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Debate. Rio e Cristas evitaram confronto, concordaram e divergiram pouco

Assunção Cristas e Rui Rio foram os protagonistas do debate desta quinta-feira na antena da SIC.

Debate. Rio e Cristas evitaram confronto, concordaram e divergiram pouco

Assunção Cristas e Rui Rio foram os protagonistas do debate desta quinta-feira na antena da SIC. Os líderes do CDS e do PSD não se criticaram diretamente e evitaram o confronto.

Assunção Cristas começou por afirmar que "O CDS tem feito o seu melhor para ser uma oposição muito firme a uma governação das esquerdas" que entende "que é uma governação que fez mal ao país". Já Rio desvalorizou o facto de os partidos concorrerem separados às legislativas: "A situação normal é os partidos irem separados". 

Cristas reiterou neste debate, moderado por Clara de Sousa, que a prioridade do CDS é baixar os impostos, tema que trouxe convergência entre os dois líderes. 

A regionalização foi um dos temas em que discordaram, com Rio a admitir mudar a opinião do passado se esta levasse a uma redução da despesa pública enquanto Cristas referiu que "regionalização quer dizer mais despesa do estado, mais níveis de burocracia e mais cargos políticos." 

Decidiu concorrer com listas próprias às Europeias e às Legislativas e assumiu que queria ser a primeira escolha dos portugueses. Essa opção surgiu para medir forças com o PSD?

Assunção Cristas: O CDS tem feito o seu melhor para ser uma oposição muito firme a uma governação das esquerdas que nós entendemos que é uma governação que fez mal ao país. Temos a maior carga fiscal de sempre, uma degradação dos serviços públicos e entendemos que o país precisa de outro projeto político, com outras politicas, com ambição. 

Passámos a ter uma necessidade de constituir uma maioria para se poder governar

Mas é importante saber quanto vale o CDS, depois destes quatro anos? 

Assunção Cristas: Depois de 2015 eu sempre disse que nós mudámos, na prática, o nosso sistema político, passámos a ter uma necessidade de constituir uma maioria para se poder governar. E aquilo que o CDS disse e diz sempre é que quer contribuir o mais possível para essa... 

Mal de nós se o CDS não se quisesse posicionar como o melhor possível

Continua a querer ser primeira-ministra? Continua a ser quem tem mais força para representar quem está à direita do PS? 

Assunção Cristas: Mal de nós se o CDS não se quisesse posicionar como o melhor possível. 

Lançou algumas alfinetadas ao PSD, chamou-lhe partido de socorro do PS, chamou-lhe partido de colaboração. Esta postura do CDS é que o deixa tranquilo em avançar sozinho apesar destas circunstâncias vos poderem prejudicar? 

Rui Rio: Não vejo o que está a referir possa prejudicar uma alternativa ao PS dentro daquilo que são os moldes normais. Constituímos uma alternativa à Esquerda com o Dr. Francisco Sá Carneiro, voltámos a fazê-lo com Durão Barroso, Passos Coelho... 

Os partidos não querem valorizar as sondagens mas estas dizem que o PS nas atuais circunstâncias poderá conseguir uma maioria com 39%. Juntos não teriam mais força? 

Rui Rio: O CDS optou por fazer oposição da maneira que optou e eu optei por fazer da maneira que optei. A oposição que faço em 2018 é diferente da que faço em 2019 por uma razão simples: não havia eleições. Aquilo que deve ser o meu contributo ao país deve ser colaborar com os outros partidos em cada momento. Isto é o que devemos fazer, estar colaborantes. Até que chegamos a 2019. Aqui é para mostrar as diferenças. 

Mesmo que isso facilite a vida a António Costa... 

Rui Rio: Mas isto não facilita. Eu estou convencido que os portugueses valorizam quando queremos trabalhar pelo país e percebem que quando temos eleições marcamos as diferenças. 

Assunção Cristas: O CDS tem um passado construído com o PSD em momentos particularmente dolorosos e de grande fragilidade do país. Há obviamente uma capacidade dos dois partidos se entenderem para o futuro. Mas como dizia, em 2015, as coisas mudaram e faz sentido cada um dos partidos se apresentar aos eleitores. Aquilo que sempre disse é que o CDS sabe muito bem onde está. 

Sente que está em melhores condições para representar o eleitorado? 

Assunção Cristas: Temos um projeto alternativo por isso digo que votar no CDS é votar neste projeto alternativo que tem como prioridade número um a baixa de impostos. 

