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"Governo tem batata quente que herdou de governo de Sócrates e de Passos"

Numa altura em que o Governo e professores mantêm o braço-de-ferro, Joaquim Jorge defende que se "deve olhar para a classe mais numerosa em Portugal com olhos de ver" e destaca o papel fundamental da Escola na formação dos jovens.

"Governo tem batata quente que herdou de governo de Sócrates e de Passos"

Joaquim Jorge, fundador do Clube dos Pensadores (CdP), defende que o Orçamento “deve ser sustentável”, mas que se deve olhar para “a classe mais numerosa em Portugal (os professores) com olhos de ver”.

Os professores andam à volta de 130 mil e são eles que têm a tarefa de ensinar todos os portugueses”, evidencia Joaquim Jorge, alertando para o facto de as decisões políticas terem custos.

Na sua opinião, o tempo de serviço dos professores deve ser contado de uma forma faseada no tempo e sem pôr em risco as contas públicas.

Se tal não acontecer, antevê o biólogo, “vai haver consequências nas próximas eleições legislativas”. Joaquim Jorge reconhece que o Executivo de Costa “tem uma batata quente nas mãos que herdou de um governo PS (José Sócrates) e depois de um governo PSD (Pedro Passos Coelho)”.

Independentemente do braço-de-ferro entre professores e Governo, o fundador do CdP defende que a escola “não pode ser uma creche para crianças e jovens” e destaca o seu papel “primordial [de] formar intelectualmente os jovens" com "ordem e regras para se cumprir”.

E “o professor deve ser essa autoridade”, frisa, destacando, igualmente, o papel dos pais. Estes, prossegue, "devem ajudar a escola na aplicação de regras e respeito”. No entender de Joaquim Jorge, um dos maiores problemas com que os professores se debatem numa Escola é a indisciplina". 

“Proibir é muito difícil, porque se cria conflitos, mas um pai moderno deve saber dizer não. Deve resistir e isso ajuda a escola e o professor”, aponta, acrescentando ainda que “se não houver ordem dentro de uma sala é impossível aprender bem”.

Joaquim Jorge defende também que é preciso ensinar aos alunos que para se conseguir algo exige esforço, mas diz ser contra os rankings das escolas.

“As comparações de escolas e competição entre professores esfria o relacionamento e a cordialidade. Em relação aos professores gera stress e rancor a quem os controla”, justifica, defendendo que uma “escola não é uma empresa”.

Recorde-se que, esta segunda-feira, Mário Centeno lembrou que "o Orçamento é de todos os portugueses" e advertiu os partidos de que "não é possível pôr em causa a sustentabilidade de algo que afeta todos, só por causa" da contabilização do tempo de serviço dos professores.

A entrevista do ministro das Finanças aconteceu dois dias depois de Catarina Martins ter pedido a intervenção do primeiro-ministro na resolução do problema dos professores. Ontem, reagindo às palavras de Centeno, a coordenadora do Bloco de Esquerda, disse estar "plenamente de acordo" com o ministro. "O Orçamento não é para os professores, é para todo o país", afirmou, ressalvando que o que já foi legislado no Orçamento passado "é para ser cumprido".  

Para o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, as declarações do ministro são "inaceitáveis" e desrespeitam "quem trabalha".

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