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Governo subscreve apelo de Guterres contra "escalada de tensão" EUA/Irão

O Governo expressou hoje preocupação com o clima entre os Estados Unidos da América e o Irão e subscreveu o apelo do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, contra uma "escalada de tensão".

Governo subscreve apelo de Guterres contra "escalada de tensão" EUA/Irão
Notícias ao Minuto

20:34 - 24/06/19 por Lusa

Política EUA/Irão

Esta posição foi transmitida pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, em resposta à agência Lusa, no final da inauguração da nova sede da Associação de Auditores dos Cursos de Defesa Nacional (AACDN), no Campo de Santa Clara, em Lisboa.

"Obviamente, quando há escaladas de tensão internacional, é sempre motivo para preocupação", afirmou João Gomes Cravinho.

O ministro da Defesa Nacional salientou que "o estreito de Ormuz é um local particularmente sensível, um ponto estratégico, um ponto da maior importância geoestratégica".

"O que nós desejamos é que se encontre uma forma de desescalar a situação. Ouvimos com muita atenção e revemo-nos nas palavras do secretário-geral das Nações Unidas ontem [domingo] sobre esta matéria", acrescentou o ministro.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abordou este tema no domingo, à margem de uma conferência sobre juventude, em Lisboa, considerando que se vive "uma situação de grande tensão" no Golfo Pérsico que exige "nervos de aço".

António Guterres disse que "o mundo de hoje não pode suportar uma confrontação no Golfo, que teria consequências imprevisíveis", e defendeu que "é absolutamente indispensável evitar qualquer escalada".

Antes, o ministro da Defesa fez uma intervenção em que descreveu o atual quadro global como um "mundo onde a mudança é intensa, onde novas fontes de instabilidade aparecem com regularidade, onde se exigem abordagens novas".

Na inauguração da nova sede da AACDN, associação composta por auditores formados anualmente no Curso de Defesa Nacional, João Gomes Cravinho falou especificamente sobre a política de defesa europeia, considerando que houve "avanços muito importantes" e que esse é "um dos grandes desafios para os próximos anos".

Depois, referiu-se à reunião ministerial da NATO em que vai participar esta semana, declarando que "estão em cima da mesa, nesta conjuntura, questões que vão marcar o futuro da Aliança para os próximos anos", com "um conjunto de incógnitas" sobre quais devem ser as suas "missões fundamentais" e para onde deve dirigir "a essência dos seus esforços".

O ministro apontou a Aliança Atlântica e a União Europeia como "os dois elementos, os dois pilares fundamentais" para Portugal em matéria de defesa e disse que há que "assegurar que esses dois pilares não entram em rota de colisão ou de divergência".

"E quanto a isso tenho alguma confiança. Afinal, 22 membros dos 29 da NATO são também membros da União Europeia. E, portanto, em princípio, esse fator, por si só, deve ser um fator que assegura a convergência das duas instituições. Mas há dificuldades a navegar e este é um momento histórico em que se está a fazer esse caminho", acrescentou.

O clima de tensão entre os Estados Unidos da América e o Irão dura há bastante tempo, mas a crispação aumentou desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, há um ano, retirou o seu país do acordo nuclear internacional assinado em 2015, repondo sanções devastadoras para a economia iraniana.

No sábado, Donald Trump admitiu que o uso da força contra o Irão "está sempre em cima da mesa", após a confirmação de que o Irão tinha abatido um drone americano - que, segundo Teerão, violou o espaço aéreo iraniano, mas, de acordo com Washington, estava em espaço aéreo internacional.

Donald Trump anunciou, como retaliação, um ataque contra três locais no Irão, o qual disse ter abortado à última hora para evitar um elevado número de mortos.

Na sexta-feira, os Estados Unidos pediram a realização de uma reunião à porta fechada do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para falar sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com o Irão, o que acontece hoje.

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