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Produção de queijo DOP Serra da Estrela vai demorar anos a repor

A reposição dos anteriores níveis de produção do queijo certificado Serra da Estrela demorará vários anos, mas a qualidade não foi afetada pelos incêndios, assegura a Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE).

Produção de queijo DOP Serra da Estrela vai demorar anos a repor
Notícias ao Minuto

09:28 - 02/02/18 por Lusa

País Incêndios

"A qualidade é igual à dos anos anteriores", disse hoje à agência Lusa o presidente da ANCOSE, Manuel Marques, no dia em que começa, em Celorico da Beira, distrito da Guarda, o ciclo anual de feiras do queijo de ovelha produzido na região.

Um centro de recria montado pela associação, em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, já reúne cerca de 200 borregas da raça bordaleira e deverá contribuir para salvar o queijo com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Estrela, após milhares de ovinos terem morrido nos fogos de outubro de 2017.

Manuel Marques prevê, no entanto, que a acentuada queda da produção de queijo DOP "vá prolongar-se por anos", devido à falta de matéria-prima.

Após os fogos de 15 e 16 de outubro de 2017 na região Centro, "a situação era preocupante" quanto ao futuro dos rebanhos de raças genuínas da Serra da Estrela, bem como dos três produtos DOP da ovinocultura regional: queijo, requeijão e borrego.

Terão perecido mais de 8.000 pequenos ruminantes, entre ovinos de raças autóctones e alguns caprinos, segundo estimativas da ANCOSE.

Mais de três meses depois da tragédia, "já temos alguns espaços a verdejar", com recomposição dos pastos atingidos pela seca prolongada e pelos incêndios.

"Mas não tanto quanto desejaríamos", lamentou Manuel Marques.

Na sequência dos fogos, a ANCOSE, com sede em Oliveira do Hospital, redobrou o trabalho de apoio aos sócios, repartidos pelos 18 municípios da região demarcada do queijo DOP Serra da Estrela: Carregal do Sal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Mangualde, Manteigas, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo, Seia, Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tábua, Tondela, Trancoso e Viseu, nos distritos de Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco.

"Continuamos a distribuir palha e rações pelos associados", disse, revelando que a entrega de borregas aos criadores que perderam animais começará em março ou abril.

Para poderem receber estas doações, os beneficiários terão de "demonstrar que perderam ovelhas da raça bordaleira" nos incêndios.

Na totalidade, a ANCOSE espera reunir, aos poucos, 400 ovelhas para repovoamento.

A segunda prioridade é fornecer também animais jovens aos produtores que pretendam reforçar o número de efetivos, mesmo que não tenham registado perdas devido ao fogo.

"Mas estes terão de pagar", esclareceu o presidente da associação.

Nos últimos seis anos, a redução do total de ovelhas da Serra da Estrela não parou de baixar, o que, no início de 2017, levou Manuel Marques a defender, em declarações à Lusa, a criação de incentivos do Estado à preservação do queijo DOP.

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