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Eurodeputados do PCP foram os mais "fiéis" ao partido nas votações

Os eurodeputados do PCP foram durante a legislatura 2014-2019 do Parlamento Europeu aqueles que mais votaram alinhados com o partido, enquanto duas socialistas, Maria João Rodrigues e Ana Gomes, votaram mais vezes alinhadas com a família europeia.

Eurodeputados do PCP foram os mais "fiéis" ao partido nas votações

Os dados recolhidos pela organização independente Votewatch para um consórcio de meios de comunicação social portugueses constituído por Lusa, Público, Expresso, Antena 1, RTP, SIC e TVI revelam que os três deputados do PCP, João Ferreira, Miguel Viegas e João Pimenta Lopes, foram os que tiveram um maior alinhamento com o seu partido nacional (todos acima dos 99%), e menor alinhamento com a família política à qual pertencem, o Grupo da Esquerda Unitária (todos abaixo dos 77%).

Este alinhamento partidário deixa de fora os (quatro) deputados que eram os únicos em representação da sua força partidária, e que obviamente votaram sempre alinhados consigo mesmos (100%), casos de Nuno Melo, do CDS-PP, Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, António Marinho e Pinto, eleito pelo Partido da Terra mas depois em representação do Partido Democrático Republicano, e José Inácio Faria, do Partido da Terra.

Em declarações prestadas na última sessão plenária da legislatura, em abril, João Ferreira apontou como "uma razão muito simples" para este alinhamento o facto de a delegação do PCP não seguir "indiscriminadamente listas de voto" que lhe são colocadas à frente, votando antes cada relatório em função do que entende ser "o interesse nacional, o interesse dos trabalhadores e do povo português".

"Se alguns o fazem, não é o caso do PCP. Nós não abdicamos de fazer uma avaliação própria de cada relatório, de cada proposta legislativa, de cada proposta de regulamento. independentemente da opinião do nosso grupo, que temos em conta, não abdicamos de fazer uma análise própria, que tem muito em conta aspetos de natureza nacional e isso pode levar que, mesmo dentro do mesmo grupo político, às vezes haja opiniões diferentes e acontece muitas vezes -- não acontece sempre, mas acontece com alguma frequência -- o PCP ter opiniões diferentes de outros partidos do seu grupo político", disse.

Questionado se faz então sentido o PCP pertencer ao Grupo da Esquerda Unitária, João Ferreira disse que sim, pois, "apesar de tudo", os membros desta família política partilham "um conjunto importante de princípios, de justiça social, de progresso social, de paz, de cooperação, de defesa do ambiente, recusa do militarismo".

Já as deputadas Maria João Rodrigues e Ana Gomes -- ambas de fora da lista do PS às eleições -, ainda que tenham apresentado uma taxa de alinhamento com o respetivo partido político também muito elevadas -- respetivamente de 98,68% e 94,11% (esta a menos elevada entre os 21 eurodeputados portugueses) -, tiveram taxas de alinhamento com o grupo dos Socialistas Europeus (S&D) ainda mais altas, respetivamente de 98,89% (a quinta mais alta de todo o Parlamento), e 94,26%, sendo os dois únicos casos entre os deputados portugueses ao Parlamento Europeu na oitava legislatura.

"Em determinadas questões de consciência não tive a mais pequena dúvida em atuar de acordo com a minha consciência, porque antes de mais me sinto representante daqueles que me elegeram independentemente do partido a que pertenço, e representante pela Europa, por uma Europa progressista. Portanto, atuei de acordo com a minha consciência e nunca me arrependi disso, e nunca fui de resto aqui nem intimidada pelos meus camaradas socialistas portugueses nem pelos meus camaradas socialistas europeus por ter atuado de acordo com a minha consciência. Nunca me senti minimamente impedida e afetada por isso", declarou Ana Gomes.

Já Maria João Rodrigues explicou que, na condição de vice-presidente da bancada do S&D, conduzia o voto, pelo que "tinha de sinalizar o voto para o conjunto de deputados socialistas europeus".

"Se eu fizesse algum erro de condução de voto, esses deputados teriam problemas na inscrição do sentido do seu voto, portanto eu tinha de ser ultra rigorosa e eu liderei o voto em milhares de questões. É essa a razão, foi em função da liderança do grupo", justificou.

Ambos eleitos pelo Partido da Terra mas com trajetos diversos na legislatura, Inácio Faria (que mudou mesmo de família política, transitando dos Liberais do ALDE para o Partido Popular Europeu) e Marinho e Pinto (manteve-se no ALDE mas passou do Partido da Terra para a presidência do PDR) têm em comum o facto de, imediatamente após os três deputados do PCP, terem sido aqueles que menos votaram alinhados com as suas famílias políticas europeias (taxas de 82,47% e 87,38%, respetivamente).

Inácio Faria admite que, enquanto estava no ALDE, "nas questões ambientais havia uma maior proximidade, não há dúvida", sendo esta uma área onde está "bastante desalinhado" com o PPE, mas, ressalvou, "não quer isso dizer que, nas outras questões políticas do grupo, esteja desalinhado."

"Limitei-me a votar e eu penso que para isso, talvez com uma dose de coragem também à mistura. Talvez tivesse sido isso. Há colegas meus ambientalistas que nalguns momentos tiveram um certo receio...E há vários expedientes, por exemplo, dou-lhe alguns que colegas meus utilizam, o não votar, esquecem-se de votar. Eu votei sempre. Ou tapar a luz de presença que indica o sentido de voto com folhas. Eu nunca fiz isso. Isto tem de ser transparente, até para os meus colegas, para saberem exatamente qual é o meu posicionamento", apontou.

Já Marinho e Pinto diz ter a convicção de que está "na família certa", ainda que, e talvez precisamente por isso mesmo, muitas vezes tenha votado mais alinhado com outros grupos políticos, como o S&D.

"Há muitas coisas que eu voto com o grupo. Há muitas coisas que eu não voto com o meu grupo e voto com os Verdes, com o próprio GUE, com o S&D, alguns até com os próprios conservadores, quando me parece que as suas propostas são estruturalmente mais honestas (...) Sou de facto, já mo disseram, talvez o deputado mais indisciplinado do ALDE, mas aí está a riqueza deste grupo político. A da liberdade dos seus membros", concluiu.

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