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"Politicamente acho que Pedro Marques é bastante fraquinho"

Na despedida do Parlamento Europeu, Manuel dos Santos não poupou críticas ao PS, considerando que foi "arrumado" por ser "adversário" da Geringonça e defendendo que a escolha de Pedro Marques como cabeça de lista é "um tiro nos pés".

"Politicamente acho que Pedro Marques é bastante fraquinho"

Fora das listas do Partido Socialista às eleições europeias de 26 de maio, o eurodeputado socialista recordou a "guerra interna de distribuição de competências" que o fez perder "meio ano" dos três de mandato, assumido em julho de 2016, após Elisa Ferreira ter abandonado a assembleia europeia para integrar a administração do Banco de Portugal.

"Quem substitui alguém nas funções do PE, herda os dossiers dessa pessoa. A doutor Elisa Ferreira tinha à sua responsabilidade, entre outras coisas, a união bancária, a política da macroeconomia da UE. Fui para o PE nesse pressuposto, até porque sou economista. Quando cheguei ao PE, sem antes ter sido avisado disso, verifiquei que todas essas competências tinham sido transferidas para o deputado Pedro Silva Pereira e que eu ficava com aspetos verdadeiramente residuais da intervenção política", revelou em entrevista aos correspondentes portugueses em Bruxelas, em abril.

Sem querer entrar em detalhes, até porque "não foram muito claros" consigo, Manuel dos Santos alega ter percebido que houve "uma objeção política vinda diretamente da direção nacional" do PS.

"Sou um adversário da solução política da Geringonça desde o primeiro momento e continuo a ser. Isso não foi bem-encarado provavelmente por Lisboa, acharam que eu não merecia a confiança política para tomar conta desses dossiers e, portanto, fui arrumado para atividades que manifestamente não se quadravam com a minha personalidade e as minhas competências", sustentou.

O antigo vice-presidente do PE, que curiosamente substituiu no cargo, em março de 2005, o atual secretário-geral do PS e primeiro-ministro português, António Costa, esclareceu ainda que não se recandidata à assembleia europeia quer por opção própria, quer porque o partido o deixou de lado.

"Se soubesse que entrava a meio do mandato provavelmente não me teria candidato, mas quando estabeleci com António José Seguro a minha entrada para o PE fi-lo dizendo claramente que era o meu último mandato, que no último dia deste mandato me viria embora", explicou.

Assim, mesmo que a direção do partido fosse aquela que "desejaria", a de António José Seguro, Manuel dos Santos estaria agora a despedir-se.

"É obvio que depois, face às posições políticas frontais, abertas e claras que eu fui apresentando, reconheço que às vezes com alguma controvérsia, ao longo destes tempos, a minha vida tornou-se mais difícil. Aliás, não foi só para mim. Tornou-se para mim, para o doutor Francisco Assis, e tornou-se para os seis deputados que vão sair, às vezes não sabem como. Há o caso da doutora Maria João Rodrigues, que também sai por razões aparentemente pouco esclarecidas ainda, porque o que se passou não foi nada de extremamente grave e talvez não justificasse o afastamento das listas da forma que foi feito", analisou, referindo-se à investigação que terminou com a repreensão do PE à eurodeputada por assédio moral a uma antiga assistente.

O eurodeputado de 75 anos disse ainda não compreender a profunda renovação das listas socialistas, "tendo em conta que não há uma substituição de qualidade".

"Tenho algum apreço pessoal pelo doutor Pedro Marques, até porque trabalhei com ele no quadro da reforma fiscal criada por António José Seguro, por ele apoiado na altura -- são ironias da vida. Tenho boa opinião dele, como técnico acho que é uma pessoa trabalhadora, politicamente acho que é bastante fraquinho. Acho que a escolha de Pedro Marques é um tiro nos pés, no meu entender, e de uma maneira geral a lista", defendeu, criticando também o posicionamento na mesma dos representantes do Porto, que "pela primeira vez na história do PS" poderão não ter assento no PE.

"Essa foi a escolha do secretário-geral [António Costa], eu não digo a escolha da Comissão Política, que já se sabe que faz o que o secretário-geral lhe diz para fazer. Ele assumirá, espero eu, as responsabilidades do que suceder na sequência desta escolha. Esta lista é manifestamente inferior à anterior, que já não era boa", observou.

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