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"Diálogo haverá sempre. Não há é margem para conseguir mais aproximação"

A ministra da Saúde frisa que "não é possível" satisfazer as reivindicações dos enfermeiros e que a "prioridade é reforçar reforçar o número de efetivos no sistema". Admite que a nova greve dos enfermeiros vai ter um impacto "grave" nas cirurgias.

"Diálogo haverá sempre. Não há é margem para conseguir mais aproximação"

Na antecâmara de uma nova greve dos enfermeiros, a ministra da Saúde, Marta Temido, foi, esta quarta-feira à noite, a convidada da Grande Entrevista da RTP3 e não poderia ter sido mais clara relativamente às reivindicações dos enfermeiros que conduzem a nova jornada de protesto. 

Nesta altura há duas reivindicações que estão a separar os sindicatos dos enfermeiros do Governo: o descongelamento das progressões na carreira e o aumento do salário base dos enfermeiros. 

Pelo que Marta Temido deu a entender, não se espera que haja um entendimento em breve. "Temos muita vontade de nos aproximar e tenho esperança que da parte dos profissionais de enfermagem haja um juízo de ponderação que os leve a pensar no caminho que percorremos e que teremos para percorrer no futuro", realçou.

"Não podemos pretender que as dignificações das carreiras aconteçam apenas pela via salarial e que essa dignificação consuma todo o tempo - anos, décadas - que outros demoraram a percorrer no espaço de poucos anos", acrescentou a ministra. 

Os enfermeiros querem passar dos atuais 1.200 euros para 1.600 euros. No entanto, Marta Temido garante que o "Governo não tem capacidade para ir mais longe".

"Não é possível fazer um reposicionamento que implique um aumento salarial de 400 euros para um grupo profissional que na totalidade tem mais de 42 mil indivíduos e que não suficientes", sublinhou a responsável pela pasta da Saúde. 

Marta Temido salienta que nesta altura há outras prioridades neste setor. "Os recursos em Saúde são sempre escassos e é necessário definir prioridades. E a prioridade é reforçar o número de efetivos no sistema. É isso que precisamos de fazer e que vai dar maior segurança, qualidade aos cuidados e vai até aliviar muito do ‘burnout’, do stress e da exaustão que muitos dos profissionais se queixam"

Isto não significa que Governo e sindicatos dos enfermeiros não se possam voltar a sentar à mesa de negociações. "Diálogo haverá sempre. Não há é margem para conseguir mais aproximação. Os portugueses não nos perdoariam, estou convicta disso, se arriscássemos o futuro do SNS em nome da nossa vontade, porque sejamos francos seria uma grande satisfação poder atender a todos os pedidos ao mesmo tempo. Isso não é possível. Isso não é governar, é ceder, é despejar dinheiro em cima daquilo que são as reivindicações das pessoas que estão à nossa volta", esclareceu Marta Temido.

A ministra referiu que a greve anterior teve um impacto significativo nos blocos operatórios, resultando no cancelamento de sete mil cirurgias. Uma situação que estava a ser resolvida. "Até à semana passada já tinham sido realizadas 45% das mesmas e tínhamos agendadas outras tantas até ao final do mês de março", revelou.

Com novo protesto, o cenário volta a ser negro. "Com uma nova greve ficamos numa situação bastante grave. Perante uma situação de dificuldade temos de fazer o que já fizemos antes, que é equacionar outras alternativas de resposta, equacionar meios de ação jurídicos relativamente a esta greve", disse Marta Temido, que lembrou que este protesto tem implicações de ordem deontológica.

"Esta greve convoca uma reflexão muito séria sobre questões éticas relativamente ao exercício do direito à greve (…) Não está em causa a legitimidade das reivindicações, está em causa o que pode afetar", afirmou. 

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