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"Ironia das ironias", PS ganhou mas terá "piores condições para governar"

Luís Marques Mendes acredita que o Governo de António Costa não terá um futuro fácil pela frente. O comentador não antevê igualmente um percurso subtil para PCP, BE, PSD e CDS-PP.

"Ironia das ironias", PS ganhou mas terá "piores condições para governar"

O Partido Socialista foi o vencedor das eleições legislativas, mas quererá isso dizer que o Executivo de António Costa terá melhores condições de governabilidade? No entendimento de Marques Mendes, "ironia das ironias", apesar de o PS ter tido "mais votos e mais deputados", terá "piores condições para governar".

No seu habitual espaço de comentário na antena da SIC, o comentador defendeu que Costa vai ter "um Governo mais instável do que aquele que teve" na última legislatura. O político português aproveitou ainda para afastar a ideia de que o PS não irá cumprir o mandato. "Vai cumprir", mas em "ambiente de maior incerteza e instabilidade porque não vai ter um BE certo e seguro como tinha".

Depois, continuou, "vai governar num quadro de menos economia. Não que se preveja uma recessão, mas um abrandamento económico, sim. E menos dinheiro para distribuir traz instabilidade a mais e popularidade a menos".

O Governo de António Costa vai ainda ter de enfrentar um "quadro de maior agitação social". Considerou o advogado de profissão que este Governo teve "três anos de folga" e agora o PCP "vai querer compensar nas ruas, com manifestações e greve, o que perdeu nas urnas".

Outro aspeto que irá dificultar a governabilidade do Partido Socialista é o facto de passar a ter "ter duas oposições, uma à Esquerda e uma à Direita". Até então, "Costa habituou-se a só ter oposição na Direita porque, de alguma forma, os parceiros [da Geringonça], no essencial, não eram oposição".

Adicionalmente, vincou Marques Mendes que há "outra questão que piora as condições", referindo-se à relação com o Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu o comentador, "deu grande cobertura ao Governo. Não acho que vá passar de colaborante a crítico. Mas vai ter de ser mais distante do Governo. Tendo um Governo não tão abrangente, a distância do Presidente da República tem de ser maior".

O comentador político recordou-se também que "já não há o papão de Passos Coelho, que normalmente sedimentava" e por isso as "expectativas são diferentes. Já não vai haver comparações com os cortes de Passos Coelhos. Agora é com o Governo de António Costa 2 e o Governo de António Costa 1".

Já quanto à possibilidade de o enfraquecimento do Governo poder representar um fortalecimento nas forças da oposição, Marques Mendes acredita que "quer a Esquerda quer a Direita não estão em bons lençóis". PCP e Bloco de Esquerda "vão ter dificuldades", desde logo pelo facto de não haver Geringonça formal porque "passam a ser partidos marginais e de protesto".

Depois, acrescentou, "daqui a dois anos há eleições autárquicas e a vida do PCP e do BE não é fácil". Por fim, e esta será "a maior dificuldade", "se quiserem derrubar o Governo vão ter dificuldade, só se juntarem os votos à Direita" e esse cenário lembra o PEC IV, em que a Esquerda se juntou à Direita para derrubar o Governo de Esquerda e foi penalizada nas urnas". Apesar de "António Costa ter piores condições, ser derrubado no Parlamento é na prática muito difícil".

Por seu turno, "PSD e CDS estão em crises internas e precisam de tempo para as resolver". Para além disso, "vão ser sujeitos a chantagens no Parlamento em nome da estabilidade e do interesse nacional. E quando a oposição tem de viabilizar o orçamento isso não lhe dá credibilidade". Por fim, enalteceu, "estar quatro anos na oposição, em política, é uma eternidade. No PSD nunca houve um líder que aguentasse quatro anos".

Em jeito de conclusão, Marques Mendes acredita que com os resultados das legislativas "ninguém pode estar muito satisfeito". O único que saiu 'vitorioso' foi o Presidente da República "que deixou claro que não morria de amores por uma ideia de maioria absoluta". Simultaneamente também "ganhou melhores condições para a sua reeleição", isto porque "o PS não sai muito forte e vai ter de concentrar energias na sua governação e não pode estar com política de hostilização. Marcelo continuará a ser referencial de credibilidade".

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