou ao PS sobre consequências negativas para a estabilidade política resultantes da ausência de um acordo escrito de legislatura entre as duas forças políticas, Duarte Cordeiro respondeu: "Do lado do PS vemos essa reação como manifestamente exagerada".

O líder da Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) do PS sustentou que, dos contactos mantidos pelo seu partido na quarta-feira passada com o Bloco de Esquerda, PCP, PEV, PAN e Livre resultou a convicção de que é possível "prosseguir uma metodologia de trabalho em tudo semelhante àquela que funcionou nesta legislatura", através da análise prévia conjunta de propostas de Orçamento do Estado e de "todos os documentos considerados fundamentais para a estabilidade e para o funcionamento do Governo".

No caso específico da proposta de acordo escrito de legislatura avançada pelo Bloco de Esquerda, Duarte Cordeiro advogou que os bloquistas admitiram duas hipóteses de trabalho com o PS: acordo escrito para quatro anos, mas também a possibilidade de trabalho regular matéria a matéria.

Para a hipótese de acordo de quatro anos, "o Bloco de Esquerda apresentou um conjunto de pressupostos prévios, com especial incidência nas matérias de legislação de trabalho, sem os quais não haveria condições para negociação de um entendimento escrito".

"Na quinta-feira, antes da reunião da Comissão Política do PS, o secretário-geral [António Costa] contactou a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, informando-a que não partilhava as prioridades propostas e que, dessa forma, pretendia seguir a outra hipótese de trabalho colocada em cima da mesa - uma via em tudo idêntica ao método de trabalho seguido nos últimos quatro anos", justificou Duarte Cordeiro.

O dirigente socialista alegou ainda que a legislação do trabalho foi recentemente alterada e que se trata de uma "divergência absolutamente conhecida entre os dois partidos", sendo a prioridade dos socialistas para a nova legislatura um acordo sobre a política de rendimentos e de salários.

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