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"Muito abuso" na imposição do trabalho por turnos em Portugal, diz Bloco

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, alertou hoje para a existência em Portugal de "muito abuso" na imposição de trabalho por turnos, apelando ao Governo para "abrir os olhos" para este problema.

"Muito abuso" na imposição do trabalho por turnos em Portugal, diz Bloco
Notícias ao Minuto

14:44 - 25/05/18 por Lusa

Política Catarina Martins

"Este é o momento de nós em Portugal compreendermos o problema muito grande que está a acontecer com a laboração contínua e com o trabalho por turnos. Cada vez em mais setores há trabalho por turnos, há laboração contínua. Cada vez há mais riscos de saúde para os trabalhadores em Portugal, porque estamos a falar de quem trabalha noites, quem não tem fins de semana", disse Catarina Martins.

A coordenadora do BE falava aos jornalistas à porta da fábrica de rolhas de cortiça Diam, após um encontro com cerca de duas dezenas de trabalhadores daquela empresa de Santa Maria da Feira, que decidiu começar a ter laboração contínua contra a vontade dos funcionários.

Catarina Martins realçou que o trabalho por turnos "penaliza a saúde dos trabalhadores, é culpado por mais acidentes de trabalho e não permite a conciliação da vida profissional com a vida familiar".

"Forçar o trabalhador a condições de trabalho que não são próprias é o que fica mais barato e nós temos infelizmente empresas de mais a decidir assim. Por isso também é que é preciso ter uma lei de trabalho por turnos que proteja os trabalhadores, para que não sejam a parte mais fraca", afirmou.

A coordenadora do BE apelou ao Governo para "abrir os olhos" para a necessidade de haver "regras mais claras" que protejam os trabalhadores do trabalho por turnos.

"Está na especialidade da comissão de trabalho há já muitos meses as alterações ao trabalho por turnos para proteger os trabalhadores e este é o momento dessas alterações irem para a frente", vincou.

Em declarações à Lusa, Filipe Silva, representante dos trabalhadores da Diam, disse que a empresa, com cerca de 150 funcionários, pretende implementar a laboração contínua a partir de setembro, tendo já recebido a autorização do Governo, apesar de 90% dos operários ter assinado um abaixo-assinado contra esta medida.

"Se for preciso vamos fazer uma greve, porque as pessoas não querem trabalhar aos sábados e domingos. O desgaste dos trabalhadores já é muito grande, porque fazem três turnos rotativos. Todas as semanas mudam de horário e isso é muito penalizador para a saúde das pessoas", disse.

A situação é mais grave para os casais que trabalham na mesma empresa, como é o caso de Susana Ramalho, que está há quase 12 anos na Diam, onde trabalha com o marido.

"Eles disseram-me que ou trabalhávamos os dois o mesmo turno e pagava a alguém para ficar com o meu filho em casa ou então, enquanto o meu marido trabalhasse, eu estava em casa e vice-versa. Ou seja, não ia ter vida nenhuma de casada com o meu marido e o meu menino tem de ter um pai e uma mãe presente na vida dele", disse esta funcionária, adiantando que se a medida for avante terá de mudar de emprego.

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