[CDS] diz com uma clareza cristalina que não fará nenhum acordo estável com o PS

Deixou de ser a única alternativa ao PS e as esquerdas? 

Assunção Cristas: O CDS é o único partido com representação parlamentar que diz com uma clareza cristalina que não fará nenhum acordo estável com o PS nem dará o apoio a um governo de António Costa. Não daremos a mão ao PS.

Esteja na oposição ou no governo o meu dever é com o país

Vê isto como uma crítica? 

Rui Rio: A situação normal é os partidos irem separados. Ganhávamos qualquer coisinha [em coligação] no método de Hondt, ganhávamos dois ou três deputados. Assim marcamos a nossa identidade e se, juntos tivermos uma maioria - estou a falar por mim - tomamos a decisão de ter a solução que sempre tivemos ao longo da história. Esteja na oposição ou no governo o meu dever é com o país. Tenho de procurar com os outros partidos, mesmo que esteja na oposição, ser útil ao país. 

A prioridade do CDS é baixar impostos

Assumem que o adversário é o PS, o Governo e as esquerdas. Se tivesse continuado no Governo - com um clima económico mais favorável - continuaria a respeitar o calendário para a devolução dos rendimentos em quatro anos? 

Assunção Cristas: Havia um objetivo que podia ser acelerado se o clima económico melhorasse. Poderíamos ter baixado a carga fiscal que neste momento é a maior de sempre. Há uma austeridade encapotada que não existiria. 

Baixando impostos? 

Assunção Cristas: A prioridade do CDS é baixar impostos. Temos condições, mantendo o equilíbrio das contas públicas, de utilizar 60% do excedente orçamental para baixar 15% do IRS para todas as pessoas. E também achamos que é preciso baixar o IRC

Admite que o processo teria sido mais acelerado? 

Assunção Cristas: Entendemos que estes quatro anos foram quatro anos de oportunidade perdida. 

Rui Rio, se estivesse no governo nestes últimos quatro anos o que teria feito diferente? 

Rui Rio: Ia por outro caminho. Queremos que os portugueses tenham melhores empregos. Temos empregos precários e mal pagos. Queremos melhores empregos e melhores salários. Apostava nas exportações e no investimento e não no consumo. Aliás, o saldo externo está já a desequilibrar. Com toda a clareza, não dava tudo no mesmo momento como este Governo deu. O PS teve uma conjuntura económica favorável. 

Com este Governo temos a maior carga fiscal de sempre

Aplicando algumas dessas promessas? 

Rui Rio: Com este Governo temos a maior carga fiscal de sempre. Hoje temos mais impostos, mais carga fiscal e piores serviços públicos. 

O CDS da prioridade aos impostos. Num quadro de abrandamento económico a proposta não é vista como irrealista

Assunção Cristas: Neste momento temos uma perspetiva de superavit. Se não é agora que se baixam os impostos quando é que é? E eu acho que o CDS tem uma convição muito profunda que é baixando impostos estamos no bom caminho. Estamos a cortar os sonhos às pessoas e é isso que tem de acabar. 

Há aqui uma quantificação... 

Assunção Cristas: Muito prudente. Achamos que com as nossas medidas até temos crescimento económico e perspetivas positivas para uma baixa de impostos para todas as pessoas. É ajustável a pequenas flutuações. Eu acho que o nosso trabalho é fazer reformas sérias e estruturadas para podermos estar preparados e ser competitivos. 

O PSD prometeu sempre baixar impostos ou não os aumentar. Houve o choque fiscal de Durão Barroso e de Passos. Nesta tradição, não corre o risco de os portugueses acharem que este compromisso não é para levar a sério? 

Rui Rio: O crescimento económico traz uma folga e no nosso quadro macroeconómico, até 2023, vai trazer 15 mil milhões de euros de folga. Quantifiquei porque é assim: 25% dessa folga é para baixar impostos, 25% é para aumentar investimento público e 50% é para a despesa corrente. 44% é para a despesa corrente e 6% é para termos superavit nas contas. 

Lembra-se das críticas de Mário Centeno

Rui Rio: Faz o seu papel não como ministro das Finanças neste caso mas como candidato do PS a deputado. Isto parte de um quadro macroeconómico feito por economistas competentes feito a partir do que é o quadro macroeconómico do Conselho de Finanças Públicas. É o mais independente que existe em Portugal. O nosso quadro é prudente mas ambicioso. 

Houve uma competição entre CDS e PSD para ver quem apresentava melhores propostas? 

