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"É pena que se prendam a tentar arranjar tricas onde não existem"

Manuela Ferreira Leite defende que "a Direita não tem de se envergonhar de dizer que deve tomar medidas, por mais que pareçam esquisitas, para aumentar a despesa e reduzir os impostos, quando isso é em nome de dar um crescimento sustentável ao país e melhorar a vida dos portugueses”.

"É pena que se prendam a tentar arranjar tricas onde não existem"

A antiga ministra Manuela Ferreira Leite clarificou esta quarta-feira que o líder do PSD, Rui Rio, partilha a opinião de que a forma como se deve encarar o défice deve variar consoante a realidade e o crescimento ou não crescimento de um país. E, no caso de Portugal, nesta fase a opção deveria ser aumentar a despesa e diminuir os impostos, uma vez que há “margem” no défice para isso. 

A social-democrata lamenta, por isso, que tenha sido feita a leitura de que teria criticado Rui Rio quando defendeu uma maior flexibilização do défice e considerou "uma loucura" perseguir o 'superavit' orçamental.

“Acho que Rio tem rigorosamente a mesma ideia. É pena que as pessoas se prendam a tentar arranjar tricas políticas onde elas não existem”, atirou a ex-ministra das Finanças no habitual espaço de comentário na TVI, defendendo que 1% ou 1,5% de défice “não parece nada grave”. Nesse sentido, a social-democrata é apologista de uma mudança na política que o Governo PS tem seguido até aqui. 

Reconhecendo que a fórmula de Centeno resultou no início, Ferreira Leite sustenta que na atual realidade não faz sentido “tomar medidas cujas consequências são negativas para as pessoas” em nome da redução do défice, dando como exemplo o desinvestimento nos serviços públicos. 

E por isso, e numa altura em que o crescimento económico - "que não é sustentável" -, começa a abrandar, “temos de crescer”. “E para crescer não temos outra opção a não ser baixar os impostos, especialmente sobre as empresas”. Ora, defender que se deve reduzir os impostos e tratar dos serviços públicos vai originar menor receita e mais despesa e, logo, um aumento do défice. “Por que não? Se há margem no défice para se poder tirar dali 1%, 1,5%?”, questiona.

“A Direita não tem de se envergonhar de dizer que deve tomar medidas, por mais que pareçam esquisitas, para aumentar a despesa e reduzir os impostos, quando isso é em nome de dar um crescimento sustentável ao país e melhorar a vida dos portugueses”, frisa. 

Para a social-democrata, “qualquer ministro ou qualquer Governo tem a obrigação de tomar medidas adequadas à realidade que tem à sua frente, não são medidas cegas que tanto se tomam agora como amanhã e depois”. Agora, não havendo rendimentos por redistribuir, a única forma de aumentar o rendimento disponível dos cidadãos é reduzir a carga fiscal, defende. 

"O ministro [Centeno], no fundo, está a tentar chegar a um equilíbrio de contas públicas semelhante ao da Alemanha. Pergunto se há algum português que julgue que está na Alemanha. Ou se as condições que nos rodeiam têm alguma coisa a ver com a Alemanha", critica.

Ferreira Leite admite ainda ficar "muito espantada" ser um Governo de Esquerda (supostamente mais à Esquerda do que o de Guterres e de Sócrates dado que tem apoio parlamentar do PCP e do BE) "que não se importa, em nome de este equilíbrio orçamental, tomar medidas cujas consequências são negativas para as pessoas", quer através da inexistência de despesa pública, sobretudo na saúde e nos transportes, quer através de uma carga fiscal elevada. 

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