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Mostra dedicada a Tomás da Fonseca no aniversário da sua morte

No 50.º aniversário da morte do poeta-lavrador-filósofo Tomás da Fonseca, autor da obra anticlerical "Na cova dos leões", a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, dedica-lhe uma mostra, que vai estar patente a partir do próximo sábado.

Mostra dedicada a Tomás da Fonseca no aniversário da sua morte

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José Tomás da Fonseca, nascido a 10 de março de 1877 em Mortágua, num pequeno povoado da Serra do Caramulo, começou por ser um seminarista, mas acabou por se tornar ateu, anticlerical e republicano, bem como maçon com simpatias comunistas.

O seu ativismo enquanto militante republicano de cariz ateu e anticlerical -- Tomás da Fonseca pertenceu ao Movimento de Unidade Democrática, à Maçonaria e ao Partido Comunista Português -- valeu-lhe perseguições da PIDE e vários episódios de prisão, sobretudo devido às suas críticas às aparições em Fátima e à Igreja Católica, bem como à oposição que exerceu aos regimes ditatoriais, como o de Sidónio Pais e de Salazar.

Na verdade, a perseguição a José Tomás da Fonseca obrigou-o ao afastamento da docência que exercia em escolas e universidades, tanto em Lisboa como em Coimbra, e muitos dos livros que escreveu foram censurados e banidos durante as ditaduras (sidonista e salazarista).

À parte a atividade política, esta figura histórica portuguesa multifacetada foi também um agricultor, um polígrafo compulsivo com vastíssima intervenção na imprensa, jornalista, foi polemista e pensador, poeta, escritor e historiador, além de professor e pedagogo.

"Tão multímoda a sua obra, nela pode destacar-se a do polemista convicto e severo que, segundo recente tese de Luís Filipe Torgal, teve diferenciadas leituras: 'Os detratores de Tomás da Fonseca acusaram-no de republicano sectário, apóstata, anticlerical fanático, satânico, mistificador e iconoclasta. Pelo contrário, os seus admiradores representaram-no como missionário do povo, apóstolo cívico do laicismo, símbolo dos livres-pensadores portugueses, destruidor de falsos mitos da História, Política e Religião'", recorda a BNP, na sua página.

José Tomás da Fonseca, que foi também pai do escritor Branquinho da Fonseca, tornou-se uma das figuras mais relevantes da campanha que antecedeu a implantação da República, em 1910, e foi chefe de gabinete do primeiro Presidente republicano, Teófilo Braga.

Entre as obras literárias que escreveu, contam-se livros de versos, arqueologia e belas artes, doutrina democrática e polémica religiosa.

Falecido em 12 de fevereiro de 1968, foi reconhecido postumamente com o grau de comendador da Ordem da Liberdade em 1984.

No cinquentenário da sua morte, a BNP homenageia Tomás da Fonseca, através de uma mostra que lhe dedica e que estará patente até ao dia 10 de março, o seu dia de aniversário.

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