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"PS parece um torrão-de-açúcar que se está a desfazer em bocadinhos"

Fundador do Clube dos Pensadores mostra-se crítico da política em Portugal e da forma como as eleições europeias são confundidas com as legislativas, discutindo-se tudo menos Europa.

"PS parece um torrão-de-açúcar que se está a desfazer em bocadinhos"

Joaquim Jorge critica a falta de debate sobre a Europa nesta campanha eleitoral, em que, como sempre acontece, se discute preferencialmente os temas da política nacional, ficando para segundo plano os temas relacionados com as europeias.

O fundador do Clube dos Pensadores (CdP) faz uma radiografia à política em Portugal que não é nada animadora. No nosso país, diz, a política “não tem interesse nenhum”, “as pessoas não ligam a nada e não querem saber”.

“Cada vez mais, há uma doença em Portugal que é ‘politicofobia’, os portugueses fogem a sete pés da política e têm uma péssima impressão de tudo que gira à sua volta”, repara o biólogo, num texto de opinião remetido ao Notícias ao Minuto.

Além de ninguém querer saber, o sistema político português, aponta, “é uma salgalhada”, onde se mistura eleições europeias, com legislativas e autárquicas. Mas, na ótica do fundador do CdP, “o pior” é que o Governo e a oposição “aproveitam este facto para falar de tudo e mais alguma coisa, mas muito pouco da Europa”.

Joaquim Jorge dá exemplos do que deveria estar a ser debatido e não está a sê-lo. A saber: “Era importante para o esclarecimento dos portugueses o interminável Brexit e as consequências desse referendo acéfalo, o que acarretará para a Europa;  as relações da Europa com os EUA - Trump transformou a política do seu país e quiçá do mundo. Chávez é o responsável da catástrofe venezuelana que está para se converter numa perigosa crise regional com consequências para Portugal”.

Ma não só. Há ainda outras questões “não menos importantes”, como a “ameaça da independência dos bancos centrais em relação ao poder - o Banco de Portugal não pode estar sob a alçada de qualquer Governo; as desigualdades económicas e as suas consequências na estabilidade política na Europa; a crescente automatização da economia que afecta negativamente tanto as possibilidades de emprego como de salários”.

Ao invés disso, o que se tem debatido, critica Joaquim Jorge, “é o PS a ser transformado em PF (Partido Família)”. O que leva o biólogo a considerar que “o PS parece um torrão-de-açúcar que se está a desfazer em bocadinhos de açúcar”. E isso mesmo indica a aproximação do PSD reveladas nas última sondagens, assinala.

Na opinião de Joaquim Jorge, “estamos a perder a capacidade de discutir política, neste caso, a política europeia” e o facto de se “misturar tudo” parecendo uma “miscelânea” não ajuda nada – aliás, “não clarifica” e “só baralha” os portugueses. 

Rematando o assunto, Joaquim Jorge questiona: “A questão é ir votar ou não votar? Quem for votar, vota para a Europa ou para penalizar o Governo PS?"

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