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Ministério confirma: Celtejo fez descargas ilegais durante dois anos

A informação é revelada pela Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável. “A Celtejo tem efetuado, de forma recorrente e continuada, descargas ilegais dos seus efluentes no rio Tejo”, garante o Ministério do Ambiente.

Ministério confirma: Celtejo fez descargas ilegais durante dois anos
Notícias ao Minuto

13:07 - 08/03/18 por Patrícia Martins Carvalho 

País Poluição

O Ministério do Ambiente confirmou à associação Zero que a Celtejo fez descargas ilegais no rio Tejo em 2015 e 2016.

Segundo um comunicado enviado às redações, a empresa fabricante de papel descarregou, em 2015, 2,5 kg CBO5/tSA, valor muito acima do limite da sua licença emitida em 2014 que era de 0,9 kg CBO5/tSA.

No ano seguinte, a Celtejo voltou a repetir a descarga ilegal. Pese embora o limite da licença para descargas tenha subido para 2,5 kg CBO5/tSA, a empresa aumentou as descargas para 2,8 kg CBO5/tSA.

De acordo com a Zero, no ano passado não houve descargas ilegais porque o limite manteve-se em 2,5 kg CBO5/tSA, tendo a empresa feito uma emissão de 2,1 kg CBO5/tSA.

“Porém, em reunião da ZERO com a Inspeção Geral do Ambiente, foi confirmado que esta instituição iniciou mais de um processo de infração por ultrapassagem dos valores limite de emissão (VLE) por parte da Celtejo”, lê-se no comunicado enviado à redação do Notícias ao Minuto.

A Zero refere ainda que também o Ministério do Ambiente confirmou que a “Celtejo tem efetuado, de forma recorrente e continuada, descargas ilegais dos seus efluentes no rio Tejo”.

Face ao exposto, a associação ambientalista considera que “estão reunidas as condições para que o Ministério acione a caução de 150 mil euros para danos ambientais prevista na licença de utilização de recursos hídricos da empresa”. Uma hipótese que, revela a mesma fonte, está a ser “ponderada” pela Agência Portuguesa do Ambiente.

Nesta senda, a Zero diz que fica provado que a empresa produtora de papel é “responsável por uma parte importante dos resíduos orgânicos que estão depositados no fundo da Albufeira do Fratel, resíduos esses que estão a causar danos ambientais e que vão obrigar o Estado a gastar pelo menos 1,2 milhões de euros na sua remoção”.

“O que nunca seria aceitável para os portugueses é que um cêntimo do valor estimado acima de um milhão de euros que o Estado vai investir na limpeza do fundo do Tejo pudesse eventualmente vir a ser pago pelos contribuintes, quando, como agora se demonstrou no caso da Celtejo, existem meios de prova a que o Estado facilmente pode aceder para encontrar os responsáveis pela poluição de um rio que é de todos”, frisa a Zero.

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