Assunção Cristas: Esta questão dos impostos é boa para perceber como o CDS e o PSD convergem num aspeto essencial para o país que é baixar impostos, mas depois o grau de compromisso é diferente. O CDS entende que 60% desse excedente orçamental deve ser para baixar impostos e 40% para baixar a dívida. É mais ambicioso desse ponto de vista. 

Rui Rio: A formulação do CDS baixa mais os impostos mas estamos a medi-los de uma maneira diferente. 

Assunção Cristas: Há um excedente orçamental e como o vamos utilizar? Percebe-se que a nossa prioridade número 1 é baixar impostos e é de uma forma mais intensa do que o PSD. Este é um ponto que se realça de convergência mas também de alguma divergência. 

O Governo fez mal em passar para as 35 horas

Disseram que o regresso às 35 horas era um erro e agora que poderiam atuar não o fizeram. Há falta de coragem para avançar com uma reversão que lhe poderia custar votos da Função Pública? 

Rui Rio: Não sei se me custava votos. Os funcionários públicos são menos que a população geral que trabalha no setor privado. O Governo fez mal em passar para as 35 horas.

Porque não assumem desde já que é para reverter? 

Rui Rio: Entendo quer nisto quer em tudo que um dos males do país é estar um governo e faz uma coisa vem outro e faz outra diferente. Vem outro e anula. Isto não é política em lado nenhum e na educação isto está permanentemente a acontecer. É preciso estabilidade. Se for possível melhorar os serviços públicos com um orçamento equilibrado sem ter de mexer nisso eu acho preferível.

Assunção Cristas: Eu partilho da estupefação quando se olha para um país a dois registos. Um país que trabalha 40 horas e o país da Função Pública que trabalha 35 horas. Isto não é o ideal numa sociedade que se quer coesa e equilibrada. Defendemos a abertura da ADSE a todos que quiserem aderir. Neste momento não tenho dúvida de que se chegarmos ao governo e quisermos passar das 35 para as 40 horas isso até pode ser possível mas para fazer isto é preciso aumentar os funcionários públicos. Entre aumentar a despesa com a Função Pública e descer os impostos para todas as pessoas, a prioridade do CDS é baixar os impostos para todos. Todos beneficiam por uma baixa de impostos. 

O que responderia a Costa se lhe dissesse que afinal criticou tanto a medida e afinal está de acordo comigo? 

Assunção Cristas: Eu não estou de acordo. Tenho é a prioridade de baixar impostos a reverter das 35 para as 40 horas. Eu prefiro baixar impostos para todas as pessoas. 

Quanto aos professores. Porque nunca assumiu que algo se passou de errado na comissão parlamentar quando PSD, CDS e as esquerdas estavam a celebrar algo que já não previa as compensações que previa inicalmente

Rui Rio: O que fizemos na altura está perfeitíssimo, não temos de alterar nada. O primeiro-ministro teve a reação que teve porquê? A recente crise dos motoristas é que serviu para se perceber a forma como Costa atuou nos motoristas e atuou exatamente da mesma maneira nos professores. Uma dramatização, com um circo montado. Como se fosse uma coisa muito difícil e depois aparece o governo para resolver. 

Se estivesse na iminência de ter de apresentar um orçamento retificativo que lhe iria custar 340 milhões como reagiria? 

Rui Rio: Mas como poderia haver um retificativo? O projeto do PSD tinha uma norma travão que dizia justamente que não podia ser por salários para lá do que o orçamento permite, como poderia acontecer? Isso é a desinformação que se montou. 

Porque assumiu o erro? 

Assunção Cristas: Se não conseguimos explicar a nossa posição, porque claramente não foi percebida, então só posso concluir que foi um erro. Tem de haver revisão de carreiras, avaliação de professores... Nós queremos mérito na Função Pública e por isso precisamos de avaliação de professores e revisão de carreiras. 

Regionalização. Rui Rio já foi contra...

Rui Rio: Eu em 1998 votei contra e hoje não voto contra qualquer coisa. Gostaria de um projeto que me fizesse votar a favor mas para esse projeto tem de ser muito claro. Se regionalizamos não é porque se faz melhor e mais barato localmente? Então a despesa pública tem de baixar. 

Assunção Cristas: A posição do CDS é clara. Regionalização quer dizer mais despesa do Estado, mais níveis de burocracia e mais cargos políticos. E isso não ajuda o país. Precisamos de constituir um verdadeiro estado social.

[Última atualização às 23h01]

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