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PS não é a Carochinha e "eu não tenho cara de João Ratão"

O presidente do PSD distinguiu esta quarta-feira uma solução governativa de Bloco Central, que só faz sentido numa situação "absolutamente extraordinária", de "entendimentos estruturais no quadro parlamentar" para fazer "as reformas de que Portugal precisa".

PS não é a Carochinha e "eu não tenho cara de João Ratão"
Notícias ao Minuto

19:17 - 11/07/18 por Lusa

Política PSD

Questionado sobre se estaria disponível para suportar no parlamento um eventual Governo PS minoritário, Rui Rio respondeu da forma que o próprio classificou como a correta na tática política, reiterando que o objetivo do PSD é vencer as eleições.

"Só para verem que eu também sei a tática - às vezes pensam que chego a Lisboa vindo do Porto e não percebo nada disto - em política isto responde-se assim: nem me passa pela cabeça porque eu vou ganhar as eleições", afirmou, no final de uma reunião na sede do PSD com a Ordem dos Solicitadores, no âmbito das reuniões que tem promovido na área da justiça.

Rui Rio foi questionado pelos jornalistas sobre as palavras do secretário-geral do PS que na terça-feira à noite acusou a direita de construir "uma ficção" de que a atual solução governativa não funciona e que é preciso um Bloco Central, salientando António Costa que os socialistas têm uma identidade própria e não são "uma Carochinha à procura do João Ratão".

"Não tenho cara de João Ratão", assegurou, na resposta, Rui Rio.

Sobre a possibilidade de um Governo com o PS, o presidente do PSD repetiu o que tem dito e que "o próprio secretário-geral do PS tem dito".

"O Bloco Central só faz sentido numa situação absolutamente extraordinária do país. Neste momento não se vive, nem prevejo que se venha a viver depois das eleições de 2019, se se viesse a viver teria sido o descalabro desta governação", afirmou, atribuindo as afirmações de António Costa a um momento de "atirar de culpas" que se vive dentro da 'geringonça'.

No entanto, o presidente do PSD fez questão de dizer que "outra coisa completamente diferente são entendimentos de ordem estrutural no quadro parlamentar".

"Uma coisa são os entendimentos de que Portugal precisa, outra é os partidos entenderem-se para a formação de um Governo. Os dois maiores partidos entenderem-se para formação de um Governo só numa situação absolutamente extraordinária, que do 25 de Abril até hoje aconteceu uma vez", sublinhou.

Questionado sobre a posição assumida esta quarta-feira pelo antigo líder parlamentar Luís Montenegro -- que também já tinha sido defendida por deputados da bancada social-democrata -- para que o PSD assuma desde já o voto contra o Orçamento do Estado, Rio atribuiu-a à "rutura" que introduziu na forma de fazer política.

"Compreendo perfeitamente que aqueles que estiveram durante muito tempo de uma dada forma na política se choquem agora quando chego e digo que um partido político para ser sério não pode ter opinião sobre um documento que não existe sequer (...) Compreendo que configurando alguma rutura haja choques, teremos eleições para avaliar os choques", referiu.

Ainda assim, Rui Rio reiterou que "o mais natural é o documento aparecer de forma contrária à que o PSD entende", mas recusando assumir uma posição oficial antes da apresentação do Orçamento do Estado.

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