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Marcelo assume preocupação com possível crise sem alternativa de poder

O Presidente da República considera que "é muitíssimo difícil" para o atual líder do PSD ser oposição, como foi para o anterior, e assume-se preocupado com a possibilidade de surgir uma crise sem alternativa de poder. Sobre a greve cirúrgica dos enfermeiros, apontou problemas legais ao 'crowdfunding' que está a financiá-la e não contestou a decisão do Governo em recorrer à requisição civil.

Marcelo assume preocupação com possível crise sem alternativa de poder
Notícias ao Minuto

06:35 - 08/02/19 por Lusa

Política PSD

Marcelo Rebelo de Sousa expressou essa preocupação na primeira edição do programa da TVI24 'Circulatura do Quadrado' - antes designado 'Quadratura do Círculo' e emitido na SIC Notícias -, gravada no Palácio de Belém, em Lisboa, na quinta-feira à noite, com a sua participação como convidado especial.

"É das coisas que mais me preocupam, poder haver em qualquer momento uma crise e não haver alternativa. E, depois, as pessoas virarem-se para o Presidente: forme governos presidenciais, faça coisas que não deve, não pode fazer. E eu não o farei, porque ultrapassaria os limites dos poderes presidenciais", declarou.

Por isso, para o chefe de Estado, "quanto mais forte for a oposição, melhor - a atual oposição -, e quanto maior for a hipótese de alternativa de Governo, melhor".

"É evidente que eu como Presidente quero ter alternativas, é fundamental, porque não há fórmulas eternas. Podem durar e vão durando. Mas, um dia deixam de durar e não há alternativa? E depois? Essa foi sempre a minha preocupação ao longo do tempo", reforçou.

No seu entender, com a atual solução inédita de Governo minoritário do PS apoiado por PCP, BE e PEV no parlamento, "verificou-se que, de facto, o protagonismo, o centro do poder político em Portugal se deslocou para a esquerda e o PS ficou praticamente no centro do xadrez político português".

"E a direita conheceu e conhece uma experiência nova: mais partidos, maior pulverização, maior dificuldade. Eu conheci como líder da oposição como é bem difícil ser líder da oposição - e foi com o anterior líder do PSD [Pedro Passos Coelho], por exemplo, e é muitíssimo difícil com o atual líder do PSD [Rui Rio]", considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que tem "reuniões constantes ou contactos constantes com os vários partidos, quer na área da governação, em muitos casos, para ajudar a fazer pontes, quer na área da oposição", tentado informar-se "sobre tudo o que se passa".

"Preocupa-me que o centro-direita, todo ele, seja forte e que possa configurar uma alternativa. E que seja possível, de facto, que não haja vazios nem à esquerda, nem à direita, porque esses vazios vão ser preenchidos por forças radicais, antissistema, xenófobas, de clivagem, criando realidades que não existem na sociedade portuguesa. E nós não temos de importar o que se passa lá fora", disse.

Neste programa moderado por Carlos Andrade e que tem como comentadores José Pacheco Pereira, do PSD, António Lobo Xavier, do CDS-PP, e Jorge Coelho, do PS, todos antigos dirigentes partidários, o antigo ministro socialista elogiou o mandato de Marcelo Rebelo de Sousa e adiantou: "Se a sua decisão [de se recandidatar] fosse agora, nas circunstâncias de agora, tinha aqui à sua frente um apoiante".

No que respeita ao relacionamento com o executivo chefiado por António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa qualificou de "muito violento" o discurso que fez em outubro de 2017 na sequência dos incêndios, mas justificou-o com a necessidade de "recolar o país ao Governo, ao poder político".

Esse período "foi muito difícil, admito, de gestão, para mim e para o Governo", afirmou.

Sobre o estilo presidencial, enquadrou o uso constante da palavra com o objetivo de "esclarecer questões" ou "picar balões e prevenir conflitos", reconhecendo que tem riscos e que a sobre-exposição, "além de ser um grande cansaço físico, é um desgaste".

"Como imaginam, ao fim de 50 anos a fazer análise política, eu nisso sou muito frio. Começo a análise por mim mesmo e sei do desgaste", frisou.

Quanto à duração da atual solução de Governo, defendeu que "o mérito essencial é dos portugueses, primeiro, que se foram afeiçoando a ela e criando condições para ela" e também das várias partes que a integram: "Soube sobreviver e entender-se. E eu sou testemunha disso, porque vi por dentro desde o nascimento, e não é fácil. A negociação de orçamentos é difícil, é complexa".

Na sua opinião, "uma parte do país ficou zangada" consigo por não ter posto fim a esta experiência governativa: "É porque não sabem o que se passa na Europa, não sabem o que se passa no mundo. Não sabem os custos dessa crise, não imaginam o que isso é".

Marcelo Rebelo de Sousa abordou ainda a greve cirúrgica dos enfermeiros, a propósito da qual o Governo recorreu à requisição civil, apontando problemas legais ao 'crowdfunding' que está a financiar a paralisação e não contestando a decisão do Governo, justificada com o incumprimento dos serviços mínimos. A Lei de Bases da Saúde foi outro dos temas sobre os quais discorreu, negando que ha ja uma "veto prometido" da sua parte.

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