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Europeias: Até ao momento não surgiu um partido populista em Portugal

O rótulo de populista aplicado "a tudo o que mexe" é um erro, na perspetiva do investigador José Pedro Zúquete, que considera que até ao momento ainda não surgiram em Portugal partidos com representação com estas características.

Europeias: Até ao momento não surgiu um partido populista em Portugal
Notícias ao Minuto

10:30 - 09/05/19 por Lusa

Política Investigador

"Para mim, até ao momento, não surgiu um partido populista em Portugal e acho que muita gente nas universidades e nas opiniões dos jornais tem-se entretido a tentar encontrar, à força, um equivalente para essa ausência", aponta, ouvido pela agência Lusa, José Pedro Zúquete, investigador do Instituto de Ciências Sociais.

Perspetiva diferente tem José Filipe Pinto, professor catedrático da Universidade Lusófona de Lisboa com agregação em Ciência Política, que utiliza o Índice de Populismo Autoritário - do sueco Andreas Heino, da Fundação Timbro -- para defender que em Portugal há um "populismo de esquerda", que tem como "principais forças o Bloco de Esquerda e o PCP", sendo este fenómeno na direita "ainda incipiente", apesar de não ter dúvidas que o Chega é um partido populista.

Para José Pedro Zúquete não se pode "aplicar o rótulo populista a tudo aquilo que mexe", caso contrário "o populismo passa a ser tudo e nada ao mesmo tempo".

"É um erro designar os partidos políticos que têm dominado a vida política em Portugal nas últimas décadas, os partidos do 'establishment', como populistas. Não podemos confundir taticismo e o oportunismo político com populismo. Nenhum desses partidos aqui em Portugal quer destituir a classe política", justifica.

Os dois especialistas também não concordam em relação ao aumento do populismo em Portugal nas eleições europeias de 26 de maio.

Na leitura de Zúquete, o Chega -- partido que pode ser o percursor de um movimento populista em Portugal, mas que está a "ir pelo caminho errado" -- não irá ter "uma votação muito expressiva" para o Parlamento Europeu, neste caso com a coligação Basta.

Visão diferente tem José Filipe Pinto, autor do livro "Populismo e Democracia, dinâmicas populistas na União Europeia", que antevê que em Portugal, tal como na União Europeia, "vai crescer o populismo", uma vez que os partidos que considera serem populistas, segundo os dados das sondagens, "irão ter mais peso" nas eleições europeias.

Admitindo que há uma confusão das pessoas sobre aquilo que significa populismo, José Filipe Pinto realça que dentro dos próprios analistas há "posições muito diferentes", havendo quem defenda que "o populismo é uma forma de fazer política" e outros -- grupo no qual se insere - que dizem ser "uma forma de articular o discurso".

"Para mim, o populismo não é ideologia -- serve-se delas -, para mim não é uma forma de fazer política. O populismo é uma forma de articular o discurso, visando a luta pela hegemonia. Conquistada essa hegemonia cria-se um modelo novo", explica.

Na ótica do investigador da Universidade Lusófona, "nem o PS nem o PSD, nem o CDS-PP são partidos populistas", apontando que "o populismo conseguiu inverter a situação do mercado", porque "primeiro identifica quais são as vontades das pessoas e, a partir daí, oferece-lhe aquilo que as pessoas querem ouvir".

"E esse é o canto das sereias", concretiza, dando como justificação o regime semipresidencialista mitigado como "um dos grandes garantes de não haver um crescimento acentuado do populismo em Portugal".

Zúquete tem outras perspetivas sobre o facto de o populismo em Portugal não ter "saído da grelha de partida" e uma delas é a existência de "um partido comunista que ainda é relativamente forte".

"Em muitos partidos populistas de direita no resto da Europa, muito do seu eleitorado vem de pessoas que votavam nos partidos comunistas - por exemplo, em França - que tem muito um discurso de defesa nacionalista, dos trabalhadores contra os interesses estrangeiros e do protecionismo", justifica, considerando que o PCP "continua a desempenhar bem esse papel".

O facto de os partidos políticos com representação parlamentar "ocuparem temas da agenda política que poderiam ser aproveitados por movimentos populistas de direita" é outra das justificações sugeridas pelo investigador do Instituto de Ciências Sociais.

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