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Viseu: Obras no IP3 dão esperança de viagens mais seguras

A requalificação do Itinerário Principal (IP) 3, entre Viseu e Coimbra, saiu finalmente do papel, deixando quem a usa regularmente com a esperança de viagens mais seguras, mas os prazos previstos não descansam os autarcas.

Viseu: Obras no IP3 dão esperança de viagens mais seguras

No final de maio, foram consignadas as obras de requalificação do troço do IP3 entre os nós de Penacova e da Lagoa Azul (16 quilómetros) e, neste momento, "estão a ser executados trabalhos de fresagem, tratamento de fundações quando necessário e execução de pavimentos", disse à agência Lusa fonte da Infraestruturas de Portugal.

As obras de requalificação e duplicação parcial do IP3 serão desenvolvidas de forma faseada ao longo dos seus 75 quilómetros, sendo que, segundo o ministro das Infraestruturas, só deverão estar concluídas no primeiro semestre de 2024.

"A requalificação do IP3 remedeia, mas não resolve. Devia haver uma autoestrada alternativa", considerou a professora Florbela Correia, que vive em Tondela, mas está colocada no agrupamento Rainha Santa Isabel, de Coimbra, desde 2015.

Desde então, em tempo de aulas, a sua rotina passa por sair de casa antes das 08:00, encontrar-se com duas colegas com quem partilha as viagens e seguir pelo IP3, até à saída de Souselas.

"Levamos o carro alternadamente. Em média, cada uma leva duas vezes por semana. Depois de um ano de experiência, decidimos fazer assim, porque conduzir cinco dias seguidos no IP3 tornava-se muito cansativo. Não é uma estrada fácil", contou.

Neste anos, Florbela e as colegas já apanharam vários sustos. O maior foi num dia em que "chovia torrencialmente, o carro apanhou água, despistou-se, bateu à direita e bateu à esquerda, numa zona de duas faixas", junto à livraria do Mondego.

"Não sofremos ferimentos e fomos trabalhar. Tontas, mas fomos", acrescentou a professora, esperançada de futuramente não apanhar tantos sustos no IP3.

Os bombeiros de Tondela também conhecem bem esta estrada, quer para sul, quer para norte, já que transportam diariamente doentes para Coimbra, Viseu e Vila Real.

"Usamos o IP3 não só para transportar doentes emergentes para Viseu e Coimbra, mas também para transportar doentes não urgentes para Viseu, Coimbra e Vila Real", contou o comandante da corporação, Nuno Pereira.

Há dias em que os bombeiros de Tondela fazem 20 viagens no IP3, outros em que esse número duplica, apanhando vários tipos de situações pelo caminho.

"Temos de parar para prestar o auxílio necessário e fazer a solicitação dos meios adequados. Encontramos desde acidentes rodoviários a incêndios nos veículos, passando pelos incêndios florestais", referiu.

Segundo Nuno Pereira, este tipo de situações nem sempre é fácil de gerir, sobretudo "quando se faz com muita fragilidade o transporte de doentes, que necessitam de uma atenção diferente", mas acabam por ficar "encarcerados na estrada".

António Azevedo é motorista de longo curso, percorrendo habitualmente estradas de Portugal, Espanha e França, e não tem dúvidas de que o pior troço em que circula é o IP3 entre Souselas e a saída de acesso ao IC6.

"Não tem condições nenhumas. Nem sei como não há lá mais mortes", frisou.

Motorista há 29 anos, António Azevedo trabalha para uma empresa que tem instalações na zona industrial do Louriçal, em Pombal, e é obrigado a circular no IP3 três a quatro vezes por mês.

"Quem lá passa mais vezes já está habituado e conduz com precaução. Todo o cuidado é pouco", considerou, mostrando-se, contudo, otimista, já que "finalmente vão fazer alguma coisa e o IP3 vai deixar de ser uma estrada ao abandono".

Autarcas que há muito reclamam uma solução para a ligação entre Viseu e Coimbra estão satisfeitos com o avanço das obras, mas desiludidos com os prazos apontados pelo Governo.

"Está uma pequena obra a ser feita (entre Penacova e a Lagoa Azul), que não deixa de ser uma obra de manutenção. Quanto ao resto do IP3, o projeto só vai estar pronto em 2021", lamentou o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, considerando que as obras, "seguramente, não estarão concluídas" no primeiro semestre de 2024.

Na sua opinião, "a viciação está no prazo para o projeto: como é que numa obra tão urgente se podem dar dois anos para a feitura do projeto?"

Também o presidente da Câmara de Tondela, José António Jesus, olha para os prazos anunciados "com alguma apreensão".

O IP3 atravessa o concelho de Tondela numa extensão de cerca de 20 quilómetros.

"Gostaríamos que fossem prazos mais curtos ou, se possível, iguais aos referidos inicialmente", afirmou.

Na sua opinião, é importante "que se mantenha este acordo para além do ciclo eleitoral, com o próximo Governo a manter a estratégia de elaboração de projeto para, daqui por dois anos, se dar então início à duplicação".

Se for tudo executado, "devolve-se dignidade a uma estrada que há muito não cumpre as condições de segurança e comodidade a que os utentes têm direito", considerou.

As obras de requalificação do troço entre Penacova e a Lagoa Azul, que têm um prazo de execução de 330 dias, representam um investimento de 11,8 milhões de euros.

Os 75 quilómetros do IP3 entre Viseu e Coimbra vão implicar um investimento total de 134 milhões de euros.

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