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"Será mais vantajoso pagar a taxa do que pagar um salário digno"

Nas jornadas parlamentares do seu partido, Jerónimo de Sousa criticou o Governo e "os protagonistas do costume" pelas medidas apresentadas à concertação social.

"Será mais vantajoso pagar a taxa do que pagar um salário digno"
Notícias ao Minuto

13:10 - 07/06/18 por Tiago Miguel Simões 

Política Jerónimo de Sousa

Jerónimo de Sousa discursou nas jornadas parlamentares do PCP atacando Governo e os “protagonistas do costume” devido ao pacote de medidas que Costa apresentou à concertação social, que no entender do comunista, não servem para mais do que dar “uma ilusão de mudança”.

“O PS e o seu Governo não seguem o seu caminho, quando juntos com o PSD e CDS, agem para manter intocáveis para manter os interesses do grande capital nesta e noutras matérias. E do recente acordo de concertação com os protagonistas do costume e o explícito apoio do PSD confirmam-no”, começou por explicar, afirmando que não acredita no que se faz crer que foi o grande patronato a ir de encontro ao Governo e não o Governo “ao encontro das proteções das confederações do grande capital”.

Para Jerónimo de Sousa, o conteúdo do acordo mostra que foi o Governo a ceder a tais interesses. “Num passo de mágica dá-se a ideia de que tudo vai mudar, mas por baixo do manto de fantasia o que é essencial está lá e lá continua. Não mudou e o que se acrescentou para dar a ilusão de mudança é para ficar pior, como é o caso do alargamento do período experimental para 180 dias ou de criação de um novo banco de horas grupal reformulado”, denunciou o líder do PCP.

Esta concertação do Governo com o patronato tem, para Jerónimo de Sousa, o intuito de “manter a caducidade” de contratação coletiva e recusa a “introdução de um tratamento mais favorável ao trabalhador, continuando a anular “direitos laborais nucleares”.

No seu discurso, o líder comunista garantiu que o grande patronato não abre mão da precarização do trabalho com o propósito de pressionar as organizações de trabalhadores a aceitarem piores condições de trabalho e menos direitos em futuras convenções de trabalho. 

“Acena-se com a redução do tempo de duração dos contratos a prazo, mas levantando o resplandecente véu da ilusão. Lá está a intenção de duplicar o período experimental para seis meses. Seis meses de experiência, em experiência e numa posição de maior fragilidade é o que com maior probabilidade os jovens à procura do primeiro emprego podem esperar”, disse, continuando: “Apresenta-se como grande medida a criação da taxa penalizadora para empresas que passem certo nível de precariedade dito aceitável. Mas paga a taxa, essa espécie de licença ou de bula, a exploração do trabalho precário segue o seu caminho, agora legalizado, porque será mais vantajoso pagar a taxa do que pagar um salário digno e assegurar trabalho, reconhecendo direitos”.

O que Jerónimo não vê neste acordo são medidas que garantam “o justo princípio” de que um posto de trabalho permanente corresponde a um contrato de trabalho efetivo. Já em relação à desregulação dos horários, o político fez sobressair que “se fecham as portas de um lado e escancaram-se de outro, mantendo as chamadas adaptabilidades e o banco de horas, agora numa nova versão, que permite prolongar o horário por mais duas horas por dia, podendo atingir as 50 horas semanais, criando crescentes dificuldades à compatibilização da vida profissional com a vida pessoal e familiar”, concluiu, apelando à união e luta dos trabalhadores que culminará na manifestação nacional em Lisboa convocada pela CGTP, no próximo dia de 9 de junho.

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