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Marielle "morreu por ser preta, mulher e lésbica". Ouviu-se em Braga

O nome da vereadora brasileira Marielle Franco, assassinada "por ser preta, mulher, lésbica, favelada" e "ousar ocupar o lugar das elites" é agora "a bandeira" da luta pelos direitos humanos, defenderam hoje cerca de 50 manifestantes em Braga.

Marielle "morreu por ser preta, mulher e lésbica". Ouviu-se em Braga
Notícias ao Minuto

20:49 - 19/03/18 por Lusa

País Manifestação

O frio do início da noite não afastou o grupo que com cartazes, faixas e lágrimas lembrou a "cidadã, mãe, ativista e excecional" mulher de 38 anos que, defenderam, foi vítima de um assassinato político no Rio de Janeiro com quatro balas na cabeça, num "ataque à democracia" que matou também o motorista da vereadora e deixou ferida uma outra mulher.

"Nove, foram nove tiros. Atingiram a mulher, a democracia, os direitos humanos e o sonho de um país livre", explicou à Lusa Márcio Sales, ativista brasileiro a tirar o mestrado em Portugal.

"Foram nove tiros. Era a concretização do desejo de matar todas as dimensões e possibilidades daquele ser. O primeiro foi na negra, que ousou ocupar o lugar feito para as elites, o parlamento", apontou.

"O segundo tiro foi na mulher feminista que incomodava. O terceiro tiro estraçalhou a lésbica que afrontava a heteronimação. O quarto tiro atingiu a mãe, que deixa órfã mais uma jovem brasileira. O quinto tiro atingiu a favelada, que povo abusado", continuou.

"E ainda era pouco para os fascistas", disse, já de voz embargada: "Veio o sexto tiro que atingiu a todos que militam pelos direitos humanos. O sétimo tiro foi na democracia e emudeceu o Estado de direito. O oitavo tiro atingiu-me também. Fiquei tonto, cai no chão, ofegante, espantado. Atingiu Anderson [o motorista de Mariella], ele era nós no volante daquele carro", salientou

E continuou. "Veio o nono tiro, dado por aquele que fazem comentários estúpidos diante do corpo inerte e do sangue vertendo", finalizou a contagem, deixando um apelo.

"Não vamos esperar o décimo", rogou.

E seguiu-se o silêncio de quem contou tiro a tiro, disparo a disparo. A evocação do nome de Mariella Franco rompeu com o silêncio do grupo, acordou-lhes o espírito de luta.

"Fascismo nunca mais. Que não seja mais uma morte em vão", ouviu-se.

O regresso do fascismo, da ditadura é um dos medos do estudante brasileiro: "Foi um assassinato político. Isso é óbvio. Mais significativo ainda porque ocorreu um dia após ela ter denunciado os assassinatos no morro e fazendo ela parte de uma parte da câmara que investigava a intervenção militar no Rio de janeiro", afirmou.

Para Márcio, "quando se mata alguém dos direitos humanos, que no dia anterior denunciou os abusos da polícia militar é muito mais do que isso, é querer calar toda uma sociedade".

Deste lado do oceano, o estudante, que se assumiu como "ativista, democrata, sonhador e lutador", vê no Brasil um país à deriva. "Vejo terrivelmente péssimo, não consigo ver luz no fundo do túnel após o golpe, existiu um golpe [referindo-se à destituição de Dilma Rousseff], há o regresso da escravidão, a Central de leis trabalhistas está a ser mudada e desde esse momento, em que se tiram direitos aos trabalhadores, volta a escravidão", lamentou.

Márcio descreve um país "no qual 80% da pobreza ainda é com os negros e está também a escravidão a voltar e a voltar o fascismo, é um país está entregue a senadores corruptos, traficantes, com escravos, com candidatos à presidência que mandam matar tudo pela frente, um Presidente como Temer, golpista, envolvido em diversos casos de corrupção, cresce o fascismo".

Ainda assim, "apesar do medo", Márcio quer voltar à Pátria.

"Volto em junho, tenho lá trabalhos sociais com moradores de rua e reabilitação de viciados. Volto correndo em junho porque acredito que fugir não é a solução", disse.

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