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"Alimentar a ideia de que há um confronto racial, só diminui" a polícia

O Presidente Marcelo esclareceu, esta terça-feira, o porquê da sua visita surpresa ao Bairro da Jamaica, vincando que "estar a alimentar" este tema só "contribui para um clima de os bons contra os maus". E isso, defendeu, "não se coloca relativamente às forças de segurança, só as diminui", além de que "é não perceber que somos todos portugueses".

"Alimentar a ideia de que há um confronto racial, só diminui" a polícia
Notícias ao Minuto

17:33 - 05/02/19 por Ana Lemos 

Política Presidente Marcelo

Depois da polémica gerada em torno da sua visita ao Bairro da Jamaica, recentemente palco de incidentes entre os moradores e agentes da PSP, o Presidente da República esclareceu, esta tarde, em declarações aos jornalistas, a partir da varanda do Palácio de Belém, o porquê de o ter feito.

"Fi-lo [a visita] por duas coisas que os portugueses percebem facilmente. Não houve uma guerra de um bairro negro contra uma polícia branca, nem de uma polícia branca contra um bairro negro. Houve, e há, uma comunidade portuguesa que vive num bairro com problemas críticos - embora com um plano de realojamento -, e há, e houve, forças de segurança que exercem a sua função ao serviço do Estado de direito democrático", sustentou o chefe de Estado, vincando: "Isto para mim é evidente".

A outra questão, prosseguiu o Presidente Marcelo, é a de que "a última coisa de que Portugal precisa é de haver qualquer tipo de comportamento que crie um empolamento artificial e um conflito de raças". Isso, disse, é uma "porta aberta ao radicalismo".

"Foi com estas duas ideias na cabeça (…) que fui, e de surpresa, ao Bairro da Jamaica, onde pode verificar as condições sociais e o projeto de realojamento, quer em relação a africanos, quer em relação a ciganos. Tive contacto com todos porque sou Presidente de todos os portugueses. Portanto, penso que com estas duas ideias os portugueses percebem perfeitamente o que é que o Presidente da República lá foi fazer, porque é que foi, como foi e o que está ali em causa", declarou. E o que está em causa? O Presidente Marcelo foi claro na resposta: "Há riscos de se olhar para aquela realidade de uma forma que não é correta". 

Questionado sobre se não teme ter interferido na investigação que está em curso, o chefe de Estado foi perentório: "Não", afirmou, lembrando que separou "desde o primeiro momento, os factos em investigação pelo Ministério Público da realidade global".

"Eu disse que não se pode generalizar, que foi o que muita gente começou a fazer na sociedade portuguesa criando um clima de guerra racial. Foi precisamente devido a esse clima (...) que eu fui [ao Jamaica] para dizer que ‘é um bairro tão português como todos os bairros portugueses’, e há muitos que têm os mesmos problemas sociais", justificou Marcelo, reforçando que "não se pode confundir pontos que estão em investigação, com uma comunidade portuguesa integrada, e com forças de segurança que servem um estado de direito democrático todos os dias".

Aliás, acrescentou, "nem se podem colocar no mesmo plano. Não compreendo como se pode equiparar comunidades e forças de segurança. São coisas diferentes. Por definição, as forças de segurança exercem a sua autoridade relativamente a todas as comunidades no espaço nacional, urbano ou não urbano. E estar a querer equiparar essas realidades é diminuir o papel das forças de segurança".

Em jeito de conclusão, o Presidente da República insistiu que "alimentar esta matéria é, direta ou indiretamente, contribuir para um clima de os bons contra os maus, os negros contra os brancos, uns contra os outros. E isso não se coloca relativamente às forças de segurança, só as diminui. E por outro lado, isto é não perceber que somos todos portugueses".

[Notícia atualizada às 17h44]

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