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Europeias: João Ferreira acusa UE de funcionar com "recorte neocolonial"

O cabeça de lista da CDU às eleições europeias acusa a União Europeia (UE)de funcionar com um "recorte neocolonial" em muitos aspetos, criando uma "subordinação política intolerável" dos Estados-membros, como quando põe burocratas a apreciar orçamentos nacionais.

Europeias: João Ferreira acusa UE de funcionar com "recorte neocolonial"
Notícias ao Minuto

08:33 - 02/02/19 por Lusa

Política Entrevista

"Termos um conjunto de burocratas a dizer o que é que esse Orçamento do Estado deve conter, e a dizer que linhas é que ele não pode passar, e a dizer que medidas é que ele tem obrigatoriamente que prever, isto é uma situação de subordinação política intolerável", argumenta João Ferreira, em entrevista à agência Lusa.

Para o eurodeputado e recandidato nas eleições de 26 de maio, "a União Europeia tem hoje um funcionamento que assume o recorte neocolonial em certos aspetos", considerando e é essa dependência económica e uma subordinação política que tem que ser combatida.

O candidato comunista sustenta que o euro foi "um instrumento central na criação deste quadro", mas "não foi o único".

"É importante ter presente que o euro não é o único constrangimento que hoje pesa sobre Portugal, há outros. As políticas comuns, a Política Agrícola Comum, a Política Comum das Pescas e a política comercial comum tiveram impactos negativos. [O euro] não é o único constrangimento, mas é um constrangimento que se destaca face aos demais... E é um constrangimento que tem que ser removido", acentua.

João Ferreira admite um referendo para decidir se Portugal deve continuar no euro, apesar de preferir "uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais".

O candidato defendeu que, para decidir a permanência de Portugal na União Económica e Monetária, "o ideal será um processo negociado no quadro da União Europeia", justificando assim as propostas dos eurodeputados do PCP de "um programa de apoio aos países que entendam sair do euro".

"Preferencialmente, devemos procurar uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais não sendo isso possível. Não sendo possível, [Portugal] deve rejeitar soluções que sejam prejudiciais aos seus interesses", sustentou o eurodeputado.

Caso a UE continue a rejeitar uma solução negociada, o referendo é "uma hipótese".

Para justificar a saída da moeda única, João Ferreira recordou que, nos 20 anos anteriores à entrada no euro, Portugal cresceu "sempre acima da média da União Europeia" e "acima da média mundial". Mas inverteu a situação após a entrada na moeda única: "são 20 anos a crescer abaixo da média da União Europeia e da média mundial", ou seja, "duas décadas perdidas".

"Há poucos países no mundo, se virmos as bases de dados do Banco Mundial e do FMI, há poucos países no mundo com uma taxa de crescimento inferior à portuguesa, e os que existem são países que foram devastados por guerras e por conflitos civis", salientou.

João Ferreira considera "muito insuficiente" Portugal crescer abaixo de 3% e entende que o crescimento de 2,7% alcançado após recessão "não é extraordinário".

"Pensar um crescimento abaixo de 3% neste momento em Portugal é muito insuficiente para o que são as necessidades do país", sustenta João Ferreira.

"Nós tivemos uma média de crescimento, nos 20 anos de euro, abaixo de 1%: 0,9% ao ano. Lá está, um dos países que menos cresceram no mundo. Nós queremos estar a pensar em qualquer coisa nunca inferior a 3%. E isso é impossível com a prisão das imposições da União Europeia sobretudo as que estão associadas ao euro", conclui o deputado do PCP ao Parlamento Europeu.

Por outro lado, o eurodeputado comunista lembrou que "a dívida explodiu desde a adesão ao euro" e "o abandono e o desinvestimento em setores produtivos nacionais", como na agricultura, na indústria e nas pescas, tornaram o país mais vulnerável.

"Nós precisamos de uma verdadeira política de Estado de apoio à produção nacional para contrariar este caminho", defendeu.

O cabeça de lista da coligação PCP-PEV ao Parlamento Europeu insistiu também na necessidade de "renegociação da dívida" pública portuguesa, pondo fim à "dependência económica que o país atingiu" e que levam a uma "subordinação política" a "instrumentos intoleráveis", como a apreciação dos orçamentos nacionais pelas instituições comunitárias, o chamado 'semestre europeu'.

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