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Cerca de 500 pessoas protestam em Lisboa contra assassínio de Marielle

Cerca de 500 pessoas concentraram-se hoje na praça Luís de Camões, Lisboa, para protestarem contra o assassínio da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, ativista dos Direitos Humanos que consideram ter sido "silenciada pelo Governo Temer".

Cerca de 500 pessoas protestam em Lisboa contra assassínio de Marielle
Notícias ao Minuto

22:26 - 19/03/18 por Lusa

País Brasil

A 14 de março, Marielle, de 38 anos, foi morta à saída de uma favela do Rio, com quatro tiros na cabeça, com balas da Polícia Militar, cujos excessos ela diariamente denunciava desde que o Presidente, Michel Temer, ordenou, há cerca de um mês, uma intervenção do Exército, que tem matado muitos civis, por serem das favelas, negros e pobres, fazendo a população sair à rua em protestos no país.

"Não acabou! Tem que acabar! Eu quero o fim da Polícia Militar!", "Fora Temer!", "Golpistas, fascistas - não passarão!", "Racistas, machistas - não passarão!" e "Importam vidas pretas!" foram algumas das palavras de ordem repetidas pela multidão concentrada junto à estátua de Camões, onde o Coletivo Andorinha -- Frente Democrática Brasileira de Lisboa, um dos movimentos que convocaram o protesto, afixou um enorme retrato desenhado de Marielle Franco.

Em baixo, lia-se "Marielle presente", um mote da manifestação, ao qual os participantes respondiam "Hoje e sempre!", e depois também "Anderson presente! Hoje e sempre!" (Anderson era o nome do homem que conduzia a viatura onde Marielle seguia e que foi também assassinado).

Para Ana Caroline Santos, do Coletivo Andorinha, a importância desta concentração é que haja "uma solidariedade internacional perante o que acontece no Brasil, [porque] o assassínio de duas pessoas, sendo uma delas uma mulher negra, política, defensora dos direitos humanos, é algo que mostra para o mundo o que, de facto, está acontecendo no Brasil".

"Os assassínios de Marielle e de Anderson são oriundos da violência que acontece hoje no Brasil, mas foram assassínios diferenciados: Marielle foi silenciada, assim como milhares e milhares de mulheres e homens, pessoas que lutam desde 2016 contra a derrocada da democracia no Brasil", sublinhou.

Segundo a ativista, "conjugaram-se várias opressões: de raça, de classe, de género e da falta de democracia".

A intervenção militar no Rio de Janeiro "demonstrou que são vários os cenários" possíveis daqui para a frente no Brasil "e que, inclusive, um deles é não haver eleição presidencial em 2018", comentou Ana Caroline Santos.

"Temos várias coisas a acontecer e a conjuntura muda muito rápido no Brasil, mas isto demonstrou, com certeza, a necessidade de se discutir a participação política para além de eleições", acrescentou a ativista, expressando o desejo de que "esta e outras manifestações que estão a realizar-se" contribuam "para um cenário de mudança", num país dividido entre quem "está a ir para a rua para exigir democracia" e "quem acha que quem defende Direitos Humanos é quem defende os bandidos".

Entre os presentes, vários empunhavam cartazes em que se liam frases como "Quem mandou matar Anderson e Marielle?", "Execução sem disfarce", "Marielle executada por ser negra e combativa", "Contra a intervenção federal no Rio de Janeiro" e "Lisboa louva Marielle", e alguns emocionavam-se à menção do nome da feminista brasileira, ela própria originária de uma favela, a Maré.

Houve muitos discursos ao megafone, não só de figuras políticas, como as deputadas socialista Isabel Moreira e comunista Rita Rato e da bloquista Joana Mortágua, como de figuras da cultura, como as atrizes Maria João Luís e Marina Albuquerque, e de imigrantes brasileiros em Portugal, cujo denominador comum foi a necessidade de transformar "o luto em luta".

"Tentaram enterrá-la, mas mal sabiam que Marielle era semente", disse um dos cidadãos brasileiros que discursaram.

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